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ZCAS intensifica temporais e ameaça produção no Centro-Oeste e Norte

Uma faixa de temporais fortes, com raios e rajadas de vento acima de 70 km/h, se instala a partir de janeiro de 2026 sobre sete estados do Centro-Oeste e do Norte. A formação está ligada à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que concentra nuvens carregadas e traz risco direto para lavouras, indústrias e infraestrutura regional.

Faixa de instabilidade ganha força sobre o interior do país

A presença da ZCAS, um corredor de umidade que se estende da Amazônia ao Sudeste, organiza nuvens de tempestade sobre áreas produtivas do país. Meteorologistas apontam que o padrão se instala no início de janeiro e pode permanecer ativo por vários dias consecutivos, com acumulados de chuva que superam 80 mm em 24 horas em diversos pontos.

Os temporais mais intensos se concentram em sete estados das regiões Centro-Oeste e Norte, com destaque para áreas agrícolas consolidadas. A combinação de calor acima dos 30 °C, alta umidade vinda da Amazônia e ventos em níveis médios da atmosfera cria o ambiente ideal para nuvens carregadas. O resultado são pancadas de chuva volumosas, descargas elétricas frequentes e rajadas de vento capazes de derrubar estruturas frágeis.

O padrão não é inédito, mas preocupa pela persistência e pelo momento da safra. Janeiro marca a fase de enchimento de grãos em culturas como soja e milho de primeira safra em boa parte do Centro-Oeste. Em anos anteriores, episódios semelhantes de ZCAS já provocaram alagamentos em áreas rurais, atraso em colheitas e prejuízos em estradas de escoamento.

Especialistas reforçam que a ZCAS atua como uma “esteira” de nuvens e chuva, mantendo a atmosfera instável por longos períodos sobre as mesmas áreas. “Quando a ZCAS estaciona, a chuva deixa de ser isolada e passa a ser quase diária, com picos de tempestade que pegam o produtor no meio do campo”, explica um meteorologista ouvido pela reportagem.

Risco para lavouras, energia e parques industriais

A sucessão de temporais já acende o alerta em cooperativas, tradings e indústrias ligadas ao agronegócio. Rajadas de vento acima de 70 km/h podem acamar lavouras de milho em estágio avançado, quebrar hastes de soja e danificar pivôs de irrigação que custam centenas de milhares de reais por unidade. Em propriedades com rede elétrica aérea, a queda de árvores e postes interrompe o fornecimento de energia e paralisa atividades por horas ou dias.

Os impactos não se limitam ao campo. Indústrias instaladas em polos logísticos do Centro-Oeste e do Norte dependem de fornecimento contínuo de energia e de estradas trafegáveis para receber insumos e escoar produção. Com chuvas acima da média e episódios de enxurrada, trechos de rodovias de terra ou mal pavimentadas ficam intransitáveis, elevando o custo do frete e atrasando contratos. Um gestor industrial resume a preocupação: “Um dia parado na planta custa centenas de milhares de reais. Três ou quatro eventos desses no mês mudam o resultado do trimestre”.

Empresas de energia já revisam protocolos de resposta rápida para queda de redes e surtos causados por descargas elétricas. O aumento no número de raios durante episódios de ZCAS eleva o risco de queima de equipamentos sensíveis, tanto em unidades fabris quanto em armazéns climatizados. Seguradoras relatam, em anos de ZCAS mais intensa, crescimento de até 20% nos pedidos de indenização relacionados a danos elétricos e vendavais em áreas rurais.

No campo, os agricultores se veem obrigados a ajustar janelas de plantio e colheita. Colheitadeiras evitam entrar em solos encharcados sob risco de atolar e de compactar o terreno, o que reduz produtividade em ciclos seguintes. Quando a chuva se prolonga por mais de cinco ou seis dias consecutivos, pragas e doenças se espalham com mais facilidade, especialmente fungos em culturas de alto valor. A conta inclui não só a perda de volume, mas também o aumento do gasto com defensivos e combustível.

Autoridades estaduais e municipais orientam produtores e empresas a reforçar planos de contingência. Recomenda-se revisão de galpões, checagem de para-raios, manutenção de geradores e atualização de rotas alternativas para transporte de grãos e insumos. A defesa civil insiste na atenção a áreas sujeitas a enxurradas rápidas, principalmente próximas a rios de resposta curta, onde o nível pode subir dezenas de centímetros em poucas horas de temporal.

Monitoramento, incertezas e próximos movimentos da ZCAS

Centros meteorológicos públicos e privados acompanham em tempo real o deslocamento da ZCAS por imagens de satélite e radares de chuva. Os modelos numéricos indicam que, ao longo de janeiro de 2026, a faixa de instabilidade tende a oscilar poucos estados para oeste ou leste, mantendo o Centro-Oeste e o Norte no foco dos temporais mais severos. A previsão é de episódios recorrentes de chuva forte, com trégua curta de um ou dois dias entre as ondas mais intensas.

Economistas especializados em agronegócio alertam que a continuidade desse padrão pode forçar revisões nas projeções de safra e no calendário de embarques. Um consultor de mercado resume o cenário: “Se a ZCAS se mantém ativa por três ou quatro semanas, o impacto aparece na produtividade, no atraso da colheita e na formação de preços, tanto no mercado interno como nas exportações”. Indústria e produtores aguardam definições do clima para calibrar investimentos, enquanto autoridades defendem monitoramento diário e comunicação rápida de alertas. A pergunta que se impõe é por quanto tempo a ZCAS seguirá condicionando o ritmo da economia nas regiões mais afetadas.

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