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Cruzeiro vira duas vezes sobre o Grêmio e vai à final da Copinha

O Cruzeiro vira duas vezes sobre o Grêmio, vence por 3 a 2 nesta quarta-feira (21), em Taubaté, e garante vaga na final da Copinha 2026. A classificação coloca a equipe celeste a um jogo do bicampeonato da Copa São Paulo de Futebol Júnior, competição que o clube conquista pela primeira vez em 2007.

Virada em jogo aberto e de alta tensão

O Estádio Joaquim de Moraes Filho, em Taubaté, recebe uma semifinal que mistura drama e afirmação de projeto. Cruzeiro e Grêmio chegam ao confronto como símbolos de duas escolas de base tradicionais, sob olhares atentos de dirigentes, empresários e torcedores em busca de novos nomes. Em 90 minutos de jogo aberto, o time mineiro sofre, reage e transforma um placar adverso em afirmação de força mental.

O roteiro começa acelerado. Aos cinco minutos, Harlley aproveita espaço na entrada da área e finaliza rasteiro para abrir o placar para o Grêmio. O gol dá ao time gaúcho a sensação de controle, mas a vantagem dura pouco. Aos nove, Baptistella chuta forte, acerta a trave e vê a bola quicar perto da linha. O goleiro tricolor salva no rebote, mas o árbitro aponta que a bola ultrapassa o limite. O lance gera reclamação intensa dos gremistas, enquanto o Cruzeiro comemora o empate que recoloca a equipe no jogo.

O Grêmio retoma a dianteira ainda no primeiro tempo. Aos 27, em contra-ataque bem construído, João Borne acelera pelo meio e encontra Harlley livre. O atacante escolhe o canto, bate colocado e faz 2 a 1. A vantagem reorganiza o time gaúcho, que fecha espaços e empurra o Cruzeiro para um ataque mais apressado e previsível. A Raposa ocupa o campo ofensivo, tenta cruzamentos, insiste em jogadas de velocidade, mas vai para o intervalo em desvantagem.

A etapa final nasce mais travada. O Grêmio baixa linhas, protege a frente da área e tenta esfriar o ritmo. O Cruzeiro, que precisa de ao menos um gol, circula a bola com paciência, reduz o número de erros e começa a acumular volume de jogo. A recompensa chega aos 29 minutos. Em bola afastada pela defesa tricolor, Eduardo Pape fica com a sobra e arrisca de fora da área. O chute sai firme, no cantinho, e empata a semifinal em 2 a 2, reacendendo o time e a torcida mineira no interior paulista.

O gol transforma o ambiente. A partir dali, o Cruzeiro joga com confiança e passa a rondar a área gremista em ondas sucessivas. Aos 36, Murilo avança pela direita e cruza na direção da área. A bola atravessa todo mundo, não encontra desvio e entra direto, surpreendendo goleiro e zaga. A virada por 3 a 2 premia a insistência celeste e expõe a queda física e emocional do Grêmio na reta final.

O time gaúcho tenta reagir, adianta as linhas e se lança ao ataque nos minutos finais, mas encontra um Cruzeiro mais maduro na gestão do resultado. Nos acréscimos, a situação gremista piora. O zagueiro Nathan é expulso aos 46 minutos, em lance que encerra qualquer possibilidade real de nova reação tricolor. A Raposa administra a vantagem até o apito final e confirma presença na decisão da edição de 2026 da Copinha.

Força da base celeste e impacto esportivo

A virada em Taubaté funciona como vitrine do momento da base cruzeirense. Depois de anos de turbulência financeira e esportiva no profissional, o clube aposta na formação como eixo de reconstrução. A campanha na Copa São Paulo de Futebol Júnior, coroada com a vaga na final, oferece ao clube um ativo concreto: um grupo de jovens que mostra capacidade de competir sob pressão e virar jogos decisivos em cenário nacional.

Aos olhos da diretoria, o 3 a 2 sobre o Grêmio reforça a ideia de que o Cruzeiro volta a ser um formador relevante, capaz de produzir jogadores prontos para, em pouco tempo, abastecer o elenco principal ou gerar receita no mercado. Em campo, o comportamento do time na semifinal chama atenção. Mesmo duas vezes atrás no placar, os garotos evitam o desespero, mantêm o plano de jogo e aumentam a pressão ofensiva de forma gradual, sem se desorganizar completamente.

O resultado também impacta o outro lado. O Grêmio, tradicional potência de base, deixa a competição um degrau antes da decisão, mas mostra mais um atleta em ascensão. Harlley, autor dos dois gols tricolores na noite, confirma o status de principal referência ofensiva do time gaúcho no torneio. A eliminação, porém, representa frustração para um clube que costuma usar a Copinha como laboratório e vitrine para o elenco profissional ao longo da temporada.

Para o torcedor cruzeirense, a classificação alimenta uma narrativa de retomada. O último título da Copinha vem em 2007, quando o clube conquista o torneio e consolida uma geração que depois rende nomes importantes no cenário nacional. Quase duas décadas depois, a presença em mais uma final reforça a ideia de um ciclo que se renova. A possibilidade de bicampeonato em 2026 se torna símbolo de um projeto que tenta se afastar dos anos de crise recente.

O impacto se projeta além das quatro linhas. Em meio à inflação do mercado de transferências e à dificuldade de clubes médios e grandes em contratar sem risco financeiro elevado, a base ganha relevância estratégica. A performance na Copinha, principal competição sub-20 do país, pesa em futuras negociações. Jovens que se destacam em jogos como o desta quarta-feira chegam mais valorizados às conversas com empresários e clubes do exterior, o que pode representar receita importante já em 2026.

Final em aberto e próximos capítulos da Copinha

A vitória em Taubaté transforma o Cruzeiro no primeiro finalista confirmado da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2026. O adversário sai do duelo entre São Paulo e Ibrachina, que se enfrentam nesta quinta-feira (22), às 21h30, no Morumbis. A decisão, em data a ser confirmada pela Federação Paulista de Futebol, mantém a tradição de encerrar o torneio em janeiro, na esteira do aniversário da capital paulista.

Independentemente do rival, o cenário da final projeta um teste diferente para o time celeste. Contra o São Paulo, se o tricolor avançar, o Cruzeiro mediria forças com outra camisa pesada, dona de histórico profundo na formação de atletas. Diante do Ibrachina, caso a surpresa se confirme, enfrentaria um projeto mais recente, apoiado em estrutura privada e foco em vitrine. Em ambos os casos, o jogo vale mais do que o troféu: define quem lidera, em 2026, a conversa sobre qual base se impõe no maior torneio sub-20 do Brasil.

Enquanto aguarda a definição do adversário, o Cruzeiro administra desgaste físico e emocional após um confronto intenso, de virada dupla e tensão até o fim. A comissão técnica terá pouco tempo para recuperar jogadores, ajustar detalhes defensivos e refinar a transição ofensiva que decide o duelo contra o Grêmio. Do outro lado, torcedores e dirigentes observam com atenção o comportamento dessa geração em seu primeiro grande palco nacional. A final da Copinha de 2026 não põe em jogo apenas um título, mas a resposta a uma pergunta central: até onde essa safra celeste pode levar o clube nos próximos anos?

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