Nasa leva 1,5 milhão de nomes à Lua na missão Artemis II
A Nasa envia mais de 1,5 milhão de nomes na missão Artemis II, prevista para 6 de fevereiro de 2026, em um voo tripulado que vai orbitar a Lua. Os registros, gravados em um cartão de memória, seguem a bordo da cápsula Orion como estratégia de engajamento público com o novo programa lunar.
Nomes a bordo da próxima viagem à Lua
O cartão SD com os nomes fica instalado na Orion, espaçonave que sobe no topo do foguete Space Launch System (SLS), o mais poderoso da agência. Quem se cadastrou gratuitamente no site da Nasa pôde garantir lugar simbólico na viagem e ainda baixar um cartão de embarque personalizado, com nome, destino e número fictício de assento.
A campanha se aproxima do fim. O prazo divulgado pela agência para inclusão dos nomes se encerra em 21 de janeiro. Até agora, mais de 1,5 milhão de pessoas em todo o mundo aderem à iniciativa, que transforma uma missão técnica em experiência emocional para o público.
O voo da Artemis II deve durar cerca de 10 dias e repetir, em versão atualizada, a trajetória histórica da Apollo 8, em 1968. A cápsula leva quatro astronautas — três americanos e um canadense — em um arco ao redor da Lua antes do retorno à Terra. Eles não pousam na superfície, mas alcançam a maior distância já percorrida por humanos no espaço.
Em comunicado recente, Patty Casas Horn, vice-líder de Análise de Missões e Avaliações Integradas da Nasa, explica o caráter de teste da operação. “Desenvolvemos uma capacidade, testamos, desenvolvemos outra capacidade e testamos novamente. E chegaremos a pousar na Lua, mas o programa Artemis II é realmente sobre a tripulação”, afirma.
Engajamento digital em uma missão bilionária
A abertura para que qualquer pessoa envie seu nome ao espaço segue uma estratégia que a Nasa adota em outras missões, de voos a Marte a sondas interplanetárias. A lógica é simples: quanto mais gente se sente parte do projeto, maior tende a ser o interesse pela ciência, pela tecnologia e pelo próprio financiamento da exploração espacial.
No caso da Artemis II, esse engajamento ocorre em um programa que já consome bilhões de dólares do orçamento americano e marca o retorno de astronautas à vizinhança lunar após mais de meio século. A primeira missão Artemis, em 2022, testa o SLS e a Orion sem tripulação, em um voo de ida e volta à Lua que abre caminho para a etapa atual.
O deslocamento do foguete à plataforma de lançamento no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, simboliza a entrada em uma fase final de preparação. No dia 17 de janeiro, o SLS, com 98 metros de altura, deixa o gigantesco Edifício de Montagem de Veículos e percorre cerca de 6,4 quilômetros a 1,6 km/h, observado por centenas de técnicos e contratados.
O ensaio geral de contagem regressiva, previsto quatro dias antes do lançamento, funciona como filtro de risco. A Nasa simula cada etapa do cronograma, identifica falhas e decide se mantém a data de 6 de fevereiro de 2026. O objetivo é reduzir surpresas em uma operação que leva humanos a uma região do espaço onde qualquer erro custa caro.
O fato de a Artemis II não pousar na Lua responde menos a frustração e mais a planejamento. “A resposta curta é porque não tem capacidade para isso. Não se trata de um módulo de pouso lunar”, diz Horn. A etapa de descida à superfície fica reservada para missões futuras, que dependem de novos veículos e sistemas de suporte.
O que muda com a nova corrida lunar
Para o público que se cadastra no site, a recompensa é simbólica, mas poderosa. Cada nome gravado no cartão de memória representa uma conexão pessoal com um projeto que parecia restrito a astronautas e engenheiros. O cartão de embarque, baixado em segundos, vira lembrança impressa, postagem em rede social, conversa em sala de aula.
Para a Nasa, a iniciativa rende algo mais concreto: apoio político e social. Um programa de exploração lunar de longo prazo, com planos de bases permanentes e futuras viagens a Marte, depende de opinião pública favorável e de geração de novos talentos em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. A campanha de nomes funciona como porta de entrada para esse universo.
O impacto se espalha para além dos Estados Unidos. Jovens em diferentes países, incluindo o Brasil, acessam o formulário em poucos minutos e veem seus nomes integrados à missão. Em um cenário de concorrência com China e outras potências, a agência americana reforça a imagem de liderança aberta e cooperativa, em vez de um projeto fechado em disputas militares.
A Artemis II também retoma a dimensão simbólica das primeiras imagens da Terra vista da Lua. A foto feita na Apollo 8, com o planeta azul surgindo acima do horizonte lunar, ajuda a moldar a consciência ambiental e a percepção de fragilidade do mundo. Agora, a Nasa aposta que a nova viagem, com milhões de nomes a bordo, reacende esse tipo de reflexão em escala digital.
Os próximos passos já estão traçados. Se o voo de 2026 confirma o desempenho do SLS e da Orion com segurança, a agência avança para missões que ensaiam pousos, montagem de infraestrutura e permanência mais longa na vizinhança lunar. A pergunta que fica é quantos dos jovens que hoje enviam seus nomes ao cartão de memória estarão, nas próximas décadas, comandando de fato essas naves.
