Palmeiras perde nos pênaltis para o Ibrachina e cai na Copinha
O Palmeiras está fora da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na noite desta terça-feira (20), o time sub-20 empata por 2 a 2 com o Ibrachina, em São Paulo, e é eliminado nos pênaltis após erro da última cobrança alviverde.
Equilíbrio em campo e decisão na marca da cal
O jogo pelas quartas de final da Copinha 2026 confirma o caráter imprevisível do torneio. O Palmeiras chega favorito, com elenco badalado e recente histórico vitorioso na base, mas encontra um Ibrachina competitivo, organizado e sem complexo de inferioridade. Em 90 minutos intensos, os dois times alternam o controle da partida, criam chances claras e mantêm o placar apertado até o fim.
O empate por 2 a 2 traduz o cenário em campo. O Palmeiras mostra qualidade técnica, sobretudo na troca de passes e na bola parada, enquanto o Ibrachina explora transições rápidas e não se intimida diante de um adversário mais tradicional. A vaga na semifinal é empurrada para os pênaltis, onde a Copinha costuma revelar tanto heróis quanto vilões em questão de segundos.
Pressão sobre a base e impacto na temporada
A disputa na marca da cal termina com festa do time da casa e frustração alviverde. Nas cinco primeiras cobranças de cada lado, os batedores confirmam o nível de preparação: categorias de base hoje treinam bola parada com o mesmo rigor de equipes principais. A série alternada leva a decisão para o chute derradeiro, quando um jovem palmeirense desperdiça a batida que manteria o clube vivo no torneio. O erro sela o placar da disputa e transforma o Ibrachina em semifinalista.
A eliminação nas quartas de final representa um recuo em relação às ambições do Palmeiras na Copinha, torneio que abre o calendário do futebol brasileiro e serve de vitrine para a temporada. Nas últimas edições, o clube consolida a fama de potência na formação, abastecendo o elenco profissional e negociando atletas por milhões de reais. Ficar pelo caminho antes da semifinal frustra a expectativa interna de brigar pelo título em 2026 e alimenta dúvidas sobre o nível atual do grupo.
Nos bastidores, a avaliação é de que a queda precoce exige análise detalhada. A preparação física, o planejamento de minutos em campo e a escolha dos batedores de pênalti entram na pauta. “A Copinha é laboratório, mas também é competição de alta pressão. Cada detalhe pesa”, costuma repetir a comissão técnica da base em entrevistas recentes. O discurso serve de norte para a revisão de processos, da captação de talentos à gestão emocional em jogos eliminatórios.
O peso recai com força sobre quem erra a última cobrança. A imagem do jovem palmeirense deixando o gramado cabisbaixo contrasta com o abraço dos companheiros, que tentam blindá-lo de críticas imediatas. Em clubes de grande torcida, falhas em mata-mata de base muitas vezes ecoam nas redes sociais antes mesmo da volta ao vestiário. A preocupação agora é proteger o jogador, trabalhar a confiança e evitar que um lance isolado determine a leitura sobre seu potencial.
Consequências no clube e impulso ao Ibrachina
A queda diante de um adversário emergente, sediado na capital paulista e com projeto recente de formação, também tem impacto institucional. O Palmeiras investe pesado na base, com estrutura de centro de treinamento, comissões fixas e acompanhamento individualizado de atletas. Resultados na Copinha funcionam como vitrine desse modelo. Em 2026, a eliminação nas quartas retira do clube a chance de figurar nas finais transmitidas em horário nobre, espaço que costuma valorizar jovens e acelerar negociações.
Para o Ibrachina, o cenário é oposto. A classificação histórica projeta o clube a um novo patamar de visibilidade. Jogadores que até poucas semanas eram pouco conhecidos fora do circuito da base agora aparecem em relatórios de analistas de desempenho de equipes da Série A e B. A vitória nos pênaltis, em cima de um gigante nacional, reforça o discurso de que projetos independentes podem competir com estruturas tradicionais quando combinam metodologia, captação e ambiente estável.
Internamente, a diretoria palmeirense deve usar a Copinha como termômetro para o restante do ano. Parte desse elenco sub-20 tem contrato até dezembro e precisa de definição: alguns podem ser incorporados ao grupo profissional, outros emprestados para clubes menores, e há quem retorne ao sub-17 para sequência de desenvolvimento. A performance nos 2 a 2 do tempo normal e na sequência de pênaltis influencia essas decisões, mas não pode ser o único critério, sob risco de supervalorizar um recorte de 90 minutos.
A torcida, acostumada a ver a base responder em campo e no mercado, tende a cobrar explicações. Questionamentos sobre escolha de titulares, substituições e preparação mental aparecem em conselhos, reuniões internas e programas esportivos. O Departamento de Futebol defende que a Copinha, embora relevante, é apenas uma das etapas da formação. A prioridade, afirmam dirigentes em conversas reservadas, continua sendo preparar atletas para jogos com 40 mil pessoas no Allianz Parque, não apenas para janeiro em São Paulo.
Recomeço imediato e Copa São Paulo como espelho
A eliminação não encerra a temporada para esses jovens. Ao contrário. Em no máximo 60 dias, muitos estarão em campo pelo Campeonato Brasileiro sub-20 ou pela Copa do Brasil da categoria, competições que se estendem ao longo do ano e oferecem ambiente de correção de rota. A comissão técnica terá tempo para revisar o planejamento, redistribuir funções em campo e testar novas lideranças dentro do elenco.
O erro no pênalti final tende a ser lembrado como cicatriz, não como sentença. A história recente do futebol brasileiro é farta em exemplos de jogadores que falham em decisões na base e, anos depois, levantam taças pelo profissional. O desafio do Palmeiras é transformar a frustração desta terça-feira em matéria-prima para amadurecimento, sem ignorar a cobrança que vem da arquibancada e das redes sociais. Para o Ibrachina, a noite de 20 de janeiro de 2026 entra no calendário como ponto de virada. Para o Palmeiras, fica a pergunta que acompanhará o trabalho ao longo do ano: que tipo de jogador a base quer formar quando a bola está na marca do pênalti e o relógio já parou?
