Ufam abre 2.520 vagas pelo Sisu 2026 em 110 cursos
A Universidade Federal do Amazonas abre, de 19 a 23 de janeiro de 2026, inscrições pelo Sisu para 2.520 vagas em 110 cursos de graduação. A seleção usa exclusivamente a nota do Enem e é gratuita.
Janela decisiva para o acesso ao ensino superior
O anúncio movimenta estudantes de todo o Amazonas e da região Norte, que veem no Sisu a principal porta de entrada para o ensino superior público. A Ufam concentra boa parte da oferta de vagas federais no estado e, com esse ciclo, reforça o papel de universidade âncora em um território marcado por longas distâncias, baixa oferta privada e forte desigualdade educacional.
O período de inscrições, entre 19 e 23 de janeiro, cria uma semana de pressão para quem depende da nota do Enem para entrar na universidade. A escolha do curso e do campus, em poucos dias, define trajetórias profissionais e pessoais, especialmente para jovens do interior que planejam mudar de cidade em busca de formação superior. A gratuidade da inscrição reduz barreiras imediatas de acesso, mas a disputa por cada vaga promete ser acirrada.
Como funciona a seleção e o que está em jogo
O ingresso ocorre exclusivamente pelo Sistema de Seleção Unificada, que cruza as notas do Enem com as opções indicadas pelos candidatos. O estudante escolhe os cursos em uma plataforma digital do governo federal e acompanha, dia a dia, a nota de corte parcial, que mostra o desempenho mínimo para seguir competitivo em cada vaga. O modelo substitui vestibulares isolados, centraliza o processo e permite que o candidato dispute diferentes cursos sem pagar taxas sucessivas.
A oferta de 2.520 vagas, distribuídas em 110 cursos de graduação, abrange carreiras tradicionais e áreas estratégicas para a economia regional. A Ufam atende desde licenciaturas que reforçam a presença de professores nas escolas públicas até engenharias ligadas à Zona Franca de Manaus e cursos voltados à biodiversidade amazônica. Para milhares de estudantes que fizeram o Enem no fim de 2025, essa rodada do Sisu se torna o principal, e muitas vezes único, caminho concreto para chegar a uma universidade federal.
Coordenadores acadêmicos ouvidos pela reportagem destacam que o uso da nota do Enem simplifica o acesso, mas não reduz a responsabilidade de quem se inscreve. “O candidato precisa analisar com calma as notas de corte dos últimos anos e entender o próprio desempenho”, afirma um gestor ligado à graduação. “Em poucos dias, ele toma uma decisão que pode marcar toda a vida profissional.”
A abertura das inscrições também tem efeito interno. Com as turmas de 2026, a Ufam ajusta projeções de ocupação de salas, laboratórios e alojamentos, além de planejar contratações temporárias e reforço de programas de assistência estudantil. A chegada de novas turmas pressiona estruturas tradicionais, mas também renova projetos de pesquisa e extensão, sobretudo em áreas ligadas à realidade amazônica, como manejo florestal, saúde indígena e políticas públicas em regiões ribeirinhas.
Impacto regional e desafios para além da aprovação
A expansão da oferta pelo Sisu fortalece o papel da Ufam como motor do desenvolvimento local. A formação de engenheiros, médicos, professores, biólogos e gestores públicos em instituições federais costuma ter impacto direto na economia regional. Empresas, prefeituras e órgãos públicos dependem da universidade para contratar profissionais qualificados e, em muitos casos, para desenhar políticas de longo prazo.
O alcance da seleção, porém, esbarra na desigualdade de base. Estudantes de escolas públicas do interior ainda enfrentam dificuldades para competir com quem estudou em redes mais estruturadas, sobretudo em capitais ou escolas privadas. “O Sisu democratiza a porta de entrada, mas não corrige sozinho o abismo de formação ao longo do ensino básico”, avalia um professor da área de educação. Na prática, quem passa precisa lidar também com custo de moradia, alimentação e transporte em Manaus ou nos polos onde a Ufam mantém campus.
A universidade tenta responder com políticas de permanência, bolsas e auxílios, mas o volume de demandas cresce à medida que mais estudantes de baixa renda ingressam. O desafio, admitem gestores, é garantir que a democratização da entrada não se transforme em evasão silenciosa nos primeiros semestres. A experiência recente mostra que a taxa de conclusão melhora quando há oferta consistente de assistência estudantil e acompanhamento pedagógico desde o início do curso.
O impacto das 2.520 novas vagas não se limita ao Amazonas. A possibilidade de inscrição de candidatos de outros estados amplia a circulação de estudantes pela região Norte, favorece intercâmbios culturais e fortalece redes de pesquisa entre universidades federais. A Ufam se projeta como polo acadêmico capaz de atrair talentos de fora e, ao mesmo tempo, de manter no estado jovens que antes migrariam para Sudeste e Sul.
Próximos passos e o que os candidatos precisam observar
Quem pretende disputar uma vaga precisa acompanhar de perto o calendário do Sisu 2026, sem contar com prorrogações. O período de 19 a 23 de janeiro concentra todas as decisões. A recomendação de especialistas é que o candidato faça simulações com diferentes cursos, observe a oscilação diária das notas de corte e só confirme a opção final já perto do fim do prazo, quando o cenário está mais estável.
Depois da divulgação do resultado, o foco se desloca para matrículas, listas de espera e comprovação de documentos, etapas que costumam surpreender quem se prepara apenas para a prova. A Ufam deve detalhar orientações específicas em seu site oficial e em canais nas redes sociais, com cronogramas por curso e campus. Para além dos trâmites, a abertura das inscrições pelo Sisu 2026 deixa no ar uma pergunta que ultrapassa o vestibular: o país conseguirá transformar esse avanço no acesso em permanência efetiva, conclusão de curso e oportunidades reais de trabalho para a nova geração de egressos da Amazônia?
