Flamengo faz oferta recorde para repatriar Lucas Paquetá em 2026
O Flamengo formaliza em janeiro de 2026 a maior proposta da história do futebol brasileiro para repatriar Lucas Paquetá do West Ham. O negócio, de 35 milhões de euros fixos mais 5 milhões em bônus, gira em torno de R$ 250 milhões. A pressão do próprio jogador empurra o acordo para uma reta final considerada otimista na Gávea.
Dinheiro recorde e pressão do jogador colocam Flamengo na frente
O pacote financeiro apresentado ao clube inglês coloca o Flamengo em um patamar inédito no mercado nacional. A diretoria rubro-negra oferece 35 milhões de euros, com outros 5 milhões atrelados a metas esportivas, e encara o movimento como um marco da sua capacidade de investimento em 2026. A operação, se confirmada, supera qualquer outra transação já feita por um clube brasileiro para contratar um jogador.
Lucas Paquetá, 28, é o grande fiador da negociação. O meio-campista comunica de forma clara à diretoria do West Ham que não deseja seguir na Inglaterra e que sua prioridade é voltar ao Flamengo. O pedido pesa em um momento de fragilidade do clube londrino, que faz campanha ruim na Premier League, está na zona de rebaixamento e vê o elenco abalado pela possibilidade de saída de seu principal líder técnico.
A direção do West Ham reage com surpresa à insistência do jogador, mas dá sinais positivos após receber a proposta oficial do Flamengo. O clube inglês trabalha inicialmente com a ideia de só liberar Paquetá por 45 milhões de euros, algo em torno de R$ 281 milhões. As reuniões, porém, reduzem a distância e aproximam as partes dos 40 milhões de euros colocados na mesa pelo time brasileiro, entre valores fixos e bônus.
Na Gávea, o clima é de quase celebração. Integrantes da diretoria e da comissão técnica tratam o acordo como bem encaminhado, embora evitem anúncio precoce. O diretor de futebol, o português José Boto, centraliza as conversas com o West Ham e transmite internamente a avaliação de que o desfecho pode sair ainda hoje, caso os últimos detalhes sejam fechados.
Paquetá mira Copa, reage a frustração na Europa e reencontra o clube de origem
A decisão de Paquetá tem forte componente esportivo e emocional. O meio-campista sabe que a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, entra em contagem regressiva. A má fase coletiva do West Ham e o ambiente de incerteza em Londres atrapalham sua avaliação pela comissão técnica da seleção brasileira. Com o time acumulando derrotas e jogando mal, fica mais difícil para Carlo Ancelotti medir o estágio atual do jogador.
O retorno ao Flamengo surge como atalho para retomar protagonismo e visibilidade em um cenário mais favorável. O clube carioca monta um elenco considerado um dos mais fortes do continente e oferece calendário cheio, com Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial de Clubes como vitrines permanentes. Paquetá vê nesse pacote a chance de chegar à Copa em ritmo alto, com papel central em um time competitivo.
A trajetória recente também pesa. O jogador passa dois anos sob investigação por suposto envolvimento em esquema de apostas, processo que nunca se comprova, mas deixa marcas. Durante esse período, ele perde a chance de se transferir ao Manchester City, em negociação desejada por Pep Guardiola. A frustração vira combustível para buscar um novo ciclo, agora perto da família, da torcida que o revelou e em um ambiente onde se sente protegido.
Paquetá está na Europa desde 2019. Sai do Flamengo direto para o Milan, em operação de 35 milhões de euros, na época cerca de R$ 218 milhões, após disputa com o Paris Saint-Germain. Em 2020, troca o clube italiano pelo Lyon, em negócio de 63 milhões de euros, pouco mais de R$ 394 milhões, novamente inflacionado pelo interesse do PSG. Dois anos depois, em 2022, vira a maior contratação da história do West Ham, que paga 60 milhões de euros, algo como R$ 375 milhões, para levá-lo à Premier League.
