Chefe da base do Palmeiras cobra elenco e exalta Ibrachina após queda na Copinha
O coordenador da base do Palmeiras, João Paulo Sampaio, manda um recado duro ao elenco e à torcida após a eliminação na Copinha 2026, nesta segunda-feira (19), na Arena Barueri. O dirigente admite atuação muito abaixo do esperado, reforça que “não jogamos p… nenhuma” e parabeniza o Ibrachina pela classificação às semifinais.
Cobrança pública após queda nos pênaltis
O desfecho da noite em Barueri contrasta com o histórico recente do clube na competição. Bicampeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o Palmeiras para nas quartas de final em 2026 ao perder nos pênaltis para o Ibrachina, após empate por 2 a 2 no tempo normal. Os erros de Eduardo Conceição, na quinta cobrança, e de João Paulo, já nas alternadas, selam a eliminação de um elenco formado para brigar pelo tricampeonato consecutivo.
Minutos depois da derrota, ainda sob o impacto da queda, João Paulo Sampaio recorre às redes sociais para falar diretamente com os garotos e com a torcida. O texto é curto, direto e sem suavizar o tom: “Agradecer à torcida e nossa entrega e luta na competição, pois futebol de verdade não jogamos p… nenhuma. Chorar e sentir faz parte para a formação”, escreve. A mensagem expõe a insatisfação com o desempenho, reconhece a frustração e tenta transformar o fracasso em ferramenta de aprendizado.
Formação em xeque e Copinha mais competitiva
O recado público atinge um dos pontos mais sensíveis do projeto esportivo do Palmeiras. A base se consolida nos últimos anos como ativo estratégico do clube, revelando nomes como Endrick e vendendo jogadores por dezenas de milhões de euros. Cada campanha na Copinha funciona como vitrine para a Europa e, ao mesmo tempo, como avaliação do trabalho interno na Academia de Futebol.
O coordenador não tenta proteger o grupo com explicações genéricas. Ao escrever “bom que sentimos e amanhã já tem trabalho e mais trabalho, sem desculpinhas”, ele deixa claro que a cobrança interna aumenta a partir de agora. O discurso aponta para treinos mais intensos, revisão de processos e atenção aos detalhes que pesam em jogos eliminatórios, como a preparação para cobranças de pênalti e gestão emocional em momentos de pressão.
A postura também joga luz sobre a ascensão de projetos como o do Ibrachina. O clube da Mooca, que já elimina Atlético-MG e Internacional antes de derrubar o Palmeiras, repete o roteiro de 2026 ao se colocar entre os quatro melhores da Copinha. Ao escrever “lindo o trabalho de vocês!!”, Sampaio reconhece, ainda que indiretamente, uma mudança de cenário: centros de formação menos tradicionais rivalizam com gigantes do país em desempenho, estrutura e metodologia.
A classificação leva o Ibrachina à semifinal contra o São Paulo, ainda sem data definida, enquanto o outro lado da chave opõe Grêmio e Cruzeiro, que se enfrentam na quarta-feira (21). A presença de um clube emergente no mesmo estágio de três campeões nacionais reforça a Copinha como laboratório de novas forças e pressiona os grandes a não tratar o torneio como mera extensão do calendário de base.
Impacto interno e resposta da base alviverde
A eliminação em 19 de janeiro de 2026 chega num momento em que a base palmeirense se acostuma a decisões e títulos. A queda precoce, considerando a expectativa do clube e da torcida, obriga a direção a reavaliar escolhas recentes, da montagem do elenco à estratégia de utilização dos principais talentos em diferentes categorias ao longo da temporada.
Os pênaltis perdidos por Eduardo Conceição e João Paulo simbolizam uma geração ainda em formação, exposta a um ambiente que simula a pressão do profissional. Para os jogadores, o impacto é imediato: perda de vitrine em um dos torneios mais assistidos do país em janeiro, redução de minutos em fases decisivas e necessidade de reconstruir confiança em poucos meses. Para a torcida, acostumada a ver a base decidir finais, a derrota desperta cobranças e comparações com campanhas recentes.
Dentro do clube, a mensagem de “sem desculpinhas” deve servir de linha mestra para a reação. A diretoria da base tende a intensificar avaliações individuais e coletivas, medir com mais rigor evolução técnica e mental, e decidir quem segue no processo de transição para o profissional ao longo de 2026. O episódio ainda alimenta um debate mais amplo: até que ponto a Copinha deve guiar decisões de carreira ou se manter como ferramenta dentro de um plano de desenvolvimento de longo prazo.
Próximos passos e pressão por respostas
O calendário não dá muito tempo para lamentações. Em menos de um mês, muitos dos jogadores que caem na Arena Barueri se reapresentam para torneios sub-20 e atividades integradas ao elenco principal. A comissão técnica se vê obrigada a trabalhar ao mesmo tempo a parte tática e a reconstrução emocional de um grupo que falha no primeiro grande teste do ano.
A atuação firme de João Paulo Sampaio indica que a base do Palmeiras entra em 2026 sob vigilância maior e tolerância menor a apresentações irregulares em jogos decisivos. A resposta virá nos próximos campeonatos, nos minutos concedidos aos garotos no time principal e na capacidade de o clube transformar uma noite de frustração em mais um capítulo de um projeto que se vende como referência. A Copinha termina para o Palmeiras, mas a pergunta que fica é simples e incômoda: como esse grupo vai reagir quando o próximo jogo eliminatório chegar?
