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Palmeiras poupa titulares, leva 4 a 0 do Novorizontino e vive pior noite da era Abel

O Palmeiras é atropelado pelo Novorizontino por 4 a 0, na noite desta terça-feira (20), no Estádio Jorge Ismael de Biasi, e registra a maior derrota desde a chegada de Abel Ferreira em 2020. A goleada, pela quarta rodada do Campeonato Paulista, derruba a campanha perfeita, liga o alerta às vésperas do clássico com o São Paulo e recoloca o time do interior como protagonista do torneio.

Goleada nasce da estratégia de poupar e de uma noite impecável de Robson

Abel desembarca em Novo Horizonte com um plano claro: preservar a base campeã para sábado, dia 24, no Choque-Rei. Escala uma formação mista, com garotos da base e reservas em busca de espaço. A decisão abre uma brecha que o Novorizontino explora desde os primeiros minutos, com intensidade alta, marcação agressiva e uma precisão rara nas finalizações.

O time da casa não precisa de muitas chances para assumir o controle. Aos 20 minutos do primeiro tempo, um escanteio mal afastado por Flaco López vira o primeiro golpe. A bola sobra limpa, e Robson se antecipa, cabeceia para o gol vazio e inaugura a noite que o consagra como carrasco definitivo do Palmeiras.

O Verdão tenta responder rápido. Avança as linhas, pressiona a saída de bola e encontra em Riquelme Fillipe a melhor chance do empate. O jovem atacante entra na área, testa firme, mas para em defesa segura de Jordi. O lance aumenta o volume ofensivo alviverde, mas também escancara o risco atrás.

Quando o Palmeiras finalmente empurra o adversário para o próprio campo, o castigo vem em um contra-ataque cirúrgico. Maik recebe pela direita e cruza na segunda trave. Piquerez não consegue interceptar, e Robson emenda de primeira, de pé direito, para fazer 2 a 0 ainda na etapa inicial. O estádio sente o momento. O banco do Novorizontino vibra como em decisão, enquanto Abel encara o gramado, imóvel.

O intervalo não muda o roteiro. O Palmeiras volta com mais posse, mas segue vulnerável. Aos 16 minutos do segundo tempo, um erro na saída de bola desmonta qualquer reação. Luighi tenta iniciar a jogada pelo meio, perde a bola para Hélio Borges, e o atacante acelera em direção à área. No rebote, Robson encontra o gol aberto e completa o hat-trick, o oitavo gol em nove jogos contra o clube alviverde em passagens por Coritiba, Fortaleza e agora Novorizontino.

O terceiro gol desmonta de vez o visitante. A partir daí, o time de Eduardo Baptista joga solto, troca passes com confiança e transforma a goleada em ameaça de vexame histórico. Hélio Borges recebe pela esquerda aos 28, arrisca o chute cruzado, vê a bola desviar em Benedetti e enganar Marcelo Lomba: 4 a 0, com naturalidade desconfortável para um confronto entre atual bicampeão paulista e um clube de orçamento muito menor.

Queda de desempenho expõe defesa, mexe na tabela e pressiona Abel

A goleada tem efeito imediato na classificação. O Palmeiras deixa a liderança geral, cai para o terceiro lugar, estacionado em 9 pontos e com saldo negativo de um gol. O Novorizontino chega também aos 9, assume a vice-liderança graças ao saldo de seis gols e coloca pressão extra sobre o Red Bull Bragantino, que ainda entra em campo na quarta-feira (21) para defender a ponta contra o Mirassol.

O resultado vai além da matemática. A atuação desmonta a imagem recente de segurança defensiva que acompanha o trabalho de Abel. Em 90 minutos, a equipe sofre quatro gols, cede ao menos cinco chances claras e depende de erros do adversário para não sair com um placar ainda mais pesado. No fim, um chute de Patrick passa raspando a trave e quase transforma a noite em 5 a 0.

No gramado, o sentimento é de constrangimento. O lateral-esquerdo Piquerez não esconde a frustração e fala em tom duro. “É vergonha. O que vamos falar no vestiário vai ficar lá”, diz, em entrevista ainda à beira do campo. A frase resume a temperatura interna após uma derrota que derruba uma invencibilidade de início de temporada e reabre o debate sobre o limite da rotação do elenco.

Abel tenta blindar os mais jovens, alvo imediato das críticas pela quantidade de erros na saída de bola e nas coberturas defensivas. “Sei o que estou fazendo”, afirma, ao defender publicamente a decisão de escalar um time alternativo. O português admite “um golpe duro”, mas reforça que a prioridade é administrar a carga física e manter o grupo inteiro para a maratona de 2026, que inclui Paulistão, Libertadores, Brasileiro e Copa do Brasil.

O outro lado comemora a noite que entra para a história local. O Novorizontino vê o 4 a 0 como afirmação de projeto. Em um campeonato no qual clubes do interior costumam oscilar após o início, o time se coloca como candidato real a vaga no mata-mata e a incômodo constante aos grandes. A vitória sobre um dos elencos mais caros do país, com folha salarial muitas vezes superior, reforça a imagem de equipe competitiva e bem treinada.

A partida também reafirma a relação especial de Robson com o confronto. Aos 34 anos, o atacante amplia números que já impressionam a comissão técnica palmeirense: são agora oito gols em nove duelos contra o Verdão. O hat-trick desta terça-feira alimenta o rótulo de carrasco e deve pesar em qualquer planejamento defensivo quando os clubes voltarem a se encontrar.

Clássico contra o São Paulo vira teste imediato de resposta

A derrota em Novo Horizonte muda o clima da semana que leva ao clássico de sábado, às 16h, contra o São Paulo. O jogo, que já valia liderança de grupo e narrativa de início de temporada, vira agora um exame de maturidade para o elenco e para o próprio Abel. Uma nova atuação insegura pode transformar o tropeço isolado em crise precoce.

O treinador ganha pouco tempo para reorganizar a casa. Precisa recolocar os titulares em ritmo competitivo, ajustar a proteção à zaga e calibrar a confiança dos garotos que saem de campo sob olhares desconfiados. Pesa a seu favor o histórico desde 2020, com títulos, reações rápidas a derrotas pesadas e capacidade de reconstruir a equipe em momentos de turbulência.

No vestiário do Novorizontino, o clima é outro. A equipe se prepara para manter a intensidade nas próximas rodadas e consolidar a vaga no mata-mata estadual. A vitória por 4 a 0 sobre o atual campeão não vale troféu, mas altera a forma como torcedores, rivais e mercado olham para o clube. Em um Paulistão que se mostra mais equilibrado a cada ano, a noite desta terça-feira vira referência de que poupar demais pode custar caro.

A reação do Palmeiras, positiva ou não, começa a ser escrita já no Morumbi. A goleada em Novo Horizonte entra para a estatística como a maior derrota da era Abel Ferreira, mas o real tamanho desse 4 a 0 só ficará claro quando se souber se o resultado é tropeço isolado ou ponto de inflexão na temporada.

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