O meio-campista se torna rapidamente o principal nome da equipe inglesa, assume o protagonismo em campo e reforça sua posição na seleção, com participação na Copa do Mundo do Catar em 2022. O cenário muda com a sequência de investigações e com a temporada ruim atual do West Ham. A saída em direção ao Flamengo aparece, para o jogador, como compensação simbólica por um período em que se sente limitado por fatores externos ao desempenho.
No Rio, Filipe Luís acompanha a negociação de perto. O ex-lateral e agora técnico do Flamengo enxerga em Paquetá a peça que pode ampliar as variações táticas do time. Ele valoriza o fato de o jogador poder atuar como meia central, armador mais adiantado ou até aberto pelo lado, mantendo intensidade na marcação e criatividade no último terço do campo.
Impacto esportivo, poder econômico e recado ao mercado
A possível contratação envia um recado direto ao mercado do futebol. O Flamengo mostra que consegue competir financeiramente com clubes europeus de médio porte e lidera um movimento de valorização do futebol sul-americano. Ao investir R$ 250 milhões em um único jogador, o clube eleva a régua para rivais nacionais e pressiona concorrentes diretos que tentam se aproximar em receitas e ambição esportiva.
O investimento reforça a promessa feita pelo dirigente Luiz Eduardo Baptista, o Bap. “Em 2026, nós vamos gastar como nunca. Porque nós temos dinheiro”, afirma o cartola. A proposta por Paquetá materializa esse discurso e consolida uma estratégia que mistura superávit nas contas, aumento de arrecadação com bilheteria, sócio-torcedor, direitos de TV e contratos de patrocínio robustos.
O West Ham, por outro lado, encara a possível venda como dilema. A perda de seu principal meia em plena luta contra o rebaixamento pode enfraquecer o time em campo e agravar a crise esportiva. A quantia de até 40 milhões de euros, porém, representa oportunidade de recompor caixa, investir em reforços e redesenhar o elenco. A diretoria inglesa precisa equilibrar a insatisfação do jogador, a pressão da tabela e a lógica financeira.
No Brasil, o impacto imediato recai sobre os adversários do Flamengo. A chegada de Paquetá tende a aumentar a distância técnica em relação à maioria dos clubes da Série A. O rubro-negro amplia as opções no meio-campo, ganha mais capacidade de criação e finalização de média distância e sobe um degrau na disputa por títulos nacionais e internacionais. O movimento pode influenciar outros atletas da seleção que vivem momentos irregulares na Europa e começam a olhar com menos preconceito para um retorno ao país antes da Copa.
Próximos passos, bastidores e o que ainda pode travar o anúncio
O desfecho da negociação depende agora de detalhes contratuais, como formato de pagamento, metas para liberação dos bônus e tempo de vínculo entre Flamengo e Paquetá. A tendência é de um contrato longo, de quatro ou cinco anos, alinhado ao auge físico do jogador. A vontade do meia de vestir novamente a camisa rubro-negra pesa como trunfo em uma mesa em que os números já estão, em boa parte, equacionados.
A diretoria flamenguista evita confirmar prazos publicamente, mas internamente trabalha com a possibilidade de anúncio ainda nas próximas horas, caso o West Ham encaminhe a documentação final. O clube inglês tenta extrair o máximo possível em variáveis e bônus futuros, inclusive ligados a metas na seleção e à revenda do jogador. Um impasse em qualquer um desses pontos pode adiar a conclusão do acordo.
A negociação, de qualquer forma, já redesenha o tabuleiro do futebol brasileiro em 2026. O Flamengo testa o limite do próprio poder de fogo e desafia a lógica segundo a qual a Europa é sempre o destino final dos principais talentos do país. Paquetá escolhe voltar no auge, não na reta final da carreira, e transforma seu futuro em peça central de um debate maior: até onde os clubes brasileiros conseguem ir para manter e repatriar seus protagonistas.
