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Real Madrid lidera ranking de receita; Flamengo é 29º na Deloitte

O Real Madrid lidera o ranking mundial de faturamento de clubes de futebol da Deloitte na temporada 2024-25, divulgado em janeiro de 2026. O Flamengo aparece como o brasileiro mais bem colocado, na 29ª posição, e expõe a distância econômica entre a elite europeia e o futebol nacional.

Domínio merengue e distância para o Brasil

O relatório Football Money League confirma o Real Madrid como potência econômica isolada do futebol. O clube espanhol registra 1,16 bilhão de euros em receitas, algo próximo de US$ 1,36 bilhão, e se torna o único a superar a marca de US$ 1 bilhão nas duas últimas temporadas. O desempenho ocorre mesmo sem a conquista de LaLiga ou da Champions League em 2024-25, o que reforça o peso do negócio fora das quatro linhas.

O motor dessa liderança está na receita comercial, que cresce 23% e atinge 594 milhões de euros, puxada por vendas de produtos licenciados e novas parcerias corporativas. A estratégia transforma o Real Madrid em referência global de monetização da marca, com estádios cheios, forte presença digital e um portfólio de patrocinadores que enxerga o clube como plataforma de alcance mundial.

Na outra ponta do mapa, o Flamengo consolida seu papel de principal ativo econômico do futebol brasileiro. O clube carioca soma 202,7 milhões de euros em receitas e ocupa a 29ª posição no ranking. O número garante presença no top 30 global, mas também explicita a diferença de escala: o faturamento rubro-negro equivale a menos de um quinto do que o Real Madrid arrecada em uma única temporada.

Europa puxa a fila, Inglaterra domina o topo

O topo do ranking mantém a hegemonia europeia, com Espanha, Inglaterra, Alemanha e França distribuindo os principais postos. O Barcelona, atual campeão de LaLiga, aparece em segundo lugar, com 975 milhões de euros, e volta ao top 3 pela primeira vez em cinco anos. O Bayern de Munique, dono da Bundesliga, surge em terceiro, com 861 milhões de euros, seguido pelo Paris Saint-Germain, vencedor da Champions League, que registra 837 milhões de euros.

O Liverpool ocupa a quinta posição, com 836 milhões de euros, no melhor desempenho de um clube inglês em 29 edições da Money League. A campanha que rende o título da Premier League impulsiona receitas de estádio, direitos de transmissão e acordos comerciais. O Manchester City escorrega para a sexta colocação, com 829 milhões de euros, enquanto o Arsenal, líder da atual temporada da Premier League, fecha o trio inglês imediato com 822 milhões de euros.

O Manchester United vive movimento oposto. O clube cai da quarta para a oitava posição, com 793 milhões de euros, na pior colocação de sua história na Money League, que já liderou dez vezes. A queda acompanha o desempenho esportivo: o time termina apenas em 15º na Premier League, fica fora das competições europeias e é eliminado cedo na FA Cup e na Copa da Liga. A Deloitte vê risco de nova piora nas receitas atuais, com menos jogos relevantes, menor exposição internacional e pressão sobre contratos de patrocínio.

Tim Bridge, sócio-líder do Grupo de Negócios Esportivos da Deloitte, resume a perda de protagonismo dos ingleses de Old Trafford. “Se voltarmos 10 ou 15 anos, a receita de bilheteria do Manchester United era a líder do setor. Sua capacidade de gerar receita comercial era a referência para o mercado. Não acho que isso ainda seja verdade”, afirma.

O top 10 ainda traz Tottenham e Chelsea, em nono e décimo, com 673 milhões e 584 milhões de euros, respectivamente. São seis ingleses entre os dez primeiros, um retrato da força da Premier League, que vende direitos de transmissão para o mundo inteiro e transforma quase todos os grandes clubes em marcas globais.

Flamengo resiste, mas abismo financeiro cresce

O lugar do Flamengo no 29º posto funciona como termômetro da economia do futebol brasileiro. O clube mantém relevância internacional, mas encara um teto de crescimento em comparação com os gigantes europeus. A estrutura das ligas, a venda fragmentada de direitos de TV e o menor poder aquisitivo do torcedor limitam a capacidade de multiplicar receitas em linha com o que acontece na Espanha, Inglaterra ou Alemanha.

A diferença aparece com clareza quando se observa o bolo global. A soma de receitas dos 20 clubes mais ricos chega a 12,4 bilhões de euros, um aumento de 11% em relação ao ciclo anterior. A receita comercial alcança 5,3 bilhões de euros, impulsionada por maior uso dos estádios em dias sem jogo, contratos de patrocínio mais robustos e operações de varejo profissionalizadas. A bilheteria cresce 16%, para 2,4 bilhões de euros, e as transmissões avançam 10%, apoiadas, entre outros fatores, na ampliação do Mundial de Clubes da Fifa realizado nos Estados Unidos no último verão do Hemisfério Norte.

O Flamengo se beneficia de uma torcida massiva, de contratos de televisão ainda expressivos e de um portfólio comercial em expansão, mas opera em um cenário nacional que não acompanha o ritmo europeu. A falta de uma liga unificada forte, a instabilidade política dos clubes e a dependência de venda de jogadores para fechar contas criam um contraste direto com o modelo dos grandes da Europa, centrado em maximizar receita recorrente.

Para o mercado brasileiro, a presença rubro-negra no ranking serve de alerta e de referência. Mostra que é possível construir um clube competitivo globalmente em termos de negócios, mas também explicita o tamanho do desafio para transformar outros times em players relevantes. A distância para os 10 primeiros permanece larga, não apenas em números absolutos, mas na capacidade de investir de forma contínua em elenco, infraestrutura e internacionalização de marca.

Nova geopolítica do futebol e próximos movimentos

O relatório da Deloitte também aponta sinais de mudança na geopolítica financeira do esporte. Clubes da Liga Profissional Saudita e o Inter Miami, da Major League Soccer, começam a entrar no radar como potenciais ameaças à supremacia dos europeus. Elencos recheados de estrelas elevam o interesse global e pressionam, a médio prazo, os tradicionais centros do futebol.

“Elencos repletos de jogadores estrelas tiveram um grande impacto no perfil global dos clubes e de ambas as ligas”, afirma a Deloitte, ao analisar o avanço saudita e da MLS. No caso dos Estados Unidos, o Mundial de 2026 funciona como vitrine e catalisador de audiência, patrocinadores e novos torcedores. “Para a MLS em particular, capitalizar essa oportunidade após a Copa do Mundo de 2026 pode ser a chave para conquistar um novo mercado de fãs de futebol nos Estados Unidos”, prossegue o relatório.

O Real Madrid entra nessa nova fase com vantagem confortável. A combinação de marca global consolidada, estádio modernizado e estratégia agressiva de licenciamento garante fôlego para seguir no topo da Money League, mesmo em anos sem títulos. A pergunta, agora, é por quanto tempo os europeus conseguem manter esse domínio diante da entrada de novos atores ricos em petróleo, dólares e ambição esportiva.

O Flamengo observa esse movimento a partir de um mercado ainda em transição. A criação de uma liga nacional forte, a renegociação coletiva de direitos de TV e o avanço de arenas multiuso podem redefinir o lugar dos clubes brasileiros nas próximas edições da Deloitte. Enquanto isso não acontece, o ranking de 2024-25 cristaliza uma fotografia clara: o Real Madrid transforma a própria camisa em máquina de fazer dinheiro, e o principal representante do Brasil ainda corre vários corpos atrás nessa corrida bilionária.

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