Ciencia e Tecnologia

Lua Nova marca início de novo ciclo lunar nesta quarta (21)

A Lua entra em fase Nova nesta quarta-feira (21), com apenas 5% de sua superfície visível e em processo de crescimento, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O momento marca o começo de um novo ciclo lunar, que orienta da agricultura a tradições culturais em todo o Brasil.

Calendário lunar de janeiro e o papel do Inmet

O céu noturno de hoje engana o olhar apressado. A Lua quase não aparece, mas esse aparente vazio é o ponto de partida de todo o calendário lunar de 2026. De acordo com o Inmet, a fase Nova atual sucede uma sequência intensa no mês de janeiro, que começa com a Lua Cheia em 3 de janeiro, às 7h02, e segue com a Lua Minguante em 10 de janeiro, às 12h48.

A Lua Nova deste mês surge oficialmente em 18 de janeiro, às 16h51, e avança agora em direção à próxima virada importante: a Lua Crescente, prevista para 26 de janeiro, à 1h47. Hoje, no dia 21, o satélite ainda está muito discreto, com 5% de sua face iluminada, mas cresce noite após noite. Pelos cálculos do Inmet, faltam cinco dias para que metade do disco fique visível no céu, marco do Quarto Crescente.

O instituto mantém um calendário detalhado das fases da Lua ao longo do ano e traduz em horários exatos o que, para muita gente, parece apenas mudança de paisagem. “As fases não são só um fenômeno estético”, ressalta a equipe técnica do órgão em suas publicações oficiais. “Elas ajudam a entender o comportamento da atmosfera, do mar e até de atividades humanas que seguem o ritmo natural”.

Do ciclo astronômico ao impacto no dia a dia

Uma lunação, como é chamado o ciclo completo entre duas Luas Novas, dura em média 29,5 dias e nunca se repete exatamente igual. Ao longo desse período, a Lua passa pelas quatro fases principais — Nova, Crescente, Cheia e Minguante —, cada uma com cerca de sete dias de duração. Entre elas, surgem etapas intermediárias, as chamadas interfases, como o Quarto Crescente, a Crescente Gibosa, a Minguante Gibosa e o Quarto Minguante, que desenham no céu transições suaves entre luz e sombra.

Esse movimento constante não interessa apenas a astrônomos amadores. Agricultores acompanham a posição da Lua para planejar plantio, poda e colheita, uma prática que atravessa gerações no campo brasileiro. Em muitas regiões, a Lua Crescente ganha fama de favorecer o desenvolvimento de raízes e folhas, enquanto a Minguante é vista como fase adequada para podas e colheitas, por exemplo. A Nova, como a de hoje, costuma ser associada a recomeços, descanso do solo e planejamento.

As marés também respondem à dança entre Terra, Lua e Sol. Em fases como a Cheia e a Nova, quando os alinhamentos são mais intensos, o efeito gravitacional se soma e produz marés de maior amplitude. Em um país com mais de 7,3 mil quilômetros de litoral, essas oscilações interessam a pescadores, portos e equipes que monitoram erosão costeira e ressacas. Pesquisadores usam os dados do Inmet como uma das referências para cruzar comportamento lunar, regime de chuvas e variações sazonais ao longo do ano.

Na cultura popular, o calendário lunar segue vivo. Festas religiosas, rituais de matriz africana, observações indígenas e práticas ligadas ao calendário agrícola guardam relação estreita com a posição do satélite. Em muitas comunidades, a Lua Nova representa pausa e introspecção. Na Cheia, o brilho intenso vira convite para reuniões, festas e vigílias. O ciclo que começa agora, com apenas 5% de luz, alimenta essa leitura simbólica, ao mesmo tempo em que oferece dados objetivos para a ciência.

Próximos dias, interesse crescente e olhar para a frente

O avanço da Lua rumo ao Quarto Crescente, no próximo dia 26, tende a ampliar o interesse do público pelo céu noturno. A cada noite, a faixa iluminada aumenta, o que facilita a observação a olho nu até mesmo em cidades grandes. Astrônomos amadores costumam aproveitar essa fase para registrar crateras e relevos com mais contraste, já que a luz lateral ressalta sombras na superfície.

O Inmet destaca que acompanhar o calendário lunar ajuda a construir um hábito de atenção aos ciclos naturais, em um momento de mudanças climáticas aceleradas. Ao cruzar datas de fases da Lua com séries históricas de chuva, temperatura e ventos, pesquisadores veem padrões que alimentam modelos de previsão cada vez mais refinados. “Observar a Lua é também observar a Terra”, sintetiza o instituto em seu material educativo.

Os próximos meses repetem o padrão de uma lunação média de 29,5 dias, mas cada sequência traz pequenas variações de horário, inclinação orbital e visibilidade, que seguem sob monitoramento. Em um cenário em que a relação com o meio ambiente entra no centro do debate público, o ciclo que começa com esta Lua Nova recoloca uma pergunta antiga em novos termos: quanto ainda estamos dispostos a aprender com o ritmo silencioso do céu?

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