WhatsApp testa foto de capa no perfil para usuários de iPhone
O WhatsApp começa a testar, neste 19 de janeiro de 2026, uma foto de capa atrás da imagem de perfil para donos de iPhone. A novidade, em fase inicial, amplia a personalização do aplicativo e traz novos dilemas de privacidade.
Personalização em formato de banner no mensageiro
Usuários da versão de testes do WhatsApp para iOS relatam que o aplicativo libera gradualmente um banner atrás da foto redonda de perfil. O recurso, revelado pelo site especializado WaBetaInfo, funciona de forma parecida com a capa do Facebook e reforça a tentativa da Meta de aproximar o mensageiro de uma rede social mais visual.
Na prática, a mudança aparece na tela de perfil, onde surge um ícone em formato de lápis no canto inferior direito. Ao tocar ali, o usuário pode escolher uma foto já salva no aparelho ou tirar uma nova imagem na hora, usando a câmera do iPhone, para servir como capa. Em poucos toques, o perfil deixa de ser apenas a foto circular tradicional e ganha um pano de fundo mais amplo, que ocupa quase toda a tela.
A experiência lembra o que o WhatsApp Business oferece há algum tempo. Na versão para empresas, a capa é usada para mostrar fachada de loja, cardápio, horário de funcionamento ou fotos de produto. Agora, o recurso migra para o público comum, mas com uma diferença importante: no mensageiro pessoal, a visibilidade da imagem não é totalmente aberta por padrão.
De acordo com os relatos dos testadores, a capa ganha o mesmo conjunto de controles de privacidade já aplicados à foto de perfil. O dono da conta pode deixá-la pública, visível apenas para contatos salvos, restrita a uma lista específica ou invisível para determinados números. Esse ajuste fino busca evitar a exposição automática de imagens pessoais para desconhecidos em uma plataforma com mais de 2 bilhões de usuários ativos no mundo.
Privacidade, golpes e disputa por atenção do usuário
A possibilidade de exibir mais fotos desperta interesse estético, mas também alerta especialistas em segurança digital. Imagens públicas já servem hoje de matéria-prima para golpes, perfis falsos e montagens com ferramentas de inteligência artificial. Uma capa bem visível pode revelar rosto, família, rotina, local de trabalho ou placa de carro, dados que facilitam abordagens fraudulentas.
Casos recentes de estelionatários que usam fotos abertas em redes sociais para se passar por parentes ou colegas de trabalho reforçam a preocupação. Quanto mais material disponível, maior a chance de uma imagem ser recortada, manipulada ou tirada de contexto. A decisão da Meta de oferecer controles de privacidade desde o início indica uma tentativa de blindar o recurso antes que ele vire um problema público de segurança.
A empresa, porém, não detalha como pretende orientar os usuários sobre esses riscos. A Meta não responde se planeja campanhas educativas específicas dentro do aplicativo para alertar sobre limites de exposição. Também não informa quando o recurso deixa a fase de testes nem se chegará aos celulares Android, sistema que concentra a maioria dos aparelhos ativos no Brasil.
A disputa por tempo de tela ajuda a explicar a aposta em um recurso visual. O WhatsApp disputa a atenção diária com Instagram, TikTok e outras plataformas que colocam fotos e vídeos no centro da experiência. Ao permitir capas personalizadas, o mensageiro dá mais um passo para se aproximar da dinâmica de um perfil social, mesmo mantendo a interface focada em conversas privadas e grupos.
Para o usuário comum, a mudança altera a forma como contatos são reconhecidos na agenda do app. A capa pode destacar a identidade de cada pessoa, família ou grupo de trabalho, facilitando a identificação rápida em meio a centenas de conversas. Em empresas, a tendência é reforçar a marca e padronizar a presença visual de funcionários, algo já explorado na versão Business desde antes de 2025.
O que muda agora e o que ainda depende da Meta
Por enquanto, o impacto concreto é limitado a um grupo pequeno de testadores no iOS. Quem usa Android segue sem acesso à novidade e sem previsão oficial. A Meta evita cravar datas e não confirma se a capa será liberada globalmente, como aconteceu com o status com fotos e vídeos, lançado de forma gradual a partir de 2017.
A experiência da versão Business indica, porém, que a empresa enxerga valor estratégico nesse tipo de vitrine visual. Lá, a foto de capa é pública por padrão, pensada para atrair clientes e reforçar a identidade comercial. No uso pessoal, a chave será o equilíbrio entre expressão e discrição. O usuário poderá testar a imagem, ajustar as regras de visibilidade e, se se arrepender, remover a capa a qualquer momento.
O avanço ocorre em um momento em que o debate sobre privacidade ganha urgência, impulsionado por leis como a LGPD, em vigor no Brasil desde 2020, e pela popularização de ferramentas de edição com inteligência artificial. Cada novo espaço para fotos se torna também um novo ponto de atenção jurídica, técnica e comportamental.
Nos próximos meses, a reação dos primeiros testadores deve servir de termômetro interno para a Meta. Taxa de adoção, tipo de imagem usada, volume de denúncias de abuso e impacto em casos de golpe vão pesar na decisão de ampliar ou frear a distribuição. A forma como o WhatsApp responde a esses sinais define se a foto de capa vira parte natural do perfil ou mais um experimento que não passa da fase de testes.
O usuário, no fim, terá de decidir até onde quer transformar o mensageiro em vitrine. A capa pode ser só um detalhe estético, um cartão de visita digital ou uma nova porta de entrada para exposição desnecessária. A adoção em massa, se vier, mostrará qual dessas leituras prevalece.
