Guia do UOL aponta notebooks básicos com bom custo-benefício em 2026
O Guia de Compras UOL publica nesta quarta-feira (21) um roteiro prático para escolher notebooks básicos em 2026 e lista modelos a partir de R$ 1.699. O conteúdo mira quem precisa de um computador confiável para estudar, trabalhar e usar internet sem gastar além do necessário. As recomendações priorizam configurações equilibradas, com desempenho suficiente para o dia a dia e foco em bom custo-benefício.
Consumidor busca desempenho sem exagero no orçamento
A reportagem surge em um início de ano em que famílias renovam equipamentos para o ano letivo e empresas ajustam estruturas de trabalho remoto. A demanda por notebooks capazes de rodar aulas online, planilhas e videoconferências cresce, mas o bolso impõe limites claros. É nesse cenário que o guia se propõe a traduzir especificações técnicas em escolhas concretas, evitando que o usuário pague por recursos que não vai usar.
O material parte de uma constatação simples: mesmo notebooks de entrada, mais baratos, já dão conta de boa parte das atividades cotidianas. Navegação em sites, uso de plataformas educacionais, edição de textos, montagem de planilhas, videoconferências e consumo de streaming rodam sem sobressaltos nessas máquinas, desde que alguns requisitos mínimos sejam respeitados. O objetivo é garantir fluidez hoje e nos próximos anos, sem exigir investimentos típicos de equipamentos profissionais ou gamers.
Entre os modelos destacados, há opções com processadores Intel Celeron, Intel Core e AMD Ryzen, todos voltados ao uso leve e intermediário. A linha mais simples reúne notebooks com processador Intel Celeron Dual Core N4020, 8 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento em eMMC, formato mais compacto que o HD tradicional. Fabricantes prometem até oito horas de autonomia com baterias de cerca de 37 Wh e telas antirreflexo de 15,6 polegadas em resolução Full HD.
Na faixa intermediária, entram máquinas com processador AMD Ryzen 5 7520U, 8 GB de RAM e SSD de 512 GB, com telas Full HD de 15,6 polegadas, bateria de 42 Wh e carregamento rápido que atinge 60% em 49 minutos, segundo as fichas técnicas. Há também modelos com Intel Core i3 de 13ª geração e cache de 10 MB, 8 GB de RAM, SSD de 256 GB e bateria de 41 Wh. Em comum, a promessa de rodar Windows 11 ou sistemas baseados em Linux com folga para multitarefa moderada.
Na ponta mais robusta do recorte, aparecem aparelhos com processador Intel Core i5 da 13ª geração, memória expansível e SSD de até 512 GB. Um dos destaques usa o Core i5-13420H, da série H, com oito núcleos e cache de 12 MB, 8 GB de RAM expansíveis a 32 GB, SSD de 256 GB, tela Full HD de 15,6 polegadas e bateria de 53 Wh, com autonomia aproximada de oito horas. Outro, com Intel Core 3 100U, oferece refresco visual com tela Full HD de 120 Hz, SSD de 512 GB e recarga rápida que atinge 80% em 60 minutos.
O catálogo inclui ainda notebooks que apostam em integração com celulares e tablets, como modelos Samsung e Lenovo com telas WUXGA, mais altas que o Full HD tradicional, e recursos de espelhamento e compartilhamento de arquivos entre dispositivos. Em um deles, a bateria de 50 Wh promete reforço de duas horas de uso com apenas 15 minutos na tomada. Em outro, com processador AMD Ryzen 5 5625U, 12 GB de RAM e tela de 16 polegadas, a autonomia anunciada chega a dez horas com bateria de 55 Wh.
O que realmente importa ao escolher um notebook
Por trás da lista de ofertas, o guia tenta responder à pergunta que mais inquieta o consumidor: o que, de fato, precisa estar no próximo notebook. A principal orientação é não abrir mão de 8 GB de memória RAM, mesmo nas linhas básicas. “É o mínimo recomendável para garantir fluidez, especialmente com várias abas abertas ou videoconferências”, afirma Marcelo Zuffo, engenheiro e professor da Escola Politécnica da USP, ouvido pela reportagem.
O processador aparece como outro ponto-chave. Em vez de mirar siglas soltas, o material delimita o uso cotidiano como parâmetro. Para navegar na internet, assistir aulas online, editar documentos e planilhas e usar aplicativos leves, Zuffo considera suficientes processadores de entrada recentes das linhas Intel Celeron, Intel Core i3 ou AMD Ryzen 3 e 5, desde que não sejam gerações muito antigas. “Modelos muito antigos ou linhas de entrada excessivamente limitadas podem comprometer a experiência a médio prazo”, alerta.
Memória cache e número de núcleos entram como reforço de desempenho. A regra é direta: quanto maiores os números, melhor a capacidade de executar diversas tarefas ao mesmo tempo, com menos travamentos. Para o armazenamento, o consenso é claro. Mesmo em notebooks básicos, a recomendação é priorizar SSD em vez de HD mecânico. “O notebook fica muito mais rápido, sendo que um SSD de 256 GB atende bem a maioria dos usuários”, diz Zuffo. É o tipo de detalhe que encarece um pouco o produto, mas muda o dia a dia na abertura de programas e na inicialização do sistema.
