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São Paulo

Porta de vidro explode duas vezes em barbearia; especialistas explicam o que pode ter acontecido

Acidentes aconteceram com o mesmo funcionário, em um intervalo de nove dias, em Praia Grande. Vidro temperado pode se estilhaçar por falhas de instalação, danos nas bordas ou tensões internas.

Porta de vidro explode duas vezes em barbearia; especialistas explicam o que pode ter acontecido

Uma porta de vidro temperado se estilhaçou duas vezes nas mãos do mesmo funcionário de uma barbearia em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Os acidentes aconteceram nos dias 15 e 24 de outubro, com apenas nove dias de diferença, e foram registrados por câmeras de segurança. O barbeiro Leandro Malisani sofreu ferimentos leves e não precisou ser hospitalizado.

As imagens mostram o momento em que o funcionário tenta movimentar a porta e é surpreendido por uma chuva de estilhaços. O caso ganhou repercussão nas redes sociais, com mais de 2 milhões de visualizações, e levantou uma dúvida: como um vidro aparentemente intacto pode se quebrar dessa maneira, sem uma pancada forte?

Especialistas consultados pelo g1 explicaram que o vidro temperado pode apresentar rupturas repentinas provocadas por diferentes fatores, incluindo danos nas bordas, pressão excessiva das ferragens, falhas na instalação e até defeitos de fabricação. Entretanto, a causa específica dos dois acidentes ainda não foi identificada.

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Por que uma porta de vidro pode explodir sozinha?

Apesar da aparência de explosão, o fenômeno não envolve necessariamente uma explosão química ou combustão. O que acontece é a liberação rápida das tensões internas presentes no vidro temperado, fazendo com que a estrutura se fragmente em centenas de pequenos pedaços.

A perita Cely Martori, diretora da FM Laboratório Pericial, explicou ao g1 que o vidro não se rompe sem uma causa, embora nem sempre seja possível identificá-la imediatamente.

Entre os fatores que podem provocar a quebra estão pequenas lascas nas extremidades, impactos anteriores, pressão das ferragens e contato inadequado da estrutura com o piso.

O vidro temperado passa por um processo de aquecimento e resfriamento controlado, que aumenta sua resistência. Entretanto, esse tratamento também cria tensões internas que podem ser liberadas de maneira repentina quando a estrutura sofre determinados danos.

Por isso, uma peça pode permanecer aparentemente intacta por algum tempo e se estilhaçar durante um movimento simples, como abrir ou fechar uma porta.

Falhas na instalação também podem causar a quebra

O arquiteto Carlos Alberto Saraiva, proprietário da Vidr’Arte e especialista em instalação e manutenção de vidros, apontou que problemas no encaixe das peças também podem contribuir para acidentes.

Roldanas desalinhadas, ferragens excessivamente apertadas e contato direto entre o vidro e componentes metálicos podem concentrar pressão em pontos específicos da estrutura.

Quando a porta é movimentada, essas tensões podem aumentar até provocar a ruptura do material.

No caso da barbearia de Praia Grande, os dois acidentes aconteceram justamente enquanto o funcionário manuseava a porta.

Segundo Cely Martori, seria importante investigar o alinhamento da estrutura, as folgas disponíveis e os pontos de contato entre o vidro e as ferragens.

A especialista ressaltou, porém, que somente uma avaliação técnica específica poderia determinar a origem dos rompimentos.

Como aconteceram os dois acidentes na barbearia?

A primeira quebra aconteceu em 15 de outubro, quando o estabelecimento, localizado na Avenida do Trabalhador, no bairro Vila Antártica, ainda se preparava para a inauguração.

Leandro Malisani organizava o espaço quando tentou fechar a porta de entrada. Nesse momento, a estrutura se despedaçou e provocou pequenos cortes nas mãos do funcionário.

A proprietária, Erilaine Guarini, contou que a inauguração estava inicialmente prevista para 20 de outubro, mas precisou ser adiada por causa dos danos.

A porta foi substituída no dia seguinte ao acidente. O primeiro reparo custou R$ 900, valor pago pela empresária.

Entretanto, na noite de 24 de outubro, depois do primeiro dia de funcionamento da barbearia, a situação se repetiu.

Leandro tentou fechar a entrada e novamente foi surpreendido pelo vidro se estilhaçando. Dessa vez, partículas se espalharam pelo corpo do trabalhador e provocaram coceira.

Apesar dos dois sustos, o barbeiro sofreu apenas ferimentos leves e não precisou de atendimento hospitalar.

Técnico avaliou a porta, mas não encontrou o problema

Após os acidentes, um profissional responsável pela instalação chegou a avaliar a estrutura, mas não identificou irregularidades aparentes que justificassem os rompimentos.

A porta utilizada no estabelecimento era de vidro temperado de 8 milímetros de espessura, segundo a proprietária.

Depois da segunda quebra, a empresa responsável pela instalação realizou uma nova substituição e assumiu os custos do serviço.

A barbearia voltou a funcionar normalmente, mas a causa das duas rupturas permanece sem explicação conclusiva.

Qual é a diferença entre vidro temperado e laminado?

O vidro temperado e o laminado apresentam características diferentes, principalmente em relação à maneira como se comportam depois de uma quebra.

O vidro temperado é submetido a um tratamento térmico que aumenta sua resistência. Quando se rompe, tende a se fragmentar em pequenos pedaços, reduzindo o risco de cortes profundos em comparação com grandes lâminas de vidro comum.

Isso não significa, entretanto, que os fragmentos sejam inofensivos. Dependendo da situação, eles ainda podem provocar ferimentos.

Já o vidro laminado possui camadas de vidro interligadas por um material intermediário. Quando ocorre a ruptura, essa camada ajuda a manter os fragmentos aderidos à estrutura.

O arquiteto Carlos Alberto Saraiva também destacou que a aplicação de películas de segurança apropriadas pode ajudar a conter os estilhaços em determinadas instalações.

A escolha do material deve considerar o tamanho da porta, o tipo de fixação, a circulação de pessoas e as exigências técnicas de segurança.

Quais sinais indicam risco de quebra?

Embora algumas rupturas aconteçam sem sinais facilmente perceptíveis, determinadas alterações podem indicar que uma porta de vidro precisa de manutenção.

Entre os principais sinais de alerta estão dificuldade para abrir ou fechar, atrito com o piso, ruídos incomuns, ferragens soltas e pequenas trincas nas extremidades.

Portas que começam a raspar no chão ou apresentam resistência durante a movimentação também merecem atenção.

Nessas situações, a recomendação é interromper o uso e solicitar uma avaliação de um profissional especializado, evitando tentativas de ajustar a estrutura sem os equipamentos adequados.

Como evitar novos acidentes?

A manutenção preventiva é uma das principais medidas para reduzir os riscos de rompimento em portas de vidro.

Especialistas recomendam verificar regularmente o estado das ferragens, o alinhamento da estrutura e a existência de danos nas bordas.

Também é importante evitar impactos, movimentos bruscos e improvisações na instalação de peças de reposição.

No caso da barbearia de Praia Grande, a repetição do acidente em apenas nove dias reforça a importância de investigar não apenas o vidro utilizado, mas também o conjunto de componentes responsáveis pela sustentação e movimentação da porta.

Até o momento, não há confirmação de que os episódios tenham sido provocados por defeito de fabricação ou erro de instalação. A identificação da causa depende de uma análise técnica específica.