Botafogo apresenta Martín Anselmi e mira venda definitiva de Cuiabano
Martín Anselmi é apresentado nesta terça-feira (20) como novo técnico do Botafogo para 2026, no Estádio Nilton Santos. No mesmo dia, ganha força nos bastidores a informação de que o Nottingham Forest só aceita negociar Cuiabano em venda definitiva, o que pressiona o planejamento alvinegro para a temporada.
Anselmi inicia era no Nilton Santos sob alta expectativa
A coletiva começa pontualmente às 14h e inaugura, diante das câmeras da Botafogo TV, a gestão de um treinador tratado internamente como aposta central para 2026. Anselmi, argentino que já trabalha com o elenco desde a reapresentação no início de janeiro, fala pela primeira vez como técnico do time principal, na véspera da estreia contra o Volta Redonda, marcada para quarta-feira, às 19h, no mesmo estádio.
O palco ajuda a compor a mensagem que a SAF tenta transmitir. A apresentação ocorre no Nilton Santos, casa do clube desde 2007, e não em uma sala fechada em General Severiano. A opção reforça o discurso de proximidade com a arquibancada e a tentativa de virar a página depois de temporadas marcadas por oscilações bruscas, inclusive em 2023 e 2024, quando o time alterna briga na parte de cima da tabela e quedas traumáticas na reta final.
A transmissão ao vivo pela Botafogo TV e pelo site oficial amplia o alcance da cerimônia, hoje parte do roteiro obrigatório de qualquer grande clube. Dirigentes, membros da comissão técnica e profissionais de comunicação circundam o novo treinador, que já chega com a responsabilidade de estruturar o time logo no primeiro trimestre, período em que o calendário brasileiro costuma condensar Estadual, início da Copa do Brasil e definição de vagas em competições continentais.
O discurso de Anselmi, ainda que protocolar em alguns pontos, sinaliza foco imediato em organização tática e velocidade na transição ofensiva, marcas de seus trabalhos anteriores. O treinador fala em “time protagonista, que se impõe com e sem a bola” e indica que a base do modelo será implementada desde as primeiras rodadas, sem esperar por janela de meio de ano. A promessa agrada parte da torcida, ansiosa por uma identidade clara de jogo após mudanças frequentes no comando técnico.
Mercado agitado e impasse em torno de Cuiabano
Enquanto a entrevista coletiva ocupa as câmeras, o mercado da bola avança em outra frente sensível para o Botafogo. No programa “Fala a Fonte”, da ESPN, o jornalista Bruno Andrade revela que o Nottingham Forest não tem interesse em emprestar Cuiabano. Segundo a informação, os ingleses avisam interlocutores que só abrem conversa por meio de venda definitiva do lateral-esquerdo.
A posição do Forest muda o tabuleiro para os dirigentes alvinegros. Um empréstimo, com opção de compra ao fim de 2026, permitiria menor impacto imediato na folha salarial e no orçamento de transferências. Uma venda em caráter definitivo, por outro lado, costuma envolver cifras na casa de milhões de euros e exige replanejamento, sobretudo em um cenário de câmbio acima de R$ 5,00 e receitas ainda pressionadas por dívidas herdadas do período associativo.
Cuiabano, revelado no Grêmio e negociado ao futebol europeu, surge como alvo por ocupar uma posição carente no elenco e por reunir características valorizadas no modelo de jogo que a diretoria tenta consolidar: força física, saída curta desde a defesa e boa participação ofensiva. A rigidez do Nottingham Forest, porém, deixa claro que não haverá “negócio de ocasião”. Quem quiser o jogador, incluindo o Botafogo, terá de assumir compromisso financeiro de longo prazo.
O impasse acende alerta também entre outros clubes brasileiros que sondam o atleta, já que essa postura tende a elevar o patamar mínimo das propostas. Para o Botafogo, que encara 2026 como ano-chave para consolidar o projeto esportivo sob a gestão de SAF, a definição sobre Cuiabano pesa diretamente na montagem do elenco e na margem para novas contratações na janela de meio de ano.
Planejamento, pressão esportiva e próximos passos
A combinação entre a chegada de Anselmi e a novela de mercado em torno de Cuiabano expõe, em um mesmo dia, as duas frentes de pressão sobre o Botafogo em 2026. Dentro de campo, o técnico argentino estreia já nesta quarta-feira, diante do Volta Redonda, observado de perto por torcedores e analistas que cobram desempenho imediato, ainda que a pré-temporada tenha pouco mais de duas semanas de trabalho coletivo.
Fora de campo, a diretoria precisa decidir até onde pode ir para atender às exigências do Nottingham Forest sem comprometer o equilíbrio financeiro, ponto que a SAF vem tratando como linha vermelha desde a sua implantação. A opção por investir alto em um lateral pode significar menos margem em outras posições, como zaga e ataque, setores que também exigem reposição ao longo do ano.
As próximas semanas indicam se o clube consegue alinhar ambição esportiva e responsabilidade orçamentária. O desempenho de Anselmi nas primeiras rodadas e a evolução das conversas por Cuiabano vão servir de termômetro para a confiança da torcida e para a temperatura política interna. O novo treinador ganha o apito inicial com crédito, mas sabe que, no Botafogo atual, cada resultado pesa como se fosse decisão.
