Inmet emite alerta vermelho de chuvas para 167 cidades em MG
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emite alerta vermelho para 167 municípios de Minas Gerais nesta terça-feira (20/1) por risco alto de alagamentos e deslizamentos. A previsão indica até 100 milímetros de chuva por dia em parte do estado, o que eleva a ameaça sobre áreas urbanas e encostas.
Chuva volumosa pressiona cidades já saturadas
As regiões do Rio Doce, Mucuri e Zona da Mata amanhecem em tensão. Depois de vários dias de instabilidade, o solo está encharcado e qualquer nova pancada de chuva encontra pouca capacidade de absorção. O Inmet classifica o alerta como de “grande perigo”, o nível mais alto da escala de riscos meteorológicos.
O volume esperado, de até 100 milímetros em 24 horas, equivale a 100 litros de água sobre cada metro quadrado. Em áreas densamente ocupadas, com drenagem deficiente e rios já elevados, essa intensidade vira combustível para alagamentos rápidos, transbordamentos e deslizamentos de encostas. O cenário atinge tanto centros urbanos quanto comunidades rurais ao longo de rodovias e margens de rios.
O mapa desenhado pelo alerta se sobrepõe a regiões que carregam memória recente de tragédias provocadas pela chuva. Cidades da Zona da Mata e do Rio Doce ainda lembram enchentes e deslizamentos dos últimos anos, que deixaram mortos, desabrigados e um rastro de destruição em estradas, pontes e bairros inteiros. A repetição do risco, com novos episódios de chuva extrema, alimenta o temor de que falhas antigas de infraestrutura reapareçam.
Risco imediato de alagamentos, quedas de encostas e interrupções
O alerta vermelho do Inmet significa, na prática, que as próximas horas podem registrar grandes alagamentos em áreas baixas, transbordamentos de córregos e deslizamentos em morros habitados. Cada encosta instável, cada casa construída em área de risco, cada rua sem escoamento adequado se torna ponto crítico em potencial. Órgãos de defesa civil locais intensificam o monitoramento e colocam equipes em prontidão.
Em boletins recentes, o instituto orienta moradores a desligar aparelhos elétricos e, se possível, o quadro geral de energia durante chuva forte e constante. A recomendação inclui observar qualquer alteração em encostas próximas, como rachaduras, estalos e deslocamento de terra, e deixar imediatamente o local em caso de suspeita de movimentação do solo. Em trechos sujeitos a inundações, a indicação é proteger pertences em sacos plásticos, elevar móveis e evitar atravessar áreas alagadas a pé ou de carro.
O alerta atinge o cotidiano das cidades. Há risco de interrupção de vias importantes, isolamento de bairros, suspensão de aulas e mudanças repentinas na rotina de serviços públicos. Comunidades ribeirinhas acompanham de perto o nível dos rios, enquanto prefeaturas avaliam a necessidade de evacuações pontuais em ruas e morros historicamente vulneráveis. Hospitais e unidades de saúde se preparam para ocorrências ligadas a deslizamentos, quedas, alagamentos e doenças associadas à água contaminada.
O impacto não se limita à segurança imediata. Em áreas rurais, estradas vicinais podem ficar intrafegáveis, atrasando o escoamento de produção agrícola e o acesso a insumos. Pequenos comércios em regiões inundáveis correm risco de prejuízos em estoque e equipamentos. A combinação de solo encharcado e mais chuva também aumenta a chance de danos a estruturas de contenção antigas ou mal dimensionadas.
Prevenção em xeque e desafios para os próximos dias
O Inmet mantém monitoramento constante das imagens de satélite e radares, enquanto defesas civis municipais acompanham áreas de risco com visitas e vistorias técnicas. Equipes são orientadas a acionar sirenes, onde existirem, e a reforçar a comunicação direta com moradores por carros de som, mensagens em aplicativos e rádios locais. A rapidez na emissão e compreensão dos alertas se torna peça central para reduzir danos.
A experiência recente com eventos extremos em Minas Gerais expõe fragilidades estruturais que se repetem. Em muitas cidades, o avanço de ocupações em encostas e margens de rios supera a capacidade de planejamento urbano e de investimento em drenagem e contenção. A cada novo período chuvoso, a discussão sobre políticas públicas de prevenção volta à pauta, com cobrança por obras duradouras, fiscalização mais rígida e programas de reassentamento de famílias em risco.
Os próximos dias devem ser decisivos para medir o alcance deste episódio de chuva intensa. Caso o volume previsto se confirme, a rede de proteção social, de abrigos emergenciais a assistência direta a desabrigados, pode ser novamente exigida ao limite. A resposta do poder público, a forma como as cidades lidam com a emergência e a capacidade de transformar o alerta em prevenção real vão definir se este será apenas mais um período chuvoso difícil ou o estopim para uma mudança estrutural na forma como o risco de desastres é enfrentado em Minas Gerais.
