Gabigol reencontra Corinthians em clássico carregado por pênalti e flerte
Gabigol reencontra o Corinthians nesta quinta-feira (22), pela Copa do Brasil, em um clássico que mistura flerte de mercado, pênalti perdido e recomeço no Santos. O atacante volta a enfrentar o clube que quase o contratou e que encerrou sua passagem pelo Cruzeiro com uma cobrança decisiva desperdiçada.
Clássico em 2026 reacende capítulo recente
O duelo entre Santos e Corinthians, em solo paulista, ganha peso que vai além da vaga na próxima fase. Pouco mais de dois meses separam o jogo desta quinta da semifinal da Copa do Brasil de 2025, quando o Corinthians eliminou o Cruzeiro nos pênaltis. Naquela noite de dezembro, Gabriel Barbosa erra a quinta cobrança celeste, vê o goleiro Hugo Souza defender o chute e abre caminho para a classificação corintiana nas penalidades alternadas.
O lance encerra uma passagem discreta de menos de um ano em Belo Horizonte. O atacante termina a temporada de 2025 como reserva em boa parte do calendário, sem repetir o protagonismo dos tempos de Flamengo e das primeiras passagens pelo Santos. O Corinthians aproveita o momento e, depois da classificação, confirma o título da Copa do Brasil na final contra o Vasco, resultado que reforça ainda mais o peso daquele erro para a carreira recente de Gabigol.
Do flerte com o Corinthians à ruptura com o Flamengo
O reencontro desta quinta também carrega a memória de uma negociação que nunca sai do papel, mas altera a trajetória do atacante. Em 2024, o Corinthians elege Gabigol como prioridade de mercado. O então presidente Augusto Melo transforma o nome do jogador em obsessão, coloca o staff do atleta no centro das conversas do clube e alimenta a expectativa de um acordo. As tratativas, porém, não avançam para proposta formal, esbarram em custos elevados e resistências internas.
O bastidor ganha as arquibancadas quando vaza, em menos de seis meses, uma foto de Gabigol vestindo a camisa do Corinthians. A imagem circula em redes sociais, cai em programas esportivos e provoca desgaste imediato no Flamengo, que ainda detém seus direitos. A diretoria rubro-negra reage, retira a camisa 10 do atacante e o rebaixa à camisa 99. A mudança simbólica expõe a ruptura: a relação com a torcida se desgasta, o ambiente no Ninho do Urubu azeda e o ciclo que parecia consolidado desde 2019 começa a ruir.
A foto com o uniforme alvinegro, associada ao flerte publicamente assumido com o Corinthians, marca um ponto de não retorno. Nos meses seguintes, o jogador perde espaço em campo, vê a diretoria procurar alternativas no mercado e, ao fim de 2024, se torna peça negociável. A saída para o Cruzeiro, em 2025, aparece como oportunidade de reconstrução esportiva, mas não entrega o impacto esperado.
Recomeço no Santos em meio a cobranças
O retorno ao Santos em 2026 recoloca Gabigol no cenário onde ele constrói parte mais luminosa da carreira. O clube o apresenta como reforço de peso logo no início do ano, com contrato pensado para ser pilar do ataque. Na estreia, diante do Novorizontino, na Vila Belmiro, o roteiro parece ideal: gol logo no primeiro jogo oficial e clima de reencontro positivo com a torcida santista.
A sequência, porém, cobra o corpo. Com dores, o atacante começa no banco no clássico contra o Palmeiras, pela segunda rodada do estadual, entra no segundo tempo e tem atuação discreta na derrota por 1 a 0, na Arena Barueri. Dias depois, uma tendinite o afasta até mesmo da lista de relacionados contra o Guarani, em Campinas. O Santos decide preservá-lo, de olho justamente na sequência pesada que inclui o Corinthians pela Copa do Brasil.
Os últimos treinos no CT Rei Pelé recolocam o camisa santista em campo. Recuperado da tendinite, ele trabalha normalmente com o elenco e se apresenta como opção para o técnico Juan Pablo Vojvoda. A comissão técnica acompanha de perto a resposta física e projeta participação importante no clássico, ainda que evite cravar se ele inicia a partida entre os titulares.
Pressão esportiva e narrativa em jogo
A noite desta quinta envolve mais do que um simples reencontro entre jogador e ex-adversário. O Corinthians encara o retorno de um velho alvo, que esteve a poucos telefonemas de vestir oficialmente a camisa alvinegra em 2024. O Santos deposita em Gabigol a esperança de um protagonista capaz de decidir mata-matas e reaproximar o clube de disputas nacionais relevantes em 2026. A torcida olha para o histórico recente do atacante em decisões e testa a paciência com cada movimento em campo.
O roteiro oferece ao jogador uma chance rara de reescrever a própria narrativa em menos de um ano. A eliminação com o Cruzeiro, consumada nos pênaltis diante do Corinthians, ainda está fresca na memória do torcedor brasileiro. Uma atuação decisiva agora, pelo Santos, contra o mesmo rival e na mesma competição, pode reposicionar a imagem de Gabigol no mercado e dentro do próprio elenco. Um novo erro em momento-chave, ao contrário, tende a alimentar o rótulo de personagem marcado por capítulos recentes de frustração.
Do lado corintiano, o clássico também carrega implicações de bastidor. A gestão que sonha com o atacante em 2024 já não está mais à frente do clube, mas parte da torcida lembra do episódio da foto como quase traição ao Flamengo e demonstra curiosidade em observar a resposta de campo. O departamento de futebol monitora o rendimento do jogador desde o retorno ao Santos, atento ao impacto que uma atuação de alto nível pode ter em futuras janelas de transferência.
O que está em jogo a partir desta quinta
O encontro entre Gabigol e Corinthians se desenha como ponto de inflexão em uma temporada que ainda engatinha. O Santos tenta usar o jogo como vitrine para um projeto esportivo que devolva estabilidade ao clube, hoje pressionado por resultados e por finanças limitadas. O Corinthians entra em campo defendendo o status de atual campeão da Copa do Brasil, conquistado em 2025, e ciente de que qualquer deslize em mata-mata amplia cobranças internas.
O desempenho do atacante ao longo dos 90 minutos, ou mais, tende a influenciar não apenas sua relação com a torcida santista, mas também seu peso em futuras conversas de mercado. Um clássico decisivo, em 22 de janeiro de 2026, coloca em campo memórias de uma foto vazada em 2024, uma ruptura com o Flamengo, um título do Corinthians em 2025 e um pênalti perdido que ainda ecoa. A pergunta que se impõe é se, desta vez, Gabigol consegue trocar o peso da lembrança pela chance concreta de virar a página em grande estilo.
