São Paulo vence Botafogo por 3 a 1 e vai à semi da Copinha 2026
O São Paulo vence o Botafogo por 3 a 1 nesta segunda-feira (19), em Sorocaba, e avança à semifinal da Copinha 2026. Atual campeão, o time mantém viva a busca pelo bicampeonato com um gol antológico nos acréscimos, de trás do meio de campo.
Tricolor sofre, reage e decide no fim em Sorocaba
O jogo no estádio Walter Ribeiro começa travado, tenso e com poucas ideias. As duas equipes se estudam, trocam faltas, discutem com a arbitragem, mas quase não finalizam. O São Paulo tenta controlar a posse, o Botafogo espera o erro para contra-atacar. A bola corre mais do que os jogadores parecem criar.
A primeira chance real demora a aparecer. Aos 34 minutos, Lucyan arrisca de fora da área e a finalização passa rente à trave, à esquerda do goleiro Rhyan Luca. O lance acorda a arquibancada, mas não muda o cenário de um duelo amarrado, de poucas infiltrações e muitos duelos físicos no meio-campo.
O placar teima em não sair do zero até os acréscimos. Em cobrança de falta pela direita, o São Paulo enche a área. Djhordney se antecipa à marcação, testa com força e precisão e abre o marcador. A comemoração chama atenção. Em meio à euforia, o atacante se aproxima da bandeirinha de escanteio e acerta uma espécie de voadora no objeto, cena que viraliza nas redes ainda durante a partida.
O Botafogo volta do intervalo mais agressivo. A marcação adianta alguns metros, as jogadas pelas pontas começam a sair, e a defesa tricolor já não controla o jogo com a mesma tranquilidade. A reação carioca se traduz em gol aos 7 minutos da etapa final.
Após sequência de escoradas de cabeça, a bola sobra viva no centro da área. Arthur Izaque, bem posicionado, emenda um voleio no ângulo. A finalização entra no canto alto, sem chance para João Pedro. O empate em 1 a 1 recoloca o Botafogo no jogo e muda o clima em Sorocaba.
O gol abala o São Paulo por alguns minutos. O Botafogo tenta aproveitar o bom momento, mas esbarra em uma defesa mais compacta e em cruzamentos sem direção. Quando o relógio passa dos 30 minutos, o Tricolor retoma o controle, aproxima mais os setores e volta a empurrar o rival para trás.
A virada paulista nasce de uma jogada simples, mas bem executada. Aos 39 minutos do segundo tempo, um cruzamento da esquerda atravessa toda a área. No segundo pau, Igor Felisberto se estica e toca de cabeça para o meio da pequena área. Matheus Menezes, livre e a poucos centímetros da linha, só empurra para o gol. O 2 a 1 recoloca o São Paulo à frente e muda a atmosfera no estádio.
O Botafogo, então, parte para o tudo ou nada. O time carioca lança a bola na área em qualquer falta ou lateral perto do ataque. Nos acréscimos, o goleiro Rhyan Luca vai para a área adversária na última tentativa de empatar. A aposta ofensiva, porém, abre o espaço que define a noite.
Na sequência da jogada, o São Paulo recupera a posse ainda no campo de defesa. A bola chega a Paulinho, que levanta a cabeça e percebe o gol vazio. De trás do meio de campo, ele bate com firmeza, por cima de todo mundo. A bola viaja lentamente, quica próximo à área e entra. O 3 a 1 sela a classificação com um dos lances mais marcantes desta edição da Copinha.
Base do São Paulo se afirma e mantém sonho do bicampeonato
A vitória em Sorocaba mantém o São Paulo na rota de um dos títulos mais cobiçados do futebol de base do país. Atual campeão, o clube busca agora o sexto troféu da Copinha, depois das conquistas em 1993, 2000, 2010, 2019 e 2025. A presença em mais uma semifinal reforça a consistência recente do trabalho nas categorias inferiores.
O desempenho desta segunda-feira não é brilhante, mas é competitivo. O time sofre para criar no primeiro tempo, reage à pressão após o empate e mostra maturidade para decidir nos minutos finais. Em torneio sub-20, essa capacidade de sobreviver em jogos duros costuma pesar tanto quanto o talento individual.
Os protagonistas da vitória também ganham visibilidade. Djhordney aparece novamente em jogo grande, desta vez com gol decisivo no fim do primeiro tempo e comemoração exagerada que deve ser analisada internamente. Matheus Menezes confirma presença de área no segundo gol. Paulinho entra para o noticiário nacional com o chute de trás do meio de campo que garante a vaga nos acréscimos.
A Copinha funciona como vitrine direta para o elenco profissional em 2026. Atletas que se destacam nesta fase final podem encurtar o caminho até o time principal, seja para compor elenco em campeonatos longos, como o Brasileiro, seja para gerar receita em eventuais negociações com clubes do exterior. Cada jogo mata-mata aumenta essa exposição.
O Botafogo, mesmo eliminado, deixa Sorocaba com um recado importante. O golaço de Arthur Izaque e a reação no início do segundo tempo mostram um time competitivo, capaz de encarar um dos elencos mais fortes da competição. A queda nas quartas de final, porém, expõe a dificuldade em sustentar o ritmo até o fim e em administrar momentos decisivos.
Para os cariocas, o torneio termina como laboratório e termômetro. O desempenho geral indica evolução da base, mas também aponta a necessidade de ajustar detalhes táticos, como a defesa em bolas aéreas e a tomada de decisão nos minutos finais. Em um cenário em que a formação de jogadores se torna vital para o caixa dos clubes, cada erro custa mais caro.
Ibrachina no caminho e Copinha em reta final decisiva
A classificação coloca o São Paulo diante do Ibrachina na semifinal. O time da zona leste paulistana elimina o Palmeiras nesta mesma fase e chega embalado, disposto a desafiar outra potência do futebol de base. A Federação ainda define data e horário da partida, que deve ocorrer nos próximos dias, mantendo o calendário apertado tradicional da Copinha em janeiro.
O confronto promete choque de estilos. O São Paulo se apoia em estrutura consolidada, com elenco profundo e acostumado a jogos grandes. O Ibrachina tenta surpreender com intensidade e modelo de jogo agressivo, que já derruba um candidato ao título. Em mata-mata curto, um detalhe técnico ou emocional pode definir o rumo de uma geração inteira.
O desfecho em Sorocaba também aquece a relação com a torcida tricolor. O gol de Paulinho, de longa distância, vira rapidamente símbolo da campanha de 2026, alimenta redes sociais e projeta confiança para o restante do torneio. A imagem do chute de trás do meio de campo tende a acompanhar o elenco, seja como lembrança de superação, seja como pressão para repetir o nível de atuação.
A Copinha entra em sua fase final com o São Paulo onde se acostuma a estar: entre os quatro melhores. O clube sabe que a vaga na semifinal não garante nada, mas confirma o caminho. A pergunta agora é se essa geração consegue transformar uma noite de golaços em Sorocaba em título e em espaço real no profissional ao longo do ano.
