Calleri faz dois gols, mas São Paulo perde da Portuguesa no Morumbi
Calleri marca dois gols, mas o São Paulo é derrotado pela Portuguesa na noite desta quarta-feira (21), no Morumbi, e acumula a segunda queda seguida no Campeonato Paulista. O resultado aumenta a pressão sobre o elenco e expõe a instabilidade interna do clube neste início de temporada.
Morumbi vê contraste entre protagonismo de Calleri e crise coletiva
O Morumbi presencia um roteiro conhecido do torcedor são-paulino: um protagonista em alta, um time em queda e um clima de desconfiança crescente. Calleri cumpre seu papel de referência ofensiva, balança a rede duas vezes e mantém o São Paulo vivo no jogo até os minutos finais. A Portuguesa, mais organizada, se impõe nos momentos decisivos, controla a vantagem e sai de campo com a liderança do grupo preservada.
A noite termina com clima pesado. A derrota, a segunda em sequência no Estadual, chega logo na primeira quinzena de competição e acende o sinal de alerta. O time que mira ao menos uma semifinal de Paulistão começa 2026 pressionado, ainda em janeiro, diante de quase 40 mil torcedores que deixam o estádio com vaias, dúvidas e pouca paciência para discursos de reconstrução.
Falhas coletivas anulam brilho individual e expõem instabilidade
O jogo traduz em campo a instabilidade que ronda o clube. Calleri abre espaço entre os zagueiros, incomoda a defesa rival e aproveita as poucas bolas limpas que recebe. Os dois gols reforçam o papel do argentino como peça central do ataque, mas escancaram, por contraste, a dificuldade de criação do meio-campo e a fragilidade defensiva. A cada erro de posicionamento, a Portuguesa encontra espaço para contra-atacar e explorar a insegurança são-paulina.
A sequência de tropeços pesa também nos bastidores. A renúncia recente de um membro importante da estrutura de futebol, confirmada nos corredores do Morumbi, ajuda a explicar o ambiente tenso. O elenco sente o impacto de mudanças políticas e técnicas, enquanto o treinador lida com cobranças públicas e internas por respostas rápidas. “Não dá para perder dois jogos seguidos em casa e achar normal”, dispara um dirigente, em conversa reservada, refletindo a irritação pela queda de rendimento.
A Portuguesa aproveita o cenário com maturidade. Mantém a marcação compacta, reduz os espaços entre as linhas e força o São Paulo a cruzamentos previsíveis. Quando precisa, baixa a linha, desacelera o jogo e administra a vantagem. O controle emocional da equipe visitante contrasta com a ansiedade tricolor, que se traduz em passes precipitados, espaços generosos na defesa e uma sensação permanente de que o time joga contra o relógio e contra si mesmo.
O histórico recente amplia a frustração. Depois de iniciar o ano com expectativa de brigar pelo título estadual e usar o torneio como plataforma para a temporada, o São Paulo chega a 21 de janeiro com duas derrotas consecutivas e desempenho irregular. A pontuação ainda permite recuperação, mas a margem de erro diminui rodada a rodada, sobretudo em um campeonato curto, com fase de grupos enxuta e classificação definida em datas apertadas.
Pressão cresce sobre elenco e diretoria em início de temporada
A derrota no Morumbi tem efeitos imediatos e concretos. Na tabela, o São Paulo se vê em situação delicada, mais próximo da disputa pela sobrevivência no grupo do que da liderança. Na prática, cada ponto perdido agora pode custar vaga no mata-mata, que começa já na segunda quinzena de março, encurtando o tempo para ajustes táticos e reforços pontuais no elenco.
O impacto emocional também é significativo. O vestiário sente o peso de um início de ano turbulento, enquanto a torcida cobra explicações claras sobre o planejamento. A comunicação do clube se organiza para reduzir o desgaste, com entrevistas planejadas, discursos alinhados e a tentativa de reforçar a narrativa de que o time ainda está em formação. Nos bastidores, dirigentes discutem a necessidade de acelerar contratações e redefinir prioridades, inclusive revendo prazos para a chegada de reforços que antes eram tratados como secundários.
O protagonismo de Calleri, com dois gols em 90 minutos, vira argumento tanto para críticas quanto para defesas internas. De um lado, reforça a tese de que o elenco depende demais de soluções individuais. De outro, sustenta a ideia de que, com pequenos ajustes de posicionamento e maior equilíbrio defensivo, o time tem condições de reagir rapidamente. “Não podemos jogar tudo fora por duas derrotas, mas precisamos responder já no próximo jogo”, admite um membro da comissão técnica, em tom de cobrança interna.
Os próximos compromissos pelo Paulista ganham peso de decisão precoce. Cada rodada passa a ser tratada como teste imediato da capacidade de reação do elenco e da comissão técnica. Uma nova derrota pode transformar desconfiança em crise aberta, com reflexos diretos na relação com a torcida, na pressão sobre a diretoria e na própria dinâmica do mercado de contratações.
Reação urgente e ajustes em campo definem rumo do São Paulo
O São Paulo volta a campo nos próximos dias já sob cobrança intensa. A meta imediata é simples e decisiva: interromper a sequência negativa, recuperar confiança e voltar à zona de classificação. Isso passa por correções visíveis, como a compactação defensiva, a proteção à zaga e a criação de alternativas ofensivas que não dependam apenas de cruzamentos e da força de Calleri dentro da área.
A direção de futebol também precisa dar respostas. A renúncia recente, somada ao começo irregular no Paulista, obriga o clube a apresentar um plano claro para as próximas semanas, com metas objetivas e calendário de reforços. O comportamento do time no próximo jogo vai indicar se a derrota para a Portuguesa funciona como ponto de inflexão ou como capítulo a mais em uma sequência de frustrações. Entre a pressão das arquibancadas e as disputas de bastidor, o São Paulo inicia 2026 dividido entre o risco de se complicar cedo demais e a oportunidade de usar o alerta do Paulistão para reorganizar o ano ainda em janeiro.
