Descarrilamento em Gelida deixa um morto e ao menos 15 feridos na Espanha
Um trem de passageiros descarrila na tarde desta terça-feira (20) em Gelida, na província de Barcelona, após colidir com um muro de contenção que cai sobre a via férrea. O acidente deixa uma pessoa morta e pelo menos 15 feridos, atendidos por equipes médicas e bombeiros da Catalunha no local.
Muro cai sobre trilhos e provoca colisão
O trem segue viagem pela linha que corta a pequena cidade catalã quando encontra a via obstruída por blocos de concreto. O muro de contenção que protege a encosta ao lado dos trilhos cede e desaba sobre a ferrovia, segundo a Proteção Civil da Catalunha. A composição não consegue frear a tempo, colide com os escombros e sai dos trilhos.
O impacto atinge em cheio os vagões dianteiros e lança passageiros contra bancos, portas e estruturas internas. Os primeiros chamados ao serviço de emergência são registrados ainda durante a tarde. Em poucos minutos, 11 ambulâncias do Sistema de Emergência Médica da Catalunha (SEM) e equipes do Corpo de Bombeiros chegam ao local, em uma área de difícil acesso, entre a via férrea e a encosta.
Os socorristas montam um posto avançado ao lado da linha para triagem rápida dos feridos. Uma das vítimas fica presa no interior do trem e precisa ser retirada com apoio de equipamentos de corte e escoras metálicas. “Estamos atendendo pelo menos 15 pessoas afetadas”, informa o SEM em comunicado divulgado nas redes sociais, enquanto o resgate ainda está em curso.
Os bombeiros confirmam que esvaziam todos os vagões e iniciam uma varredura completa na área, incluindo a parte inferior da composição e a faixa de proteção ao redor dos trilhos. O objetivo é descartar a presença de vítimas lançadas para fora do trem ou presas sob os destroços. A zona do acidente permanece isolada, com circulação interrompida em ambos os sentidos.
País sob pressão após dois acidentes em 48 horas
O desastre em Gelida ocorre em um momento de tensão crescente em torno da segurança ferroviária na Espanha. Dois dias antes, no domingo (18), outro acidente já havia chocado o país, com ao menos 39 mortos e cerca de 123 feridos, entre eles cinco em estado grave e 24 em estado crítico. A sucessão de episódios em menos de 48 horas acende o alerta entre autoridades, especialistas e passageiros frequentes.
No caso desta terça-feira, as primeiras informações divulgadas pela Proteção Civil apontam para uma falha estrutural fora da composição: “Um muro de contenção caiu sobre a via e provocou um choque com um trem de passageiros”, registra o órgão em nota pública. A hipótese inicial desloca o foco da investigação para a manutenção da infraestrutura que cerca a linha, incluindo encostas, drenagem e estabilidade de taludes.
Engenheiros consultados por autoridades regionais analisam as condições do muro e buscam saber se havia registros prévios de risco na área, como deslizamentos, infiltrações ou deformações na estrutura. Em trechos de serra e cortes de morro, como é comum em partes da rede ferroviária catalã, a combinação de chuvas intensas, obras mal planejadas ou envelhecimento de materiais costuma aumentar a vulnerabilidade dos muros de contenção.
Os passageiros atingidos em Gelida são levados a hospitais da região metropolitana de Barcelona e a centros de saúde locais, de acordo com o grau de gravidade de cada caso. O SEM não detalha, até o início da noite, quantos feridos estão em estado grave, mas confirma que a maioria das vítimas apresenta traumas, cortes e contusões decorrentes do impacto interno no trem. Familiares buscam informações por canais oficiais de emergência, enquanto a área segue bloqueada para curiosos.
Investigações, impacto no transporte e cobrança por respostas
A circulação de trens no trecho afetado é suspensa por tempo indeterminado, o que afeta a rotina de trabalhadores que dependem da ligação ferroviária entre cidades da província de Barcelona. Passageiros enfrentam atrasos, remanejamentos de rota e substituição por ônibus em alguns segmentos, enquanto técnicos avaliam os danos aos trilhos, ao sistema elétrico e à sinalização. A prioridade é remover a composição com segurança e liberar a via apenas depois da inspeção completa.
Autoridades regionais discutem, ainda nas primeiras horas após o acidente, a abertura de uma investigação formal para apurar a causa do colapso do muro. O procedimento deve envolver peritos em estruturas civis, especialistas em geotecnia e representantes da operadora ferroviária. O objetivo é estabelecer se houve falha de projeto, manutenção inadequada, negligência em inspeções periódicas ou fatores climáticos extremos fora do padrão.
Organizações de usuários do transporte público e sindicatos do setor ferroviário cobram transparência e prazos claros. A repetição de acidentes graves em intervalo tão curto alimenta dúvidas sobre o estado real da malha, sobretudo em trechos mais antigos e em áreas sujeitas a deslizamentos. A pressão recai sobre gestores regionais e nacionais, que precisam mostrar capacidade de resposta rápida e planejamento de longo prazo.
Nos próximos dias, relatórios preliminares devem indicar se outros muros semelhantes ao que cedeu em Gelida exigem reforço ou substituição imediata. Revisões de protocolos de manutenção, ampliação de inspeções em campo e ajustes em rotas podem alterar temporariamente o mapa do transporte ferroviário na região de Barcelona. Enquanto as famílias das vítimas esperam por explicações e reparação, o país tenta entender se o que ocorre é uma sucessão trágica de coincidências ou o sintoma mais visível de um desgaste profundo da infraestrutura que sustenta o sistema de trens.