A matéria também distingue o público que precisa ir além. Quem trabalha com edição de vídeo, projetos em 3D, softwares de engenharia ou games modernos não encontra respostas duradouras nos modelos de entrada. “Nesses casos, sugiro escolher um notebook com processador Intel Core i7 ou até i9, dependendo da demanda, e com 32 GB ou até 64 GB de memória RAM”, afirma Fernando Pereira, profissional de TI especializado em hardware desde 2008. É um investimento mais pesado, mas evita bater no limite semanas depois da compra.
A tela e a bateria completam o pacote de critérios técnicos. O guia indica preferência por painéis antirreflexo, com resolução ao menos Full HD, para garantir conforto visual em jornadas longas e uso próximo de janelas. Em alguns modelos, tecnologias como ComfortView reduzem a emissão de luz azul, apontada por estudos como um dos fatores de fadiga ocular. Na autonomia, Pereira lembra que notebooks simples podem chegar a 12 horas de uso leve, enquanto o consumidor deve mirar, no mínimo, de seis a oito horas para ter mobilidade real em idas à faculdade, deslocamentos e reuniões externas.
O texto ressalta ainda como o uso interfere diretamente na bateria. Brilho no máximo, Wi-Fi ligado o tempo todo e muitos aplicativos abertos derrubam a duração prometida em laboratório. Recursos de recarga rápida, que levam a bateria a 60% em cerca de 50 minutos ou a 80% em uma hora, surgem como válvula de escape em rotinas corridas, mas não substituem uma boa capacidade total de Wh. O recado é não se deixar levar apenas por números soltos, e sempre cruzar autonomia, peso e potência na mesma conta.
Escolhas mais conscientes e impacto nas ofertas
Ao organizar especificações, preços e faixas de uso num mesmo pacote, o Guia de Compras UOL tenta reduzir a distância entre o jargão técnico e a decisão na ponta do caixa. A curadoria de notebooks com valores a partir de R$ 1.699 dialoga com um público que precisa controlar o orçamento, mas não quer lidar com travamentos em videoconferências ou atrasos em trabalhos da faculdade. Em um mercado inflacionado por marketing de desempenho extremo, o foco em tarefas reais funciona como antídoto.
A publicação chega em um momento em que o comércio eletrônico disputa cada clique com campanhas agressivas e contagens regressivas de ofertas. Ao destacar que checa os preços na data da publicação e que a comissão recebida pelos links não altera o valor final para o consumidor, o UOL reforça a tentativa de separar o conteúdo editorial do impulso puro de venda. A transparência busca blindar o leitor de promoções enganosas e de fichas técnicas incompletas, comuns em anúncios e marketplaces.
O alcance não se limita à página do portal. A reportagem se desdobra em boletins do Monitor de Ofertas UOL, no canal do WhatsApp e em vídeos no TikTok, que hoje concentram boa parte da audiência jovem interessada em tecnologia de consumo. Ao levar o mesmo conteúdo para diferentes telas, a equipe tenta ocupar o espaço onde as compras de fato começam: muitas vezes, no scroll despretensioso do celular, antes de qualquer comparação de preço.
O efeito prático tende a ir além da decisão individual de compra. Um público mais bem informado sobre o que é essencial em um notebook pressiona fabricantes e varejistas a oferecer combinações mais equilibradas de preço e desempenho. Modelos com 4 GB de RAM e HD mecânico, comuns até poucos anos atrás nas prateleiras de entrada, perdem espaço quando o consumidor passa a exigir, como ponto de partida, 8 GB de RAM e SSD.
Para o início de 2026, quando estudantes ingressam em cursos superiores, escolas ampliam atividades online e empresas consolidam formatos híbridos de trabalho, a tendência é que guias desse tipo ganhem ainda mais relevância. Se o usuário entende que não precisa de um processador topo de linha para assistir aulas e editar textos, sobra margem no orçamento para investir em uma cadeira ergonômica, uma conexão de internet melhor ou um monitor extra.
Próximos passos para um consumidor mais exigente
O próprio UOL indica que a curadoria de eletrônicos deve seguir em atualização constante, acompanhando oscilações de preço e lançamentos. O Monitor de Ofertas, o canal de WhatsApp e o perfil no TikTok funcionam como extensões em tempo real da matéria publicada no portal. O compromisso declarado é manter as recomendações aderentes à realidade de cada mês, sem congelar a lista em um cenário que muda de semana em semana.
O desafio, daqui para frente, é medir quanto esse tipo de conteúdo consegue deslocar o padrão de compra no Brasil, ainda marcado por decisões de impulso e pela dependência da indicação do vendedor. Se a próxima geração de consumidores chegar à loja sabendo por que 8 GB de RAM e SSD fazem diferença, o mercado de notebooks de entrada terá de se adaptar. A dúvida é se o ritmo das ofertas acompanha a velocidade com que o público aprende a reconhecer, em poucas linhas de ficha técnica, o notebook que não vai decepcionar em 2026.
