Macron usa óculos escuros em Davos para esconder inflamação no olho
Emmanuel Macron discursa de óculos escuros no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira (20), para disfarçar uma inflamação que deixa um dos olhos inchado e avermelhado. O presidente francês admite o desconforto, classifica o quadro como inofensivo e recorre ao humor para conter especulações sobre sua saúde.
Óculos escuros no palco e piada com “Eye of the Tiger”
O gesto chama a atenção do público e da imprensa logo nos primeiros minutos de participação de Macron no encontro anual, que reúne chefes de Estado, executivos e acadêmicos em Davos, na Suíça. Em um ambiente em que cada detalhe de linguagem corporal é observado, o acessório escuro, pouco comum em palcos formais, vira assunto paralelo ao conteúdo econômico do fórum.
Macron não tenta esconder o motivo. Já nos compromissos que antecedem Davos, o presidente explica que enfrenta uma inflamação em um dos olhos, visivelmente inchado e avermelhado em fotos oficiais. Ele volta a tratar do tema ao se dirigir aos presentes, pede desculpas pela aparência e reforça que o problema é, segundo suas palavras, “completamente inofensivo”.
O episódio não começa em Davos. Dias antes, durante visita a uma base militar em Istres, no sul da França, Macron já surge de óculos escuros ao inspecionar tropas. A mudança de visual desperta curiosidade entre militares e fotógrafos. Em seu discurso de Ano Novo às Forças Armadas, transmitido para milhares de integrantes, o presidente menciona o olho irritado e trata de neutralizar boatos ao afirmar que passa bem.
O clima ganha leveza quando ele recorre à cultura pop para explicar a situação. Diante dos soldados, Macron brinca que o incômodo ocular poderia ser interpretado como uma espécie de homenagem involuntária a “Eye of the Tiger”, música que marca o filme “Rocky III”, de 1982, com Sylvester Stallone. A referência arranca risos da plateia e indica a estratégia escolhida pelo líder francês: admitir a fragilidade sem dramatizar.
Transparência, imagem pública e leitura política
A escolha de comentar abertamente uma questão pessoal de saúde não é casual. Em um cenário em que rumores circulam em segundos, o presidente tenta se antecipar aos comentários que poderiam se espalhar nas redes e na imprensa internacional. Ao tratar o episódio com ironia controlada, Macron sinaliza que mantém o controle da narrativa, mesmo diante de um detalhe físico que foge ao padrão de solenidade.
A foto do presidente com óculos escuros, em um dos palcos mais fotografados do mundo, alimenta milhares de publicações no X, no Instagram e em plataformas locais francesas. Em poucas horas, perfis oficiais e contas de análise política repercutem a imagem e retomam o vídeo em que ele fala de “Eye of the Tiger”. A associação ajuda a fixar a ideia de que se trata de um desconforto pontual, e não de um quadro clínico grave mantido em segredo.
Especialistas em comunicação política destacam que, em eventos como o Fórum Econômico Mundial, qualquer sinal de fragilidade física costuma ser escrutinado. Líderes evitam detalhes sobre saúde, temendo a leitura de perda de comando. Macron segue caminho oposto. Ao dizer que o problema é “completamente inofensivo” e ao aparecer repetidas vezes com o mesmo acessório, ele busca esvaziar teorias conspiratórias e reforçar uma imagem de transparência.
O episódio ocorre a menos de um ano de novas rodadas eleitorais na Europa e em um momento em que a confiança em instituições é testada por crises econômicas, guerras e polarização. Em países como a França, escândalos envolvendo sigilo médico de governantes, registrados em décadas passadas, ainda alimentam desconfiança. Ao tratar um detalhe aparentemente banal com franqueza, Macron tenta se distanciar dessa tradição de opacidade.
Redes sociais, bastidores e próximos passos
Nos bastidores de Davos, assessores de delegações estrangeiras comentam que o assunto rende conversas informais nos corredores, mas não altera o peso político das intervenções francesas no fórum. A agenda segue com reuniões bilaterais e painéis sobre crescimento, transição energética e conflitos em curso, enquanto a curiosidade em torno dos óculos escuros se mantém como nota lateral, mas persistente.
A repercussão, porém, deixa um rastro. Ao mostrar um líder disposto a expor uma vulnerabilidade física sem recorrer a notas oficiais longas ou termos técnicos, o episódio reforça uma tendência recente na comunicação de chefes de Estado: respostas rápidas, diretas e, quando possível, bem-humoradas diante de situações inesperadas. A forma como Macron conduz a questão oferece um roteiro a outros governantes e comunicadores, que veem no caso um exemplo de como um detalhe de aparência pode ser administrado para não ofuscar temas de fundo.
As próximas aparições públicas do presidente francês devem indicar se o uso de óculos escuros permanece ou se a inflamação recua nos próximos dias. A normalização gradual da imagem tende a encerrar o episódio, mas o registro de Davos segue disponível em fotos, vídeos e memes que circulam com velocidade global. Entre fóruns econômicos, crises internacionais e disputas domésticas, a cena de um presidente de aviador em pleno inverno suíço se soma ao conjunto de imagens que moldam, a cada ano, a percepção do público sobre quem governa grandes potências.
