Jenna Ortega, Roberto Carlos e David Beckham convivem com o mesmo transtorno; saiba qual
Atriz de Wandinha contou que repete palavras, conta números e segue rotinas específicas para lidar com o transtorno; David Beckham e Roberto Carlos também já falaram sobre a condição.

A atriz Jenna Ortega, de 24 anos, conhecida por interpretar Wandinha na série da Netflix, revelou detalhes de sua convivência com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), condição que, segundo ela, começou a se manifestar quando tinha apenas 7 anos. Em entrevista à revista Vogue, publicada em outubro, a artista contou que ainda precisa realizar determinados rituais ao longo do dia e que os sintomas podem se intensificar em períodos de cansaço, ansiedade ou estresse.
Entre os comportamentos relatados estão repetir expressões um número específico de vezes, entrar nos sets de gravação sempre com o pé esquerdo e prender a respiração enquanto conta até 71. Jenna também revelou que já recorreu à psicoterapia e experimentou medicamentos para lidar com o transtorno. Apesar das dificuldades, a atriz encontrou na atuação uma atividade que a ajuda a concentrar a atenção e aliviar parte da pressão causada pelos pensamentos repetitivos.
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O relato reacendeu uma discussão sobre os impactos do TOC na vida cotidiana e mostrou que a condição vai muito além da preocupação com limpeza ou organização. Outros artistas, como Roberto Carlos, David Beckham, Leonardo DiCaprio, Howie Mandel e Rainn Wilson, também já compartilharam experiências relacionadas ao transtorno, que pode provocar sofrimento e interferir nas atividades diárias.
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Jenna Ortega revela como o TOC afeta sua rotina desde a infância
Durante a entrevista à Vogue, Jenna relembrou que começou a perceber diferenças em seus comportamentos quando ainda era criança.
A atriz contou que costumava acordar antes dos irmãos para cumprir uma sequência específica de tarefas antes de ir à escola. Entre elas estavam ajeitar os lençóis de determinada maneira, abrir gavetas seguindo uma ordem e pentear os cabelos lentamente.
Na época, Jenna não compreendia completamente o motivo desses hábitos. Hoje, reconhece que aqueles comportamentos estavam relacionados às primeiras manifestações do transtorno.
Mesmo depois de adulta, os rituais continuam presentes em sua rotina. Em períodos de maior ansiedade ou cansaço, a artista sente necessidade de repetir ações para aliviar o desconforto.
Segundo Jenna, uma das estratégias que desenvolveu foi tentar encarar determinadas compulsões de maneira menos rígida, como se fossem um jogo, para reduzir a pressão emocional associada a elas.
A atriz também revelou que a profissão pode funcionar como um momento de alívio. Durante as gravações, a necessidade de concentração nas cenas faz com que sua atenção se volte para o trabalho.
David Beckham já revelou passar horas organizando a casa
O ex-jogador David Beckham também falou publicamente sobre sua convivência com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo.
No documentário Beckham, lançado pela Netflix em 2023, o ex-atleta revelou que costuma passar horas organizando e limpando ambientes de sua residência, mesmo durante a madrugada.
Entre os comportamentos descritos estão alinhar objetos, organizar peças de roupa e verificar detalhes da disposição de utensílios domésticos.
Beckham contou que sente necessidade de deixar determinados espaços organizados de uma maneira específica, mesmo quando está cansado.
Embora suas compulsões estejam relacionadas à organização, o TOC não se limita a esse tipo de comportamento. Os sintomas variam de pessoa para pessoa e podem envolver diferentes pensamentos e rituais.
Roberto Carlos também já falou sobre o transtorno
No Brasil, Roberto Carlos é um dos artistas que já abordaram publicamente sua relação com o TOC.
O cantor relatou dificuldades envolvendo determinadas palavras, cores e situações que, durante períodos de sua vida, passaram a provocar desconforto.
Algumas dessas manifestações ficaram conhecidas do público, especialmente a relação do artista com roupas e objetos de determinadas cores.
Roberto Carlos também falou sobre a importância do acompanhamento profissional para lidar com os sintomas.
A experiência do cantor ajuda a mostrar que as compulsões nem sempre estão relacionadas a ações visíveis. Em alguns casos, o transtorno pode envolver associações mentais, pensamentos intrusivos e tentativas de evitar situações que provocam ansiedade.
Howie Mandel e Rainn Wilson relatam dificuldades com pensamentos repetitivos
O apresentador Howie Mandel, conhecido pelo America’s Got Talent, também convive com o TOC e tem utilizado sua visibilidade para discutir os impactos da condição.
