Bahia rejeita empréstimo e só libera Cauly por 10 milhões de euros
O Bahia recusa em janeiro de 2026 a proposta de empréstimo do São Paulo por Cauly e deixa claro que só negocia o meia-atacante em venda definitiva, por cerca de 10 milhões de euros. A postura praticamente encerra o interesse tricolor e expõe o abismo entre a ambição baiana e a capacidade de investimento do clube do Morumbis.
Bahia fecha a porta e muda cenário para o São Paulo
O movimento do Bahia esfria de vez a tentativa do São Paulo de contar com Cauly nesta janela de transferências. A oferta de empréstimo, formalizada há alguns dias, tem vida curta: a diretoria baiana responde de forma taxativa que só abre negociação em definitivo e a partir de uma proposta na casa dos 10 milhões de euros, algo em torno de R$ 62,5 milhões na cotação atual.
O valor é tratado internamente no Morumbis como irreal para o momento financeiro do clube. A avaliação é que uma operação desse porte comprometeria a política de controle de gastos e o desenho do elenco para 2026. A partir da resposta baiana, a tendência é o São Paulo se retirar das conversas e buscar alternativas mais compatíveis com o orçamento.
A informação da recusa é divulgada primeiro pela ESPN e confirmada pelo UOL com pessoas envolvidas na tratativa. A mensagem do Bahia é direta: Cauly, hoje com 30 anos, não deixa Salvador sem uma compensação robusta. O clube vê o jogador como um dos pilares técnicos do elenco e como ativo importante de mercado.
O meia-atacante vive boa fase desde que chega ao Bahia e se firma como um dos organizadores do setor ofensivo. Em 2025, participa de gols decisivos, como o marcado contra o Paysandu pela Copa do Brasil, e se torna referência para a torcida. Essa combinação de desempenho em campo e potencial de revenda sustenta a pedida alta e endurece a postura na mesa de negociações.
Mercado travado para Cauly e pressão por reforços no Morumbis
A exigência de 10 milhões de euros não afeta apenas o São Paulo. O patamar estabelecido pelo Bahia, na prática, restringe o mercado de Cauly a clubes com fôlego de investimento bem acima da média brasileira. Em um cenário de orçamentos apertados, poucos rivais conseguem chegar perto desse montante sem abrir mão de outras prioridades.
O caso expõe também a mudança de perfil do Bahia desde a entrada do Grupo City no controle da SAF. O clube deixa de ser vendedor em condição de fragilidade e passa a selecionar melhor as saídas. Ao mirar uma cifra de padrão europeu por um jogador de 30 anos, a direção sinaliza disposição para manter o atleta, mesmo correndo o risco de reduzir o valor de revenda com o passar das temporadas.
No Morumbis, o recuo nas conversas por Cauly aumenta a pressão por alternativas para o setor criativo. A diretoria admite internamente que o elenco precisa de um meia-atacante capaz de acelerar o jogo entre linhas e produzir gols e assistências com regularidade. O fracasso na tentativa de seduzir o Bahia com um empréstimo reforça o limite financeiro imposto pelo clube paulista após anos de endividamento e ajustes orçamentários.
Enquanto esbarra em Cauly, o São Paulo tenta avançar em movimentos considerados mais viáveis. O clube mantém conversas por empréstimo com o volante Allan, do Flamengo, e com o atacante argentino Julián Fernández, do New York City. As duas operações são desenhadas com divisão de salários e menor exposição a riscos financeiros, exatamente o oposto do que seria uma compra definitiva de 10 milhões de euros por um único jogador.
Dirigentes ouvidos em condição de reserva descrevem a equação de maneira direta: “Hoje, não faz sentido amarrar esse volume de dinheiro em um jogador só”. O recado indica que, mesmo diante de pressão por reforços, a diretoria não pretende repetir apostas altas que no passado deixaram heranças pesadas no balanço.
Negociação em banho-maria e futuro em aberto
O endurecimento do Bahia coloca a negociação em banho-maria e empurra o desfecho para outro momento de mercado. Sem disposição para chegar perto dos 10 milhões de euros, o São Paulo passa a tratar Cauly mais como oportunidade distante do que como alvo concreto. A janela atual indica um desfecho simples: o meia segue em Salvador, e o clube baiano preserva seu principal articulador ofensivo.
A permanência de Cauly fortalece o Bahia esportivamente, mas também aumenta a responsabilidade da diretoria em extrair retorno esportivo compatível com a precificação. Ao recusar empréstimo e ofertas abaixo do patamar desejado, o clube assume o compromisso de colocar o jogador em posição de protagonismo em campeonatos nacionais e continentais, única forma de justificar internamente e perante o mercado a cifra pedida.
No Morumbis, o foco se desloca para fechar rapidamente outros reforços e evitar que o elenco inicie a temporada sem as peças pedidas pela comissão técnica. A diretoria tenta usar o caso Cauly como exemplo de limite: não é possível esticar o orçamento a qualquer custo, mesmo diante de um alvo considerado ideal do ponto de vista técnico.
O futuro da novela depende de dois fatores claros: a manutenção do bom desempenho de Cauly no Bahia e uma eventual melhora de cenário financeiro de eventuais interessados. Enquanto nenhuma das duas condições se altera de forma significativa, a tendência é que o meia siga comemorando gols em Salvador, e o São Paulo procure seu armador em outros endereços do mercado.
