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Feriado de São Sebastião altera rotina e serviços no Rio nesta terça

O feriado de São Sebastião, celebrado nesta terça-feira (20) no Rio de Janeiro, muda a rotina de milhões de cariocas. Repartições públicas, bancos, mercados e shoppings operam em esquema especial, com fechamentos e horários reduzidos ao longo do dia.

Serviços públicos em ritmo de feriado

A cidade acorda em compasso diferente. Nas principais vias da região central, o movimento de ônibus é menor do que em uma terça-feira comum, e muitos pontos de atendimento público permanecem de portas fechadas. O calendário municipal prevê o feriado em 20 de janeiro em homenagem a São Sebastião, padroeiro do Rio desde o século XVI, e concentra em um único dia mudanças em setores que, em dias úteis, atendem milhares de pessoas.

Unidades básicas de saúde, clínicas da família e repartições administrativas funcionam com equipes reduzidas ou escalas de plantão. Serviços não emergenciais, como atendimento presencial para emissão de documentos, marcação de consultas eletivas e protocolos administrativos, ficam suspensos. A rotina em hospitais de emergência e prontos-socorros segue mantida, mas com demanda maior prevista para casos que normalmente seriam resolvidos nas unidades de atenção primária. “Quem precisar de atendimento deve checar antes se a unidade de referência está aberta, para evitar deslocamentos inúteis”, orienta um servidor da área de saúde ouvido pela reportagem.

Bancos fechados, comércio em horário especial

As agências bancárias não abrem as portas nesta terça-feira. O atendimento presencial, incluindo operações de caixa, pagamentos e renegociações, fica concentrado nos canais digitais e nos caixas eletrônicos. Quem tem boletos com vencimento em 20 de janeiro pode pagar sem multa no próximo dia útil, segundo regra já consolidada pelo setor financeiro. “É sempre no feriado que a gente lembra do boleto em papel”, comenta o aposentado Paulo Machado, 68, que foi surpreendido ao encontrar a agência fechada no Centro.

No comércio de bairro, a decisão de abrir ou não se espalha de forma desigual pela cidade. Em regiões com forte fluxo turístico, como Zona Sul e Barra da Tijuca, muitos mercados e lojas funcionam com horário reduzido, geralmente das 10h às 18h. Em bairros residenciais, parte dos pequenos estabelecimentos opta por não abrir, diante do custo de operação em feriado. Grandes redes de supermercados adotam escalas diferenciadas, com lojas abertas até mais tarde nas áreas de praia e com expediente encurtado na Zona Norte e na Zona Oeste. O setor calcula que feriados municipais como o de São Sebastião podem reduzir o faturamento de um dia útil em até 30%, dependendo da região.

Shoppings apostam em lazer e turismo interno

Shopping centers ajustam a engrenagem para tentar transformar o feriado em oportunidade de consumo. Em boa parte dos centros comerciais, as praças de alimentação e áreas de lazer abrem mais cedo, enquanto as lojas seguem um padrão intermediário, com funcionamento entre 13h e 21h. A Associação Brasileira de Shopping Centers costuma registrar aumento de até 15% no fluxo em datas de feriado local, puxado sobretudo por cinemas, restaurantes e atrações infantis. “O carioca aproveita o feriado para passear em família. O tíquete médio sobe um pouco, mas o perfil é mais de lazer do que de compra planejada”, afirma um executivo do setor.

Turistas que chegam à cidade encontram um cenário misto. Pontos turísticos tradicionais, como o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor, funcionam normalmente, com expectativa de movimento maior devido ao dia livre para moradores. Já serviços de apoio, como agências de turismo de bairro e pequenos receptivos, nem sempre acompanham o ritmo, o que pode gerar espera mais longa para transporte e passeios contratados na hora. O fluxo em praias da Zona Sul tende a crescer desde a manhã, favorecido pelas temperaturas de verão, que em anos recentes superam facilmente os 30 graus em janeiro.

Planejamento para evitar transtornos

Para a população, o impacto mais imediato está nas tarefas que exigem atendimento presencial. Quem precisa resolver pendências em repartições municipais, como regularização de IPTU, licenças ou cadastro em programas sociais, terá de aguardar a retomada do expediente. Em um mês já marcado por despesas extras, como material escolar e pagamento de tributos anuais, a suspensão de serviços bancários presenciais também adia negociações e acordos que não podem ser fechados por aplicativo. “Fico sem conseguir falar com o gerente, e isso me atrasa”, diz a autônoma Carla Nunes, 39, que tentava ajustar o limite do cartão em uma agência em Madureira.

No transporte, o ritmo de domingo adotado por parte das linhas de ônibus e trens significa menos veículos circulando e maior intervalo entre partidas. A economia de combustível e de operação, do ponto de vista das empresas, contrasta com a espera prolongada para quem trabalha em escala de plantão ou em serviços que não param, como hotéis, bares, restaurantes e unidades de saúde. Em bairros periféricos, moradores costumam relatar viagens mais longas e ônibus cheios no começo da manhã e ao fim da tarde, quando equipes entram e saem dos turnos.

Entre a devoção e o descanso, uma cidade em compasso de pausa

O feriado de São Sebastião tem um componente simbólico que atravessa a história do Rio. A cidade fundada em 1565 leva o nome do santo, escolhido como padroeiro e invocado tradicionalmente em momentos de epidemias e crises. As celebrações religiosas se concentram em missas e procissões, que reúnem fiéis desde as primeiras horas do dia em igrejas do Centro e de bairros como Tijuca e Penha. A combinação de ritos religiosos com clima de verão reforça a percepção de uma pausa coletiva antes do retorno definitivo à rotina do ano.

A cada 20 de janeiro, o Rio experimenta, em escala local, um laboratório de reorganização da vida urbana. A forma como serviços públicos e privados se adaptam ao feriado expõe as fragilidades do atendimento presencial e a crescente dependência de soluções digitais. A população se vê obrigada a antecipar pagamentos, agendar compras e reorganizar deslocamentos em um mês já apertado para o orçamento. A dúvida que se impõe, à medida que o uso de aplicativos se expande e o número de feriados municipais permanece estável, é se a cidade conseguirá, nos próximos anos, reduzir o impacto desses dias de pausa sem abrir mão do significado cultural que carregam.

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