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Vice que deve assumir o Paraguai também é acusado no escândalo que derrubou presidente

Pedro Alliana é acusado pela oposição de proteger o banco envolvido na crise; deputados rejeitaram seu impeachment por 48 votos a 30, abrindo caminho para a sucessão presidencial.

Vice que deve assumir o Paraguai também é acusado no escândalo que derrubou presidente

O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, deve assumir o comando do país após a renúncia de Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5). No entanto, o político de 52 anos também enfrenta acusações de envolvimento no escândalo financeiro que provocou a saída do presidente. Mesmo citado em um pedido de impeachment, Alliana conseguiu escapar do processo após uma votação no Congresso paraguaio.

A Câmara dos Deputados rejeitou, por 48 votos a 30, a abertura de um processo de impeachment contra o vice-presidente. A decisão ocorreu poucas horas depois da renúncia de Peña e abriu caminho para que Alliana assuma a Presidência até agosto de 2028, quando termina o atual mandato.

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As denúncias envolvem o Ueno Bank, instituição financeira que entrou em crise e deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos. Parlamentares da oposição acusam Alliana de ter contribuído para proteger politicamente o banco, além de questionarem sua atuação diante de alertas sobre possíveis irregularidades financeiras. As acusações ainda não representam comprovação de responsabilidade do vice-presidente.

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Vice-presidente também foi alvo de pedido de impeachment

A situação de Pedro Alliana ganhou destaque na quarta-feira (4), quando 35 deputados apresentaram pedidos de impeachment contra ele e Santiago Peña.

Segundo a Câmara dos Deputados do Paraguai, o documento apresentado pela oposição acusa Alliana de ter atuado para impedir medidas legislativas contra o Ueno Bank durante o agravamento da crise.

Os parlamentares também questionam o suposto apoio à aplicação de recursos do sistema previdenciário na instituição financeira e a ausência de providências diante de alertas sobre operações de crédito envolvendo empresas relacionadas ao banco.

Na avaliação dos autores do pedido, o vice-presidente teria conhecimento da gravidade da situação e não teria adotado medidas suficientes para proteger o interesse público.

Durante a votação realizada nesta quinta-feira, parlamentares contrários ao impeachment argumentaram que Alliana não possuía competência direta sobre as decisões financeiras que desencadearam a crise bancária.

Também defenderam a necessidade de preservar a estabilidade institucional e garantir a continuidade do governo após a saída de Santiago Peña.

A proposta recebeu 30 votos favoráveis e 48 contrários. Como não alcançou a maioria constitucional necessária, foi rejeitada e arquivada.

Crise bancária provocou renúncia de Santiago Peña

A crise política começou a se intensificar após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país.

O banco, que possui aproximadamente 2,9 milhões de clientes, enfrentou problemas relacionados à sua situação financeira e a operações de crédito envolvendo empresas vinculadas ao grupo controlador.

Com a interrupção das atividades, correntistas ficaram sem acesso ao dinheiro, provocando manifestações e aumentando a pressão sobre o governo.

O escândalo também atingiu Santiago Peña por causa de sua relação anterior com o grupo empresarial ligado à instituição financeira.

A oposição levantou suspeitas de conflito de interesses e questionou a atuação de autoridades responsáveis pela fiscalização do banco.

Com o avanço da crise, parlamentares apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente e seu vice.

Peña anunciou a renúncia nesta quinta-feira, durante a crise política desencadeada pelas denúncias.

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Quem é Pedro Alliana, o político que deve assumir o Paraguai?

Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez tem 52 anos e integra o Partido Colorado, legenda que exerce forte influência sobre a política paraguaia há décadas.

Sua trajetória começou na política regional. Em 2008, foi eleito governador do departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai, cargo que ocupou até 2012.

Posteriormente, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde permaneceu por dez anos e chegou à presidência da instituição.

Alliana também ocupou posições de liderança no Partido Colorado, consolidando sua influência dentro da legenda.

Em 2023, foi eleito vice-presidente na chapa de Santiago Peña, que venceu as eleições presidenciais daquele ano.

Antes da crise, o político já havia manifestado interesse em disputar a Presidência em 2028, mas suspendeu seus planos eleitorais diante dos acontecimentos recentes.

O que acontece agora com o governo do Paraguai?

A Constituição paraguaia estabelece que, em caso de renúncia do presidente, o vice-presidente assume o comando do Executivo para concluir o mandato.

Dessa forma, Pedro Alliana deverá permanecer no cargo até agosto de 2028, sem necessidade de uma nova eleição presidencial antecipada.

A rejeição do impeachment contra Alliana elimina, neste momento, a possibilidade de sua destituição por meio daquele pedido apresentado pelos deputados.

Isso não significa, entretanto, que as acusações relacionadas ao escândalo financeiro tenham sido definitivamente esclarecidas.

As suspeitas levantadas pela oposição continuam sendo parte do debate político sobre a atuação das autoridades na crise do Ueno Bank.

Próximos passos

A sucessão presidencial deve concentrar as atenções do Paraguai nos próximos dias, enquanto o país tenta recuperar a confiança no sistema financeiro e solucionar os problemas enfrentados pelos clientes do Ueno Bank.

O principal desafio do novo governo será administrar as consequências da crise bancária, garantir a continuidade institucional e acompanhar os desdobramentos das investigações.

Apesar de ter escapado do impeachment, Pedro Alliana poderá continuar enfrentando questionamentos políticos sobre sua atuação durante o escândalo que encerrou antecipadamente o governo de Santiago Peña.

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