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Acordo Mercosul-UE zera imposto para 5 mil produtos brasileiros

O governo brasileiro anuncia, em 18 de janeiro de 2026, a eliminação de impostos para cerca de 5 mil produtos exportados à União Europeia. O acordo Mercosul-UE promete ampliar o acesso do país a um mercado de quase 450 milhões de consumidores. Empresas brasileiras veem na medida uma chance concreta de ganhar competitividade e espaço em um dos blocos mais ricos do mundo.

Brasil mira mercado europeu com imposto zero

O anúncio é feito em Brasília, após anos de negociações intermitentes entre Mercosul e União Europeia. Ao detalhar o acordo, o governo enfatiza que a desoneração vale para um conjunto amplo de bens agropecuários, industriais e manufaturados, hoje afetados por tarifas que chegam a dois dígitos em alguns segmentos. A partir da implementação gradual das novas regras, esses produtos passam a entrar no bloco europeu com alíquota zero, o que reduz custos, encurta distâncias comerciais e pode mudar a forma como o Brasil se posiciona no exterior.

O movimento ocorre em um momento de desaceleração global e disputa acirrada por mercados. Ao zerar impostos para milhares de itens, o país tenta garantir espaço em cadeias produtivas que hoje migram rapidamente para fornecedores mais baratos e previsíveis. Integrantes da equipe econômica afirmam, em caráter reservado, que a meta é elevar de forma consistente o volume exportado para a União Europeia nos próximos anos, com foco em produtos de maior valor agregado.

Impacto sobre agronegócio, indústria e empregos

A medida atinge diretamente um dos principais destinos das exportações brasileiras. Em 2025, a União Europeia responde por uma fatia relevante das vendas externas do país, com destaque para carnes, grãos, frutas, químicos, máquinas e autopeças. Com o imposto zero para cerca de 5 mil itens, a expectativa no governo é de um salto nas exportações ao longo da próxima década, sustentado por contratos de longo prazo e ampliação de investimentos produtivos no território nacional.

Setores do agronegócio projetam aumento significativo de embarques, em especial de alimentos processados e produtos com maior grau de industrialização, menos dependentes de commodities brutas. Na indústria, empresas veem espaço para recuperar margens e disputar encomendas hoje concentradas em fabricantes asiáticos. Economistas ouvidos pela reportagem avaliam que a medida tende a impulsionar empregos em cadeias de produção integradas, da lavoura à indústria de transformação, em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso e Goiás.

O acordo também é visto como um teste de fôlego para a competitividade brasileira. Ao facilitar o acesso ao maior bloco econômico do planeta, a eliminação de tarifas expõe empresas nacionais a padrões mais rígidos de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade ambiental. Representantes do setor produtivo reconhecem o desafio, mas apostam no potencial de adaptação. “Quando você abre a porta para o mercado europeu, abre também para exigências maiores. Quem conseguir acompanhar esse padrão vai ganhar escala, tecnologia e fôlego para competir em outras regiões”, afirma um executivo de uma grande exportadora do setor de alimentos.

A União Europeia, por sua vez, reforça laços com um parceiro estratégico em um momento de incertezas políticas e reconfiguração de cadeias globais. A aproximação com o Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, é vista em Bruxelas como forma de diversificar fornecedores e reduzir dependência de mercados mais voláteis. Negociadores envolvidos no processo avaliam que o acerto abre espaço para novas rodadas de entendimento em temas como serviços, compras governamentais e inovação tecnológica.

Pressão por modernização e próximos passos do acordo

A entrada em vigor do imposto zero não elimina desafios internos. Para aproveitar o novo cenário, empresas brasileiras precisam investir em produtividade, tecnologia e logística. Custos portuários elevados, gargalos em rodovias e ferrovias e burocracia alfandegária podem limitar parte dos ganhos prometidos pelo acordo. Especialistas em comércio exterior alertam que, sem avanços em infraestrutura e simplificação regulatória, o país corre o risco de ver uma oportunidade histórica escapar por falta de preparo.

No front político, o governo trata o anúncio como vitrine de sua estratégia de inserção internacional. A expectativa é que o entendimento Mercosul-UE sirva de referência para novas negociações com outros parceiros, na Ásia, na América do Norte e na África. Ao mostrar capacidade de fechar um acordo complexo com um bloco exigente, o Brasil tenta consolidar a imagem de ator confiável em um cenário de crescente regionalização do comércio.

O desenho detalhado de prazos, salvaguardas e mecanismos de monitoramento ainda é acompanhado de perto por governos e empresas. A implementação costuma ocorrer em etapas, com cronogramas diferenciados por setor e por tipo de produto. Ao longo desse processo, será possível medir com mais precisão quem ganha e quem perde espaço, tanto no mercado externo quanto no interno, onde produtores locais podem enfrentar concorrência maior de bens europeus beneficiados por contrapartidas do acordo.

O próximo capítulo se desenha na prática, nas exportações que saem dos portos brasileiros rumo a cidades europeias. Se o país conseguir transformar imposto zero em ganho real de competitividade, a parceria Mercosul-União Europeia pode redefinir o mapa das relações comerciais brasileiras nas próximas décadas. A questão que permanece em aberto é se governo e iniciativa privada vão caminhar no mesmo ritmo para que essa promessa saia do papel e se traduza em crescimento sustentado.

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