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Nikolas faz caminhada de 40 km por dia em protesto contra prisões de 8/1

O deputado federal Nikolas inicia em 20 de janeiro de 2026 uma caminhada diária de 40 quilômetros em protesto contra as prisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro e à detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro. No 3º dia de percurso, a jornada ainda não tem data para terminar, mas já mira espaço no debate público nacional.

Protesto em movimento sob tensão política

A iniciativa nasce em um ambiente carregado. Passados dois anos dos ataques de 8 de janeiro de 2023, o país ainda digere decisões judiciais, sentenças e prisões que se acumulam no Supremo Tribunal Federal e na Justiça Federal. Nesse cenário, Nikolas escolhe o corpo e o desgaste físico como instrumento de comunicação política.

O trajeto exato não é divulgado em detalhes, mas a caminhada acontece em território nacional e se organiza em etapas de 40 quilômetros por dia, meta que o deputado transforma em símbolo de compromisso. A cada novo trecho, ele reforça a mesma narrativa: as prisões de envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a detenção de Bolsonaro seriam, na visão dele, injustas e desproporcionais. “Eu vou caminhar enquanto houver brasileiro preso por perseguição política”, afirma em declarações recentes nas redes sociais.

O gesto dialoga com uma tradição de marchas e romarias políticas que marcam a história recente do país, de caravanas partidárias a caminhadas de movimentos sociais. No caso de Nikolas, a aposta recai sobre a capacidade de transformar quilômetros em capital político, em um momento em que decisões judiciais sobre 8 de janeiro seguem produzindo condenações e reações quase diárias.

Disputa de narrativa sobre prisões e Justiça

A caminhada tenta deslocar o foco do processo jurídico para o terreno da opinião pública. O deputado insiste em tratar as prisões como resultado de um ambiente de “excesso punitivo” contra apoiadores do ex-presidente. Ao vincular diretamente sua jornada à detenção de Bolsonaro, Nikolas busca colar sua imagem à do ex-presidente e ocupar um espaço de protagonismo no campo conservador.

Decisões do Supremo e de instâncias inferiores, no entanto, apontam em direção oposta. A Corte descreve os eventos de 8 de janeiro como tentativa de golpe de Estado e legitima prisões preventivas, condenações e multas milionárias. Esse contraste alimenta o conflito de versões. Para apoiadores do deputado, a caminhada de 40 quilômetros por dia funciona como denúncia visual de um suposto desequilíbrio entre punição e garantia de direitos. Para críticos, o ato relativiza a gravidade da invasão e da depredação às sedes dos Três Poderes.

No 3º dia da jornada, o impacto ainda é medido em engajamento digital e aparições em vídeos curtos. Nas redes, trechos do percurso circulam com mensagens que apresentam a iniciativa como “resistência pacífica” e “protesto ordeiro”. O alcance desse material, que soma milhares de visualizações em poucas horas, indica potencial de mobilização entre a base mais fiel do bolsonarismo, embora ainda não se traduza em grandes aglomerações físicas divulgadas publicamente.

A ausência de um ponto final definido amplia o campo de interpretações. Se a caminhada durar semanas, pode se transformar em plataforma permanente de críticas às decisões judiciais sobre 8 de janeiro e sobre a prisão de Bolsonaro. Se terminar em poucos dias, corre o risco de ser lida como ato simbólico de curto alcance. Nos bastidores do Congresso, aliados acompanham os desdobramentos com atenção, avaliando se a exposição constante gera ganho de popularidade ou desgaste diante de um eleitorado mais moderado.

Risco calculado e próximos capítulos da mobilização

A aposta de Nikolas envolve riscos políticos claros. Ao centrar o protesto na contestação às prisões, o deputado se coloca frontalmente no caminho de instituições como o Supremo Tribunal Federal e o Ministério Público, que defendem as decisões como resposta necessária à violência de 8 de janeiro. Esse embate pode fortalecer sua imagem entre eleitores que veem perseguição a Bolsonaro e seus aliados, mas também pode cristalizar a percepção de que parte da direita tenta reescrever os fatos daquele dia.

Os próximos passos da caminhada vão definir o peso real da iniciativa. Uma eventual adesão de outros parlamentares, governadores ou lideranças regionais pode transformar o ato individual em frente coletiva de contestação. Uma continuidade prolongada, com mais de 20 ou 30 dias de percurso, criaria um calendário paralelo de mobilização, capaz de pautar entrevistas, audiências públicas e discursos no plenário da Câmara. Se a jornada perder fôlego, restará como mais um episódio na disputa de narrativas sobre 8 de janeiro.

Enquanto o deputado soma quilômetros à própria biografia política, o Judiciário mantém seu curso, com novos processos, sentenças e recursos esperando análise. A distância entre as ruas percorridas por Nikolas e os gabinetes em Brasília, por enquanto, permanece mais simbólica do que institucional. A pergunta que se impõe é se essa caminhada, iniciada em 20 de janeiro de 2026 com metas diárias de 40 quilômetros, conseguirá atravessar não apenas estradas, mas também a barreira que separa o gesto midiático de uma influência concreta sobre decisões de toga.

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