Cosmonauta russo registra do espaço aurora rara em tempestade solar
O cosmonauta russo Kud-Sverchkov registra, em 20 de janeiro de 2026, uma aurora boreal de brilho vermelho intenso vista do espaço durante a maior tempestade solar em 20 anos. As imagens de alta resolução, enviadas à Terra em tempo real, mostram o planeta envolvido por um arco luminoso que foge ao padrão verde típico do fenômeno.
Um espetáculo raro sob ataque do Sol
Da escotilha da nave, Kud-Sverchkov observa a Terra coberta por franjas vermelhas que se estendem por milhares de quilômetros. O brilho acompanha a trajetória do campo magnético do planeta e se intensifica à medida que a tempestade solar despeja partículas carregadas em alta velocidade sobre a atmosfera. “Durante a tempestade solar mais forte em duas décadas, havia muito brilho vermelho. Parecia que estávamos literalmente navegando dentro daquela luz”, escreve o cosmonauta em seu canal no Telegram na terça-feira (20).
A descrição ajuda a dimensionar o evento. Tempestades solares intensas como a desta semana são raras: a última de intensidade semelhante ocorre há cerca de 20 anos, segundo registros de agências espaciais. Dessa vez, a rajada de partículas atinge a Terra em poucas dezenas de minutos depois de viajar cerca de 150 milhões de quilômetros desde a superfície do Sol. O resultado é uma aurora incomum, em que o vermelho domina a cena e transforma o céu em uma espécie de cortina incandescente vista de cima.
Ciência em tempo real e riscos na Terra
As imagens enviadas por Kud-Sverchkov se somam a medições de satélites e sensores em solo e ajudam a entender como a energia do Sol interage com a atmosfera terrestre. Quando as partículas solares colidem com gases como oxigênio e nitrogênio, a dezenas ou centenas de quilômetros de altitude, liberam luz. Em condições normais, o verde predomina, visível em latitudes altas, como Escandinávia, Canadá e norte da Rússia. Em eventos extremos, porém, entram em cena tons de rosa e vermelho, como os registrados agora pelo cosmonauta.
O espetáculo visual contrasta com a preocupação técnica. Tempestades solares fortes podem interferir em satélites de comunicação, sistemas de navegação por GPS e até redes elétricas em solo. Modelos de previsão indicam aumento de risco de falhas temporárias em comunicações de rádio de alta frequência e pequenos desvios de posicionamento em sistemas de localização. Empresas de satélites comerciais e agências espaciais acompanham a evolução da tempestade minuto a minuto para decidir se alteram órbitas, reduzem operações ou colocam equipamentos em modo seguro.
Aurora como laboratório natural do clima espacial
O registro do fenômeno do espaço amplia a precisão das análises. Vistas do solo, as luzes dançam no horizonte e dependem de condições locais de nuvem, luminosidade e latitude. A partir da órbita, é possível medir com mais clareza a extensão da aurora, a intensidade do brilho e a relação com a trajetória das partículas solares. Imagens de alta resolução, como as divulgadas por Kud-Sverchkov, funcionam como um mapa instantâneo do impacto da tempestade solar sobre o planeta.
Pesquisadores de clima espacial usam esse tipo de dado para aprimorar modelos que estimam quando uma tempestade pode afetar sistemas sensíveis na Terra. Em 2003, um conjunto de tempestades conhecido como “tempestades de Halloween” derruba parte da rede elétrica na Suécia e obriga companhias aéreas a redirecionar voos que passam perto dos polos. Agora, duas décadas depois, a combinação de observações em solo, sensores em satélites e imagens feitas por humanos em órbita oferece um laboratório natural sem precedentes para entender esses eventos extremos.
Do encanto ao alerta: o que vem a seguir
O interesse do público cresce junto com a intensidade das imagens. Em poucas horas, as fotos do cosmonauta circulam em redes sociais e canais de notícias, reforçando o fascínio global pela aurora boreal. A narrativa de alguém que observa o fenômeno de dentro da órbita, descrevendo a sensação de “navegar na luz”, aproxima o público de um processo físico que costuma soar abstrato. A mesma tempestade que produz as cortinas vermelhas no céu, porém, exige atenção de operadores de energia, companhias de telecomunicações e agências de navegação aérea.
O ciclo de atividade solar deve permanecer elevado até o fim desta década, segundo previsões de astrônomos, o que aumenta a probabilidade de novas tempestades intensas. Cientistas veem nas imagens enviadas por Kud-Sverchkov um registro de rara beleza, mas também um alerta sobre a necessidade de reforçar infraestrutura crítica e sistemas de monitoramento. A pergunta que ganha peso depois da noite vermelha vista do espaço é menos se o fenômeno vai se repetir e mais quando e com que força a próxima tempestade vai atingir a Terra.
