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Bodo/Glimt atropela Manchester City e faz história na Champions

O Bodo/Glimt derruba o Manchester City por 3 a 1 nesta terça-feira (20), em Bodo, e conquista sua primeira vitória na fase principal da Liga dos Campeões. O resultado histórico complica a vida do atual campeão europeu, que chega à última rodada ameaçado de ficar fora do mata-mata.

Zebra em gramado sintético e noite histórica na Noruega

O Estádio Aspmyra, com menos de 10 mil lugares e gramado sintético, vira o centro do futebol europeu por 90 minutos. Sob temperaturas baixas e clima de fim de férias para o elenco norueguês, o Bodo transforma um jogo que parecia previsível em uma das maiores zebras recentes da Champions.

Hogh, camisa 9 do Bodo, marca duas vezes em dois minutos ainda no primeiro tempo e desmonta o sistema defensivo improvisado de Pep Guardiola. Hauge amplia com um golaço na etapa final. Cherki desconta e evita um vexame ainda maior para o City, que termina a partida com um a menos após expulsão de Rodri. A equipe inglesa, dona de 13 pontos, corre o risco real de sair da zona de classificação às oitavas na 7ª de 8 rodadas da fase de liga.

O contexto só aumenta a dimensão do resultado. O Bodo chega ao jogo sem ritmo competitivo, após o fim do Campeonato Norueguês no início de dezembro, e com o elenco retomando treinos especificamente para encarar o City. A diferença de orçamento, elenco e tradição é brutal. Em campo, porém, pesa mais a organização norueguesa e a sucessão de erros defensivos ingleses.

Apagão defensivo do City e eficiência brutal de Hogh

O jogo começa como se espera: o Manchester City domina a posse de bola, empurra o Bodo para o campo de defesa e tenta envolver o rival com trocas rápidas de passe. Haaland, Foden e Cherki circulam entre as linhas, mas produzem pouco. A primeira grande chance aparece aos 20 minutos, quando Cherki recebe na área após jogada de Aït-Nouri e finaliza forte. Haikin defende com a perna esquerda e segura o 0 a 0.

O castigo vem rápido. Aos 21 minutos, a defesa do Bodo afasta um ataque inglês, Alleyne erra na antecipação e abre um corredor para o contra-ataque. Blomberg dispara pela direita e cruza na medida para Hogh se atirar na bola e cabecear entre as pernas de Donnarumma. A torcida local quase não tem tempo de respirar. Dois minutos depois, o jovem zagueiro do City se complica de novo, perde a dividida, e Hogh aparece cara a cara com Donnarumma para fazer 2 a 0.

O estádio vibra como em final, e o City parece atordoado. Hogh quase marca o terceiro ainda na primeira etapa, em lance de pura insistência, mas o gol é anulado por impedimento de Bjorkan no início da jogada. Do outro lado, Haaland vive uma tarde atípica em sua terra natal. O norueguês perde um gol que costuma fazer de olhos fechados, ao desviar cruzamento rasteiro pela esquerda e ver a bola passar rente à trave.

Guardiola mexe na postura da equipe no intervalo e o City volta mais agressivo, mas encontra um Bodo compacto, recuado e confiante. Aos 12 minutos do segundo tempo, o castigo se repete. Hauge recebe aberto pela esquerda, conduz para o meio e finaliza colocado no ângulo de Donnarumma, que apenas observa: 3 a 0 e atmosfera de incredulidade no lado inglês.

O City reage dois minutos depois. Cherki encontra espaço na entrada da área e solta uma pancada, diminuindo para 3 a 1 e recolocando o time no jogo. A possibilidade de uma virada à la City dura pouco. Rodri, já pressionado pela função de proteger uma zaga frágil, comete duas faltas em sequência e recebe dois cartões amarelos. O vermelho deixa os ingleses com um a menos em cenário já adverso.

Tabela embaralhada, City sob pressão e Bodo sonhando alto

Com 13 pontos e agora em 4º lugar, o Manchester City passa a depender dos outros resultados da rodada para não sair da zona de classificação às oitavas. O tropeço em Bodo reforça a sensação de vulnerabilidade de uma equipe acostumada a controlar todos os aspectos do jogo. As lesões de Stones, Rúben Dias e Gvardiol expõem uma defesa remendada, formada nesta terça-feira por Khusanov e o inexperiente Alleyne, de apenas cinco partidas pelo clube.

A diretoria já tenta reagir ao problema estrutural. O City contrata Marc Guéhi, destaque do Crystal Palace, para reforçar a zaga, mas o defensor de 25 anos ainda não está inscrito na Champions e não pode ajudar na fase de liga. Enquanto isso, a responsabilidade recai sobre jovens como Alleyne, alvo direto das investidas do Bodo. O efeito aparece no placar e na confiança da equipe, que também sofre no ataque. Haaland, Foden e Cherki criam pouco, e o norueguês ainda desperdiça chance clara no fim do primeiro tempo.

Do outro lado, o Bodo salta para a 26ª posição geral, com 6 pontos, e entra de vez na briga por uma vaga nos playoffs. O Napoli, com 7 pontos, é o primeiro time dentro da zona de repescagem para o mata-mata. Uma vitória norueguesa na última rodada pode selar uma classificação inédita e transformar a campanha em conto de fadas moderno da Champions.

O placar de 3 a 1 poderia ser ainda mais largo. O Bodo tem dois gols anulados por impedimento na etapa final, um deles de Hogh, que chega a comemorar o hat-trick antes de ver a intervenção do VAR. Hauge acerta o travessão em jogada quase idêntica ao seu gol, em chute de fora da área. Mesmo com a vantagem confortável, o time de Kjetil Knutsen mantém a ambição ofensiva e só desacelera nos minutos finais, quando controla o ritmo e impede qualquer esboço de pressão inglesa.

Rodada final decisiva e contas para City e Bodo

A última rodada da fase de liga concentra todas as equipes em campo no mesmo horário: 28 de janeiro, às 17h (de Brasília). O Manchester City volta para casa sob pressão e recebe o Galatasaray em jogo que ganha ares de decisão precoce para o elenco de Guardiola. Antes disso, no fim de semana, enfrenta o lanterna Wolverhampton pelo Campeonato Inglês, compromisso que pode servir como termômetro da resposta emocional ao tombo na Noruega.

O Bodo, ainda sem ter iniciado a nova edição do Campeonato Norueguês, projeta a visita ao Atlético de Madrid embalado pela noite de gala em Aspmyra. O calendário local, que evita jogos no rigor do inverno europeu, permite concentração total no duelo continental. O clube sabe que uma nova atuação perto da perfeição pode mudar sua história na Champions e reescrever a hierarquia entre gigantes e intermediários na Europa. A dúvida que fica depois da zebra em Bodo é se o City leva o golpe como alerta para reagir ou como início de um declínio inesperado na competição que domina nos últimos anos.

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