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Lula abre 2026 na liderança e bolsonarismo segue em segundo

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia 2026 na dianteira da disputa presidencial. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, feita entre 15 e 20 de janeiro, mostra o petista à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno.

Levantamento reforça favoritismo petista

O novo retrato do eleitorado, divulgado em janeiro e registrado no TSE sob o código BR-02804/2026, confirma um quadro de estabilidade em favor do governo. Lula aparece sempre próximo de 48% no primeiro turno e de 49% no segundo, em confronto com diferentes nomes da direita e do chamado campo bolsonarista. A pesquisa é feita online, com 5.418 entrevistados em todo o país e margem de erro de um ponto percentual.

Nos cenários testados para o primeiro turno, o presidente crava entre 48,2% e 48,8% das intenções de voto. Os adversários mais competitivos saem do núcleo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio Bolsonaro (PL) surge como principal herdeiro desse eleitorado quando seu nome aparece ao lado de outros pré-candidatos da direita. Em um dos cenários, ele marca 28%, à frente de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que registra 11%.

Quando o instituto simplifica a disputa e coloca Lula, Flávio e nomes com menor densidade nacional, o filho do ex-presidente cresce e alcança 35%, enquanto o petista mantém 48,4%. Em outro recorte, Tarcísio assume o posto de principal adversário e chega a 28,4%, mas permanece distante dos 48,5% de Lula. Em cenário com Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama e aposta recorrente de parte da direita, o quadro se repete: Lula pontua 48,2% e Michelle, 30,9%.

O teste com uma direita sem um nome claramente bolsonarista, reunindo Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Ratinho Junior (PSD), evidencia ainda mais a vantagem do presidente. Nessa hipótese, o petista atinge 48,8%, enquanto Caiado fica com 15,2%, Zema com 11,4% e Ratinho com 9,4%. O espaço somado para indecisos, votos brancos e nulos não passa de 10,3%, sinal de um eleitorado já bastante decidido.

Bolsonarismo resiste, mas não rompe teto

Os cenários de segundo turno reforçam a mesma fotografia. Lula aparece com 49% em todas as simulações, independentemente do adversário. As variações surgem apenas no desempenho dos rivais e no tamanho do grupo que declara voto branco, nulo ou indecisão. A disputa mais apertada é contra o próprio Jair Bolsonaro, preso e inelegível, que marca 46%, deixando um resíduo de 5% de eleitores sem candidato definido.

Na prática, o levantamento apresenta um bolsonarismo ainda forte, mas sem capacidade, neste momento, de superar o presidente. Tarcísio, Michelle e Flávio Bolsonaro repetem um padrão: alcançam 45% em cenários de segundo turno, sempre três a quatro pontos atrás de Lula, com 6% de brancos, nulos ou indecisos. Outros nomes mais distantes desse campo, como Caiado, Zema e Ratinho Junior, ficam em 39%, o que abre uma diferença de 10 pontos em favor do petista.

O contraste é maior quando a pesquisa testa Eduardo Leite (PSD). O governador do Rio Grande do Sul aparece com 23%, contra 49% de Lula, e o grupo de eleitores sem definição dispara para 29%. Essa fotografia indica que o eleitor de direita, hoje, se ancora majoritariamente em figuras associadas ao ex-presidente Bolsonaro, mesmo diante de sua inelegibilidade e de sua prisão. O campo liberal ou de centro-direita, sem essa conexão, não consegue se firmar como alternativa competitiva.

Ao consolidar Lula na liderança desde o primeiro retrato de 2026, a pesquisa influencia cálculos de bastidores. Dirigentes de partidos de centro e centro-direita observam um presidente à frente em todos os cenários e uma direita polarizada pelo bolsonarismo. A combinação reduz o espaço para candidaturas que apostam em uma terceira via clássica. O dado também serve de munição interna para o PT, que vê seu projeto reeleitoral como o caminho de menor risco.

Haddad aparece como plano B e eleição ganha contornos

A AtlasIntel testa ainda um cenário sem Lula, apesar de o presidente repetir que pretende concorrer em 2026. Fernando Haddad, ministro da Fazenda e nome mais visível do PT no governo, assume o lugar do chefe e lidera as simulações. Em disputa com Flávio Bolsonaro, Haddad registra 41,5%, contra 35,4% do senador. Em outro cenário, com Tarcísio como principal rival, o petista chega a 42%, enquanto o governador paulista marca 28,9%.

Os números mantêm o PT na dianteira mesmo sem Lula no topo da chapa, ainda que com vantagem menor. O desempenho reforça a percepção de que o partido preserva um núcleo fiel de eleitores, construído ao longo de duas décadas de protagonismo nacional, que resiste a mudanças de nomes. A lembrança da eleição de 2018, quando Haddad herdou a vaga de Lula na reta final e foi ao segundo turno, ainda serve de referência dentro e fora da legenda.

Os percentuais também funcionam como termômetro para o governo. Enquanto Lula aparece estabilizado em torno de 48% a 49%, Haddad oscila na casa dos 41% a 42%, patamar que ainda garante liderança folgada. O dado interessa diretamente às alas do PT que defendem a exposição crescente do ministro, tanto pelo papel na economia quanto como eventual sucessor. A oposição, por sua vez, enxerga aí uma brecha: atacar a política econômica se torna forma de desgastar um possível candidato antes da largada oficial.

O quadro que emerge da pesquisa pressiona os postulantes do campo bolsonarista. Flávio Bolsonaro, Tarcísio e Michelle precisam definir, nos próximos meses, quem de fato encarna o projeto da direita para 2026. A dispersão dos nomes, somada à inelegibilidade de Bolsonaro, tende a alongar disputas internas e negociações por alianças regionais. Enquanto isso, o Planalto ganha tempo para organizar a campanha da reeleição e testar narrativas econômicas e sociais para consolidar a vantagem.

Com um ano que começa marcado por números estáveis e um favoritismo claro, a disputa de 2026 ganha contornos, mas está longe de definida. A economia, o humor do eleitorado e eventuais fatos novos no campo judicial e político ainda podem redesenhar parte do tabuleiro. Até aqui, porém, a mensagem do levantamento é direta: o PT entra na temporada eleitoral com a vantagem do incumbente, e a direita busca, sob a sombra de Bolsonaro, um nome capaz de transformar resistência em maioria.

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