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Valentim minimiza discussão com Sampaoli e exalta América líder

Alberto Valentim minimiza a discussão com Jorge Sampaoli e prefere destacar o desempenho do América no empate por 1 a 1 com o Atlético, nesta quarta-feira (21), no Independência. O técnico vê o clássico como um ponto ganho, reforça a liderança alviverde no Campeonato Mineiro e valoriza a postura da equipe em um jogo de poucos riscos defensivos.

Clássico quente em campo, discurso frio fora dele

O Clássico das Multidões oferece todos os ingredientes de sempre: estádio cheio em Belo Horizonte, disputa direta por liderança de grupo e tensão à beira do gramado. No meio do segundo tempo, uma discussão entre os treinadores movimenta a área técnica e chama a atenção das câmeras. Minutos depois, na zona mista, Valentim esvazia o tema com poucas palavras e muda o foco para o que acontece com a bola rolando.

“Não tenho nada para falar, coisa de jogo”, resume, sem entrar em detalhes sobre o bate-boca com Sampaoli. A escolha não é casual. Invicto em 2026 e líder do Grupo B com 8 pontos, o América se apoia em resultados consistentes para consolidar um início de temporada que foge ao estereótipo de coadjuvante. A estratégia do técnico é clara: em vez de alimentar a polêmica com o rival, ele reforça a imagem de um time competitivo, disciplinado e centrado em metas esportivas.

Empate com sabor de afirmação para o América

O roteiro do clássico reforça o discurso. O América sai na frente, mantém o jogo controlado por longos períodos e sofre pouco na defesa, mesmo diante de um Atlético que passa boa parte da noite com a bola. Valentim descreve uma equipe que executa o plano de jogo com fidelidade, alternando posse e velocidade nas transições.

“Gostei do time. Saímos na frente do placar, bem equilibrado, procurando jogar quando dava para jogar”, explica. O treinador detalha que o América alterna o jogo apoiado com ataques em profundidade, algo ensaiado nos treinos e adequado ao elenco atual. “Alternamos um pouco o jogo de posse com o de profundidade, que nós tínhamos treinado e respeitando as características dos nossos jogadores”, acrescenta.

Do outro lado, o Atlético tenta se impor tecnicamente, ocupa o campo ofensivo, mas esbarra na organização defensiva americana. Valentim insiste que a superioridade territorial do rival não se transforma em perigo real. “Um jogo que o Atlético veio, é lógico, um time de qualidade, procurando fazer a fase ofensiva, mas sem ter muito perigo. Não lembro de uma chance clara para eles de gol”, afirma.

O América, ao contrário, empilha oportunidades pontuais, mas contundentes. Duas bolas explodem na trave, uma delas já nos minutos finais, e alimentam a sensação de que a vitória podia ter vindo. “Nós tivemos, sim, duas chances importantes. A última, quase no final, com uma bola na trave de novo. Já tínhamos uma outra bola na trave também”, recorda o treinador. O empate, na leitura dele, não frustra: “É um ponto ganho, contra um adversário muito forte”.

A análise vem acompanhada de um recado direto ao elenco. Valentim faz questão de dividir o resultado com os jogadores e transforma o clássico em ferramenta de fortalecimento interno. “Gostei muito. Dou parabéns aos atletas pela entrega e pelo resultado”, completa, ainda no gramado do Independência, pouco depois do apito final.

Liderança, invencibilidade e disputa de forças em Minas

O empate mantém o América na liderança do Grupo B, agora com 8 pontos conquistados nas quatro primeiras rodadas. A invencibilidade no ano se estende e o time se firma como protagonista de um Campeonato Mineiro que, historicamente, concentra as atenções em Atlético e Cruzeiro. Nesta quarta, os dois concorrentes diretos do Coelho na chave perdem em casa e desperdiçam a chance de ultrapassar o líder, o que amplia o peso do ponto somado no clássico.

O desempenho recente no Independência também sustenta a confiança. A equipe amplia a sequência invicta no estádio, transforma o caldeirão do Horto em ativo competitivo e cria um ambiente hostil para quem visita Belo Horizonte. Em paralelo, a atuação sólida diante de um elenco mais caro e mais badalado fortalece a relação com a torcida alviverde, que vê no time de Valentim um projeto que mira algo além da sobrevivência no Estadual.

Nos bastidores, a escolha do técnico por evitar a escalada da polêmica com Sampaoli repercute como sinal de maturidade. Em um cenário em que discussões de área técnica costumam dominar as redes sociais e programas de debate, o treinador prefere não alimentar o ciclo de críticas e provocações. A postura ajuda a manter o vestiário blindado e preserva a narrativa de um América que fala mais com desempenho do que com declarações inflamadas.

A resposta também reduz o espaço para conflitos entre comissões técnicas nos próximos encontros da temporada. Com o Campeonato Mineiro em formato curto e fases decisivas já no primeiro semestre, qualquer faísca pode ganhar proporções maiores do que o jogo em campo sugere. Ao tratar o episódio como “coisa de jogo”, Valentim sinaliza que não pretende levar o desentendimento adiante.

Próximo desafio e teste para manter o embalo

A agenda do América agora aponta para o interior do estado. No sábado (24), às 20h30 (de Brasília), o time visita o Uberlândia no Parque do Sabiá, em mais um jogo que vale liderança e confiança. A partida oferece um cenário diferente do clássico: gramado pesado, viagem, torcida adversária menos numerosa, mas pressão pela manutenção da campanha invicta.

O comportamento da equipe fora de casa se torna ponto de observação para torcedores e dirigentes. Se repetir a segurança defensiva mostrada diante do Atlético e transformar as chances criadas em gols, o América pode chegar à metade da fase de grupos com vantagem confortável na tabela. Em um estadual que se afunila rapidamente, cada ponto conquistado em janeiro pesa na hora de definir mando de campo e cruzamentos nas fases finais.

O clássico desta quarta deixa, portanto, duas mensagens paralelas. Dentro de campo, o América mostra que pode competir de igual para igual com um dos elencos mais fortes do país e sustenta a liderança do Grupo B com 8 pontos. Fora dele, Alberto Valentim escolhe o caminho da contenção, esvazia a briga com Jorge Sampaoli e concentra o discurso no rendimento da equipe. A temporada ainda engatinha, mas o equilíbrio entre intensidade no jogo e sobriedade nas entrevistas ajuda a desenhar qual América o torcedor pode esperar nos próximos meses.

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