Em outubro de 2026, ele participou de uma conversa no podcast Get to Know OCD ao lado do ator Rainn Wilson, conhecido por interpretar Dwight Schrute na série The Office.
Durante o encontro, Mandel relatou que os sintomas já interferiram em compromissos profissionais, viagens e atividades cotidianas.
Rainn Wilson, por sua vez, revelou que recebeu o diagnóstico de TOC aos 59 anos, depois de passar décadas convivendo com pensamentos repetitivos que não conseguia interromper.
O ator explicou que, durante muito tempo, não compreendia por que determinadas ideias permaneciam em sua mente por períodos prolongados.
Os dois destacaram que as compulsões podem proporcionar uma sensação temporária de alívio, mas que a ansiedade frequentemente retorna, levando à repetição dos comportamentos.
Leonardo DiCaprio e Megan Fox também já compartilharam experiências
Leonardo DiCaprio também está entre os artistas que falaram sobre experiências relacionadas ao TOC.
O ator relatou que, durante a infância, enfrentava comportamentos repetitivos e sentia necessidade de realizar determinadas ações de maneira específica, como pisar em pontos particulares durante caminhadas.
O tema voltou a aparecer em sua trajetória profissional quando interpretou Howard Hughes no filme O Aviador, lançado em 2004.
A produção retrata a vida do empresário e aviador americano, que enfrentava manifestações graves de transtorno obsessivo-compulsivo.
Outra personalidade que já comentou comportamentos relacionados ao TOC é Megan Fox. A atriz falou sobre dificuldades envolvendo higiene, ambientes compartilhados e situações que provocavam desconforto.
É importante diferenciar os relatos pessoais de sintomas da confirmação de um diagnóstico clínico. Nem toda preocupação com limpeza, medo de contaminação ou comportamento repetitivo significa que uma pessoa tenha TOC.
O que é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo?
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo é uma condição de saúde mental caracterizada pela presença de obsessões, compulsões ou ambas.
As obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos involuntários que surgem repetidamente e podem provocar ansiedade, medo ou sofrimento.
Já as compulsões são comportamentos ou atos mentais repetitivos que a pessoa sente necessidade de realizar, muitas vezes na tentativa de reduzir a ansiedade ou impedir que algo ruim aconteça.
Entre as manifestações possíveis estão verificar repetidamente se portas estão trancadas, lavar as mãos de maneira excessiva, contar números, repetir palavras mentalmente ou organizar objetos seguindo regras rígidas.
Entretanto, o transtorno não está necessariamente associado à limpeza e à organização. Algumas pessoas enfrentam compulsões exclusivamente mentais, que podem passar despercebidas por familiares e amigos.
Segundo a especialista em saúde mental Mariellen Freitas, ouvida pelo Metrópoles, existe uma diferença importante entre gostar de organização e sentir necessidade de repetir determinadas ações para aliviar uma angústia.
A profissional explica que os pensamentos podem surgir involuntariamente e provocar sofrimento intenso, levando a rituais que parecem difíceis de interromper.
TOC pode começar na infância?
O caso de Jenna Ortega mostra que os primeiros sinais do transtorno podem surgir ainda durante a infância.
Segundo especialistas, comportamentos repetitivos merecem atenção quando passam a provocar sofrimento significativo, ocupar muito tempo ou prejudicar atividades escolares, familiares e sociais.
Nem todo hábito repetitivo de uma criança representa um transtorno. A avaliação precisa considerar a frequência dos comportamentos, sua intensidade e os impactos na qualidade de vida.
Por isso, o diagnóstico deve ser realizado por profissionais habilitados, que podem diferenciar manifestações do TOC de hábitos comuns ou sintomas associados a outras condições.
TOC tem tratamento?
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo possui tratamentos capazes de reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Uma das abordagens mais utilizadas é a terapia cognitivo-comportamental, especialmente a técnica de exposição e prevenção de resposta, que ajuda o paciente a lidar gradualmente com situações que provocam ansiedade sem recorrer automaticamente aos rituais compulsivos.
Dependendo da intensidade dos sintomas, o tratamento também pode incluir medicamentos prescritos por um médico.
O acompanhamento deve ser individualizado, considerando as necessidades de cada pessoa e os impactos do transtorno em sua rotina.
Especialistas alertam que o TOC não deve ser tratado como uma simples mania ou característica de personalidade.
Relatos públicos como os de Jenna Ortega podem contribuir para ampliar o conhecimento sobre a condição, mas não substituem a avaliação profissional. Pessoas que identificam pensamentos intrusivos persistentes ou comportamentos repetitivos que provocam sofrimento devem procurar orientação especializada.


