Ídolo do Palmeiras, Valdivia pode pegar 22 anos de prisão por crimes sexuais no Chile
Ministério Público chileno apresentou acusação por estupro e abuso sexual contra duas mulheres; defesa do ex-jogador nega os crimes e afirma que as relações foram consensuais.

O Ministério Público do Chile pediu 22 anos de prisão para o ex-jogador Jorge Valdivia, de 43 anos, ídolo do Palmeiras, acusado de crimes sexuais contra duas mulheres. A solicitação foi apresentada pela Fiscalía Metropolitana Oriente, após uma investigação sobre episódios que teriam ocorrido em outubro de 2024. A acusação foi divulgada na terça-feira (3) e repercutiu nesta quarta-feira (4). O ex-atleta nega ter cometido os crimes.
A Promotoria solicita penas de 12 anos por uma acusação de estupro e outros 10 anos por abuso sexual. O pedido foi apresentado pelo promotor Rodrigo Célis, responsável pela investigação na Unidade de Gênero do Ministério Público chileno. As denúncias envolvem duas mulheres que relataram situações distintas após encontros com o ex-jogador em restaurantes de Santiago.
Leia também: Morte de atacante após choque com goleiro vira investigação por possível homicídio na Espanha
Valdivia, que chegou a cumprir prisão preventiva durante as investigações, responde ao processo em liberdade, sob medidas cautelares. A defesa sustenta que os encontros foram consensuais e afirma que as acusações precisam ser analisadas com respeito à presunção de inocência. O pedido de 22 anos de prisão não representa uma condenação, e o caso ainda deverá passar pelas etapas judiciais necessárias para um eventual julgamento.
Quem é Mancuso, acusado de vender diplomas falsos a estrelas do futebol
Entenda as acusações contra Valdivia
A investigação começou em outubro de 2024, depois que duas mulheres apresentaram denúncias de violência sexual contra o ex-meia chileno.
Uma das denunciantes, que trabalha como tatuadora, relatou ter encontrado Valdivia em um restaurante peruano na região de Providencia, em Santiago.
Segundo o relato apresentado às autoridades, os dois consumiram alimentos e bebidas alcoólicas. A mulher afirmou ter perdido a memória de parte dos acontecimentos e descoberto posteriormente que havia mantido relações sexuais com o ex-jogador.
A defesa contesta a acusação e sustenta que os dois já se conheciam, haviam combinado o encontro e mantiveram uma relação consensual.
O segundo episódio investigado teria ocorrido em 18 de outubro de 2024, após Valdivia se encontrar com outra mulher no restaurante El Toro, em Vitacura, também na região de Santiago.
De acordo com a denúncia, a mulher acompanhou o ex-atleta até seu apartamento. A acusação foi formalizada em 22 de outubro daquele ano.
A defesa também nega irregularidades nesse episódio e afirma que existem registros de vídeo que sustentariam a versão apresentada pelo ex-jogador.
Ex-jogador ficou preso preventivamente durante investigação
Valdivia foi preso preventivamente em outubro de 2024, depois que as primeiras acusações chegaram à Justiça chilena.
O ex-atleta permaneceu detido por aproximadamente 13 dias, até que a Corte de Apelações determinou a substituição da prisão por medidas cautelares, incluindo recolhimento domiciliar noturno e proibição de contato com a denunciante.
No fim de novembro daquele ano, o ex-jogador voltou a ser preso por determinação judicial.
A segunda prisão preventiva durou até 6 de janeiro de 2025, quando a Suprema Corte do Chile acolheu um recurso apresentado pela defesa e autorizou novamente a substituição da detenção por medidas cautelares.
Somados, os dois períodos representam aproximadamente 52 dias de prisão preventiva.
As detenções ocorreram durante a investigação e não significam que Valdivia tenha sido considerado culpado pelos crimes.
Ex-namorada de Valdivia aparece entre testemunhas
A ex-deputada chilena Maite Orsini, que manteve um relacionamento com Valdivia durante o período investigado, está entre as testemunhas que o Ministério Público pretende apresentar em um eventual julgamento.
Segundo a investigação, Orsini teria trocado mensagens com o ex-jogador enquanto ele estava com uma das mulheres que apresentaram denúncia.
Os investigadores consideram que essas conversas podem ajudar a reconstruir a cronologia de um dos episódios.
A ex-parlamentar já prestou depoimento durante a investigação e poderá ser chamada novamente caso o processo avance para julgamento oral.
Sua inclusão na lista de testemunhas não significa que ela tenha participado dos supostos crimes.
Defesa nega acusações e questiona divulgação do processo
A defesa de Jorge Valdivia sustenta que houve consentimento nos dois encontros investigados e afirma que o Ministério Público precisa comprovar as acusações apresentadas.
Os advogados alegam que os relatos das denunciantes devem ser confrontados com outros elementos reunidos durante o processo, incluindo registros de vídeo e informações sobre os encontros.
A advogada Paula Vial também questionou a divulgação de informações sobre o pedido de condenação antes que a defesa tivesse acesso integral ao documento.
Segundo a representante do ex-atleta, a circulação antecipada de detalhes da acusação prejudica as garantias processuais.
“A defesa não conhece esse documento e o Juizado de Garantia ainda não se pronunciou sobre ele. Por isso, não podemos nos referir ao seu conteúdo.”
A declaração foi apresentada em manifestação pública da advogada à imprensa chilena, em tradução para o português.
A defesa reforça que Valdivia tem direito de contestar as acusações e que sua responsabilidade criminal somente poderá ser estabelecida pela Justiça.
Quem é Jorge Valdivia, ídolo do Palmeiras?
Conhecido como Mago Valdivia, Jorge Luis Valdivia Toro nasceu na Venezuela e construiu sua carreira representando a seleção do Chile.
O meio-campista ganhou destaque no futebol brasileiro por suas duas passagens pelo Palmeiras, entre 2006 e 2008 e de 2010 a 2015.
Com a camisa alviverde, tornou-se um dos principais nomes do elenco, especialmente pela habilidade nos dribles, visão de jogo e capacidade de criar jogadas.
Pelo clube paulista, conquistou o Campeonato Paulista de 2008, as Copas do Brasil de 2012 e 2015 e o título da Série B do Campeonato Brasileiro de 2013.
Valdivia também fez parte da seleção chilena campeã da Copa América de 2015, primeiro título continental da história do país.
Ao longo da carreira, defendeu equipes como Colo-Colo, do Chile, e Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos.
Depois de encerrar a carreira profissional em 2022, passou a trabalhar como comentarista esportivo no Chile.
O que acontece agora com o processo de Valdivia?
Com a apresentação da acusação pelo Ministério Público, o processo entra na fase de preparação para um eventual julgamento oral.
Nessa etapa, a Justiça chilena deverá analisar os elementos apresentados pela Promotoria e pela defesa, incluindo provas documentais, depoimentos e a lista de testemunhas.
O Ministério Público pretende demonstrar a responsabilidade criminal do ex-jogador pelos episódios investigados.
A defesa, por sua vez, poderá questionar as provas e apresentar argumentos para contestar as acusações.
Ainda não há uma sentença condenatória contra Valdivia nesses casos, e a pena de 22 anos representa o pedido formulado pela acusação.
A definição sobre eventual condenação ou absolvição dependerá da análise judicial dos fatos e das provas apresentadas durante o processo.


