Ônibus de turismo capota na BR-251 em MG e mata cinco, entre eles um bebê
Um ônibus de turismo que seguia de Arapiraca (AL) para Itapema (SC) capota na noite desta quarta-feira (21/1), na BR-251, em Francisco Sá (MG). O acidente, na altura do km 474, mata cinco pessoas, entre elas um bebê, e fere outras 43, nove em estado grave.
Resgate em madrugada de tensão no Norte de Minas
A rodovia que corta o Norte de Minas vira cenário de corrida contra o tempo por volta de 22h30. O ônibus tomba às margens da pista, na zona rural de Francisco Sá, e deixa dezenas de passageiros presos entre ferros retorcidos, bagagens e bancos arrancados.
Equipes do Corpo de Bombeiros, do Samu, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Civil são mobilizadas logo após os primeiros chamados. Os bombeiros enviam três viaturas e nove militares para o trecho conhecido pela combinação de grande fluxo de veículos pesados, pista simples e histórico de acidentes graves.
Ao chegar ao local, socorristas iniciam a triagem ainda no acostamento estreito da BR-251. A prioridade recai sobre os feridos em estado mais crítico, com múltiplos traumas e risco imediato de morte. Parte das vítimas consegue sair por conta própria; outras permanecem encarceradas no interior do veículo tombado.
Uma criança de colo está entre os mortos, o que aumenta a comoção entre moradores da região e equipes de resgate. “É uma ocorrência que choca todo mundo, pelo número de vítimas e pela presença de um bebê entre os mortos”, relata um militar que atua na operação. Os corpos das cinco vítimas são localizados entre o interior do ônibus e a área de vegetação às margens da pista.
Trecho perigoso volta ao centro do debate
A BR-251 acumula um histórico de tragédias no Norte de Minas e volta a ser alvo de críticas. Menos de dois anos antes, um caminhoneiro morre ao capotar em um ponto considerado crítico da mesma rodovia. A combinação de pista simples, curvas, tráfego intenso de cargas e manutenção irregular transforma o trecho em pesadelo para motoristas.
Desta vez, o ônibus de turismo sai de Arapiraca, no agreste de Alagoas, com destino ao litoral catarinense. A viagem, que corta boa parte do país, é interrompida em um ponto sem iluminação adequada, cercado por vegetação e com espaço limitado para manobras de emergência. As causas exatas do tombamento ainda não são informadas pelas autoridades.
Enquanto bombeiros e socorristas fazem o atendimento pré-hospitalar no acostamento, ambulâncias se revezam no transporte das vítimas. Os feridos são encaminhados para hospitais de Francisco Sá e de Montes Claros, a principal referência em atendimento de média e alta complexidade na região. Os nove pacientes em estado grave seguem para unidades com estrutura de UTI.
Depois do resgate, a Polícia Civil inicia a perícia no local. Peritos registram posição final do veículo, marcas de frenagem na pista, danos na carroceria e condições gerais da rodovia. “Essas informações vão ajudar a esclarecer se houve falha mecânica, excesso de velocidade ou outro fator que tenha contribuído para o acidente”, explica um policial envolvido na investigação.
Rodovia fica fechada por seis horas e tragédia expõe rotina de risco
O tombamento interrompe o fluxo de veículos na BR-251 por cerca de seis horas. A PRF assume o controle do tráfego, fecha o trecho para a passagem de carros e caminhões e orienta motoristas a buscar rotas alternativas, muitas delas por estradas vicinais de terra e sem sinalização correta.
Somente após o fim da perícia e o destombamento do ônibus, os bombeiros conseguem retirar três corpos que permanecem presos sob a estrutura do veículo. O trabalho exige cuidado extra para não provocar novos desabamentos de partes da lataria e envolve o uso de equipamentos de corte e içamento.
A tragédia acende novo alerta sobre a segurança no transporte rodoviário de passageiros e sobre a situação da BR-251, que se consolida como uma das rodovias mais temidas do Norte de Minas. Moradores, caminhoneiros e usuários frequentes cobram há anos duplicação de trechos, melhoria do asfalto, instalação de defensas metálicas e reforço na sinalização.
Especialistas em trânsito lembram que a combinação de longas distâncias, jornadas exaustivas de motoristas, chuva e pista simples costuma aparecer como fator comum nos grandes acidentes. No caso de ônibus de turismo, a pressão econômica leva empresas a manter rotas extensas, com poucas paradas e margens de lucro apertadas, o que pode impactar manutenção e renovação da frota.
Investigação em andamento e expectativa por respostas
Enquanto familiares de passageiros procuram por informações em hospitais de Francisco Sá e Montes Claros, a Polícia Civil aprofunda a apuração das causas do acidente. O laudo pericial deve apontar, nas próximas semanas, se houve falha mecânica, erro humano, problema na infraestrutura da via ou combinação desses fatores.
A empresa responsável pelo ônibus ainda precisa detalhar as condições do veículo, o tempo de viagem do motorista e o cumprimento das regras de descanso previstas em lei. Órgãos de fiscalização podem abrir processos administrativos, que vão de advertência a multas e suspensão de rotas, a depender do que a investigação comprovar.
Os próximos dias devem trazer atualizações sobre o estado de saúde dos nove feridos graves, que seguem internados. Cada boletim médico ajuda a dimensionar o alcance definitivo da tragédia, que já deixa cinco mortos e dezenas de famílias em choque em pelo menos três estados.
A BR-251 permanece como rota estratégica para o escoamento de cargas e para o transporte de passageiros entre o Nordeste e o Sudeste, o que torna ainda mais urgente a discussão sobre investimentos, fiscalização e tecnologia de segurança. Sem respostas claras e medidas concretas, a pergunta que ecoa entre quem depende da estrada é direta: por quanto tempo mais a rodovia vai seguir associada a cenas de devastação como a desta noite?
