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Expulsão de Cauan Barros abre caminho para vitória do Flamengo

A expulsão direta de Cauan Barros aos quatro minutos do segundo tempo muda o rumo do clássico no Maracanã e abre espaço para a vitória do Flamengo sobre o Vasco, nesta quarta-feira (21), pela 3ª rodada do Campeonato Carioca. O lance duro sobre o colombiano Carrascal, sem disputa de bola, recebe aval do especialista de arbitragem da TV e acende o debate entre torcedores.

Cartão vermelho cedo e clássico virado do avesso

O Maracanã recebe mais um Flamengo x Vasco carregado de tensão, mas o equilíbrio dura pouco. Aos quatro minutos da etapa final, em uma transição ofensiva do Flamengo, o volante vascaíno Cauan Barros, camisa 88, acerta a sola da chuteira na panturrilha de Carrascal em lance sem bola. O árbitro Bruno Arleu de Araújo vê a jogada frontalmente, apita a falta na hora e mostra o cartão vermelho direto, sem sequer recorrer a revisão em vídeo.

A decisão provoca reação imediata nas arquibancadas, divididas entre aplausos e vaias. Dentro de campo, o Vasco tenta reorganizar o meio, mas perde o fôlego. O Flamengo, que já buscava controlar a posse de bola desde o início, passa a empurrar o rival para o próprio campo e a rondar a área de Léo Jardim com frequência crescente. A diferença numérica transforma o clássico em ataque contra defesa.

Na transmissão da TV Globo, o lance vira tema central. O comentarista de arbitragem Paulo César de Oliveira analisa a jogada e não vê exagero na decisão de Bruno Arleu. “Nosso especialista de arbitragem Paulo César de Oliveira concordou com a marcação da arbitragem. Expulsão correta”, relata ao vivo o narrador Gustavo Villani, dando respaldo público à escolha do juiz ainda com a bola rolando.

Flamengo pressiona, Carrascal decide e tabela se mexe

Com um jogador a menos desde o início do segundo tempo, o Vasco recua de vez. As investidas em contra-ataque, que no primeiro tempo ainda assustam a defesa rubro-negra, praticamente desaparecem. O Flamengo passa a dominar o meio-campo, ocupa o campo ofensivo e transforma a posse em volume de finalizações. A cada minuto, a sensação é de que o gol é questão de tempo.

Aos 23 minutos, a pressão finalmente se converte em vantagem. Após cruzamento da direita, a defesa vascaína afasta mal, a bola sobra na entrada da área e Carrascal aparece livre. O colombiano ajeita de primeira e finaliza rasteiro, com precisão, no canto direito de Léo Jardim. O goleiro se estica, mas não alcança. O 1 a 0 premia o domínio rubro-negro no segundo tempo e coroa o personagem central da noite, envolvido tanto na falta que origina o vermelho quanto no gol que decide o clássico.

O resultado tem efeito direto na tabela. O Flamengo, que entra em campo pressionado, com apenas 1 ponto somado, chega a 4 pontos em três jogos e salta da sexta para a terceira colocação do Grupo B do Carioca. A equipe volta a enxergar com clareza a disputa por vaga na fase eliminatória e se afasta, ao menos momentaneamente, do risco de um início de temporada constrangedor. O Vasco, que também soma 4 pontos em sua chave, deixa o gramado com a sensação de desperdício e a necessidade de reação imediata nas próximas rodadas.

Fora das quatro linhas, o clássico alimenta outras narrativas. A atuação de nomes jovens e a sucessão de chances perdidas por jogadores vascaínos rendem críticas nas redes sociais. Lances claros desperdiçados, sobretudo ainda em igualdade numérica, viram memes e combustível para rivais. Entre flamenguistas, a insatisfação recente dá lugar a alívio e confiança renovada depois de um começo irregular no Estadual.

Arbitragem em foco, redes em ebulição e próximos capítulos

A expulsão de Cauan Barros se torna rapidamente o principal assunto do jogo. Torcedores vascaínos questionam a rigidez da punição, lembram decisões antigas em clássicos e se agarram ao argumento de que o contato não mira a bola. Flamenguistas, por sua vez, enxergam no lance a aplicação literal da regra para jogadas com sola, acima da linha do tornozelo, e usam a chancela de Paulo César de Oliveira como prova de que não há favorecimento.

O aval público do ex-árbitro, em rede nacional, reforça a autoridade da equipe de arbitragem no próprio campeonato. Em um cenário em que cada cartão vira alvo de recorte e repetição em vídeo, essa validação técnica em tempo real funciona como espécie de escudo preventivo diante de eventuais reclamações oficiais. A presença de especialistas na transmissão, antes vista só como complemento, ganha status de peça central na construção de confiança do torcedor na lisura do torneio.

O desfecho do clássico também pesa no vestiário. No lado vascaíno, Cauan Barros passa a encarar pressão direta da torcida, que cobra mais controle em jogos grandes. A expulsão, logo aos 4 minutos da etapa final, é tratada como ponto de inflexão de uma partida que ainda parecia aberta. No Flamengo, a atuação sólida com um jogador a mais é lida internamente como resposta obrigatória, mas o desempenho de Carrascal em jogo grande aumenta a expectativa sobre seu protagonismo na temporada.

O calendário não oferece muito tempo para digestão. O Flamengo volta ao Maracanã em busca de nova vitória e de sequência para consolidar a recuperação na tabela do Grupo B. O Vasco precisa reorganizar o sistema defensivo, blindar Cauan Barros da maré negativa e encontrar alternativas ofensivas que não dependam apenas de contra-ataques esporádicos. A pergunta que fica, mais do que o placar de um 1 a 0, é se o clássico marca só um tropeço isolado ou o início de uma mudança de rota para cada lado neste início de 2026.

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