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Morador resgata criança em enxurrada e buscas por menino de 7 anos seguem em MG

Vídeo flagra resgate de criança que pedia socorro em enxurrada em MG

Um morador de Pouso Alegre, no Sul de Minas, resgata uma criança arrastada por uma enxurrada durante o temporal desta quinta-feira (15/1). Outro menino, de 7 anos, é levado pela mesma correnteza e segue desaparecido, mobilizando uma força-tarefa de bombeiros e órgãos de segurança.

Temporal transforma rua em correnteza e flagrante viraliza

As imagens de uma câmera de segurança mostram a água tomando a rua em poucos minutos, perto da Mina do João Paulo. A enxurrada desce pela via com força, arrasta lixo, entulhos e, em seguida, duas crianças que brincavam no local pouco antes do temporal atingir a cidade na tarde de quinta-feira.

O vídeo registra o momento em que uma das vítimas, em pânico, grita por ajuda enquanto é levada pela correnteza. Um morador que estava nas proximidades corre em direção ao fluxo de água e se lança para alcançar a criança. Em segundos, ele consegue segurar o menino e o puxa para uma área mais alta, fora do alcance da enxurrada que segue em direção à galeria de escoamento que liga a Rua Comendador ao Rio Mandu.

Testemunhas relatam que a cena dura menos de um minuto, tempo suficiente para transformar uma brincadeira de fim de tarde em um resgate dramático. A criança salva é retirada exausta, mas consciente, e levada em seguida para atendimento médico. O estado de saúde não é detalhado pelas autoridades até o início da manhã desta sexta-feira (16/1), mas a avaliação inicial indica que o socorro rápido evita uma tragédia imediata.

No mesmo trecho, outro menino, de 7 anos, também é arrastado pela água e desaparece na sequência da enxurrada. Moradores ainda tentam acompanhar o curso da água, mas perdem o menino de vista quando ele é engolido pela estrutura pluvial que despeja o volume de chuva no Rio Mandu.

Buscas se concentram em galeria e no Rio Mandu

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais assume as buscas poucas horas depois do desaparecimento, com apoio da Defesa Civil municipal e da Polícia Militar. As equipes percorrem bueiros, abrem tampas de galerias e caminham por diferentes trechos do curso d’água até o início da noite. A baixa visibilidade e o risco de novos deslizamentos levam à suspensão temporária das buscas, que são retomadas na manhã desta sexta-feira, como confirma a prefeitura.

O foco principal da operação está na galeria que conecta a Rua Comendador ao Rio Mandu, canal que costuma receber grande volume de água em períodos de chuva intensa. Técnicos da Defesa Civil explicam que, em dias como o desta quinta-feira, a galeria funciona como um túnel de alta velocidade para a água, capaz de arrastar pessoas e objetos por dezenas de metros em poucos segundos.

Em nota a uma emissora local, a TV Alterosa Sul de Minas, a administração municipal informa que a estratégia inclui o monitoramento contínuo do leito do rio. Equipes percorrem margens a jusante, em pontos mais distantes da área onde o menino desaparece, porque há a possibilidade de a correnteza ter levado a vítima para trechos fora do perímetro urbano imediato.

Bombeiros descrevem um trabalho minucioso, que envolve entrar em córregos, vasculhar áreas de vegetação densa e inspecionar bocas de lobo e saídas de água. O avanço depende do volume do rio, da estabilidade das margens e da previsão de novas chuvas, que pode obrigar recuos pontuais para garantir a segurança das equipes.

Alerta para risco em áreas urbanas e rotina de chuvas fortes

O episódio expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade de crianças e pedestres em áreas urbanas durante temporais no período chuvoso. Pouso Alegre, como outras cidades do Sul de Minas, enfrenta nas últimas semanas uma sequência de pancadas fortes de chuva, com alagamentos pontuais e sobrecarga da rede de drenagem. Em minutos, ruas aparentemente seguras se transformam em corredores de água com força suficiente para derrubar um adulto.

Especialistas em Defesa Civil costumam alertar que enxurradas são diferentes de enchentes lentas. A água chega rápido, sobe em questão de minutos e carrega tudo o que encontra pela frente. O risco se multiplica perto de galerias, bueiros e passagens subterrâneas, onde a pressão aumenta e cria redemoinhos. Em locais como a galeria da Rua Comendador, qualquer queda dentro do canal pode ser fatal se o resgate não ocorrer de imediato.

Moradores da região da Mina do João Paulo relatam que a combinação de chuvas mais intensas com estruturas antigas de escoamento já provoca sustos em outros anos. A diferença, desta vez, é que a câmera de segurança registra todo o percurso da água e o resgate da criança, o que amplia a percepção do perigo e dá material concreto para o debate sobre prevenção.

O caso também reacende a discussão sobre a presença de crianças em áreas de risco durante temporais. Em bairros populares, ruas alagadas muitas vezes viram cenário de brincadeira, porque a água chega antes que os riscos sejam totalmente reconhecidos. O episódio em Pouso Alegre mostra, de forma brutal, como essa prática pode terminar em tragédia em menos de cinco minutos.

Pressão por prevenção e próximos passos nas buscas

A comoção com o desaparecimento do menino de 7 anos se espalha pela cidade e pelas redes sociais desde a noite de quinta-feira. Grupos de moradores se oferecem para apoiar as buscas, enquanto prefeitura, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Polícia Militar mantêm a orientação de que apenas equipes treinadas entrem nas áreas de maior risco ao longo do curso d’água.

Autoridades locais admitem, nos bastidores, que episódios como o desta semana devem acelerar a revisão de pontos críticos de drenagem, sinalização e bloqueio de acesso em dias de chuva. A pressão por obras e medidas de prevenção tende a crescer à medida que o período chuvoso avança e novos temporais atingem a região.

As próximas horas são decisivas para o trabalho de busca ao menino desaparecido, com a retomada integral da operação ao amanhecer desta sexta-feira. O plano prevê varredura ampliada ao longo do Rio Mandu, uso de mais equipes em terra e checagem constante de previsões meteorológicas para evitar que o mau tempo interrompa novamente o avanço.

Enquanto a cidade acompanha em tempo real cada atualização sobre o caso, a imagem do morador que se arrisca para salvar uma das crianças permanece como símbolo de esperança e alerta. A resposta que Pouso Alegre dará em termos de prevenção, infraestrutura e educação para o risco definirá se essa enxurrada ficará marcada apenas pela tragédia ou também pela capacidade de aprender com ela.

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