Ultimas

Trem descarrila após queda de muro e fere 15 perto de Barcelona

Um trem regional de passageiros descarrila na tarde desta terça-feira (20), perto de Barcelona, após a queda de um muro de contenção sobre os trilhos. Quinze pessoas ficam feridas e o acidente volta a expor dúvidas sobre a segurança da infraestrutura ferroviária na região.

Muro desaba sobre a linha em operação

O trem segue viagem em direção à capital catalã quando o muro, erguido ao lado da via para conter o desnível do terreno, cede e cai diretamente sobre os trilhos. A composição atinge os destroços poucos segundos depois, perde estabilidade e sai da linha, arrastando vagões e passageiros que ainda tentam entender o que acontece.

Equipes de emergência chegam em minutos ao local, em uma área de acesso restrito, mas próxima a rodovias secundárias. Bombeiros ajudam na evacuação dos vagões, enquanto paramédicos montam um posto de atendimento improvisado ao lado da via. Quinze passageiros recebem atendimento médico por ferimentos de diferentes gravidades; a maioria sofre contusões, cortes e crises de ansiedade provocadas pelo choque.

Infraestrutura sob pressão

A circulação na linha regional é interrompida imediatamente em ambos os sentidos. Trens são retidos em estações anteriores e a operadora organiza, às pressas, um esquema de ônibus para transportar parte dos passageiros. A interrupção atinge o fim da tarde de terça-feira, horário de pico para quem se desloca diariamente entre cidades da área metropolitana de Barcelona.

O descarrilamento levanta, em poucas horas, um debate incômodo sobre a manutenção de muros de contenção, taludes e outras estruturas erguidas ao lado das linhas. Técnicos ouvidos pelas autoridades locais lembram que essas barreiras, muitas construídas há mais de 30 anos, suportam hoje um volume de chuvas mais irregular e intenso, além de variações de temperatura que não eram consideradas em projetos antigos. Investigações são abertas para apurar se falhas de inspeção, drenagem insuficiente ou problemas de projeto contribuíram para o desabamento.

Feridos, transtornos e cobrança por respostas

Os 15 feridos são levados para hospitais da região metropolitana de Barcelona. Entre eles estão passageiros que viajavam sozinhos e trabalhadores que retornavam para casa depois do expediente. Alguns recebem alta ainda na noite de terça-feira, enquanto outros permanecem em observação por 24 horas, sob acompanhamento de ortopedistas e neurologistas. A operadora do serviço aciona o protocolo de apoio psicológico e de registro de reclamações para organizar pedidos de indenização.

O impacto se espalha pela malha ferroviária regional. A linha afetada transporta, em dias úteis, milhares de pessoas que dependem do trem para chegar ao trabalho, à escola ou a serviços essenciais. A necessidade de desviar composições e criar baldeações aumenta o tempo de viagem e pressiona outros trechos da rede. Passageiros relatam atrasos de mais de uma hora e vagões lotados em rotas alternativas, enquanto a empresa trabalha com previsão inicial de normalização gradual ao longo de alguns dias, a depender da retirada dos escombros e da avaliação estrutural da via.

Investigação mira origem do desabamento

Autoridades de transporte e de obras públicas determinam perícias no muro que cedeu e no solo ao redor da estrutura. Especialistas analisam rachaduras, drenagem de água, registros recentes de chuvas e intervenções na região. Dados de manutenção dos últimos anos são solicitados à operadora do trem e aos responsáveis pela infraestrutura. O objetivo é estabelecer uma linha do tempo precisa: quando surgem os primeiros sinais de desgaste, quem é informado e quais medidas são tomadas, ou deixadas de lado.

Políticos locais cobram transparência e prometem revisar protocolos de segurança nas linhas regionais, com inspeções adicionais em muros de contenção semelhantes espalhados pela malha. A discussão inclui a possibilidade de reforçar estruturas antigas, ampliar monitoramento eletrônico de encostas e criar limites mais rígidos para a circulação de trens em dias de risco geológico elevado. Passageiros aguardam respostas concretas sobre prazos de reparo, compensações financeiras e garantias de que o trajeto que usam todos os dias não voltará a se transformar, de uma hora para outra, em cenário de acidente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *