Ondas gigantes invadem restaurante em Catania durante ciclone na Sicília
Ondas gigantes avançam pelo calçadão, invadem um restaurante à beira-mar e arrastam mesas e cadeiras em Catania, na Sicília, na tarde de 21 de janeiro de 2026. As imagens, registradas em vídeo por frequentadores e funcionários, expõem em poucos segundos a força do ciclone severo que atinge a região e deixam a população em alerta para o avanço do mar sobre áreas urbanas.
Ciclone transforma a orla em extensão do mar
O mar começa a subir no meio da tarde, quando o vento já sopra forte, com rajadas acima de 80 km/h, segundo serviços meteorológicos locais. A maré, que deveria recuar no fim do dia, parece fazer o movimento oposto. Em poucos minutos, a água cruza o limite do calçadão, ultrapassa as barreiras mais baixas e invade o salão envidraçado de um restaurante de frente para o mar.
Clientes levantam às pressas, tentam proteger bolsas, celulares e crianças, enquanto garçons puxam cadeiras e mesas para o fundo do salão. A força da água, porém, é maior. Em uma sequência de ondas, o fluxo arrasta móveis de metal e madeira por vários metros, espalha cacos de vidro e deixa o piso coberto por água salgada, areia e detritos trazidos da praia. Funcionários relatam que o movimento dura menos de dez minutos, mas é suficiente para transformar o espaço em um cenário de destruição.
Em vídeos que circulam nas redes sociais desde o fim da tarde, é possível ver ao menos duas grandes investidas do mar sobre o restaurante. Em uma delas, a lâmina de água atinge cerca de 30 centímetros de altura no interior do salão, segundo estimativa de um dos proprietários, que preferiu não se identificar. “Nunca vimos nada parecido em 15 anos aqui. A água costuma bater nas pedras, mas desta vez entrou como se o restaurante fizesse parte da praia”, afirma.
Autoridades locais informam que não há registro de feridos no episódio, mas confirmam danos materiais significativos. Em avaliação preliminar, o prejuízo inclui perda de equipamentos elétricos, danos ao piso e à estrutura da fachada, além da destruição de dezenas de mesas e cadeiras. A contabilidade detalhada só deve ser concluída nos próximos dias, após a limpeza e a vistoria técnica.
Alerta para o avanço de eventos extremos na costa
O episódio em Catania ocorre em meio a um ciclone classificado como severo pelos meteorologistas italianos, com centros de baixa pressão sobre o Mediterrâneo e fortes contrastes de temperatura na atmosfera. Na prática, isso se traduz em ventos intensos, mar muito agitado e ondas que, em alguns trechos da costa siciliana, passam de 4 metros de altura, de acordo com estimativas preliminares. A combinação de maré alta, pressão baixa e vento direcionado para a costa cria o cenário perfeito para o avanço do mar sobre áreas urbanas.
Moradores relatam que o nível de preocupação muda após as imagens do restaurante tomarem as redes sociais. Ruas da orla ficam mais vazias, comerciantes recolhem letreiros externos e algumas lojas encerram o expediente antes do horário, por volta das 17h. “Quando vimos o vídeo, decidimos fechar imediatamente. Se a água entrou ali, pode entrar em outros pontos também”, diz uma comerciante da região, que atua há mais de dez anos no setor de turismo.
A Defesa Civil regional emite alertas para ressacas e possíveis alagamentos costeiros ainda pela manhã, mas o vídeo do restaurante viraliza e amplia o alcance do aviso. Em menos de 24 horas, as imagens somam centenas de milhares de visualizações em diferentes plataformas, de Catania a outras cidades italianas e a países que acompanham a situação climática na Europa. Para especialistas em riscos naturais, a repercussão ajuda a traduzir dados e mapas de previsão em algo palpável: a água que, de fato, entra no lugar onde as pessoas trabalham e se alimentam diariamente.
Eventos de mar extremo não são novidade no Mediterrâneo, mas o padrão recente preocupa cientistas. Estudos europeus divulgados na última década indicam aumento na frequência e na intensidade de tempestades severas em diferentes trechos da bacia, com reflexos diretos em portos, praias e áreas urbanas costeiras. Catania, que vive de atividades ligadas ao turismo, serviços e comércio, sente o impacto imediato quando a linha imaginária entre mar e cidade deixa de existir por algumas horas.
Cidades costeiras correm para se adaptar
O episódio reacende o debate sobre a infraestrutura da orla em Catania e em outras cidades da Sicília expostas ao avanço do mar. Técnicos de urbanismo e proteção civil discutem, desde eventos anteriores, a necessidade de ampliar barreiras físicas, revisar gabaritos de construção à beira-mar e reforçar janelas, portas e fachadas de estabelecimentos que operam a poucos metros da água. A invasão do restaurante, registrada em 21 de janeiro de 2026, oferece um exemplo concreto de vulnerabilidade e deve acelerar a discussão.
Proprietários de bares, restaurantes e hotéis temem o impacto financeiro de novos eventos semelhantes. Uma semana de fechamento em plena alta temporada pode representar queda de até 30% no faturamento mensal, segundo associações locais do setor. Seguradoras, por sua vez, já discutem atualização de apólices e prêmios em áreas classificadas como de risco para ressacas e alagamentos marinhos. A tendência é que contratos incluam franquias mais altas e exigências de obras preventivas, como portas reforçadas e barreiras removíveis.
Autoridades regionais avaliam medidas emergenciais e de médio prazo. Entre as possibilidades discutidas estão a instalação de sistemas de alerta mais visíveis na orla, com sirenes e painéis eletrônicos, e a criação de protocolos padronizados para fechamento temporário de estabelecimentos em casos de ressaca extrema. A experiência de outras cidades costeiras europeias, que já enfrentam episódios de inundação recorrente, entra no radar como referência para a Sicília.
O vídeo do restaurante tomado pelas ondas se torna, em poucas horas, símbolo do ciclone que atinge a ilha em 2026 e materializa uma pergunta que permanece em aberto: até que ponto cidades costeiras como Catania conseguirão se adaptar à nova rotina de eventos climáticos extremos sem comprometer a vida cotidiana e a economia local?
