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Brasil

Com diárias de até R$ 25 mil na posse de Lula, hotéis defendem alta nos preços: “Prática legítima”

Associação de hotéis do DF afirma que valores acompanham a procura por hospedagens, mas reajustes de até 4.786% levantam questionamentos sobre possíveis cobranças abusivas.

Com diárias de até R$ 25 mil na posse de Lula, hotéis defendem alta nos preços: “Prática legítima”

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (ABIH-DF) defendeu nesta terça-feira (3) o aumento expressivo nos preços das hospedagens em Brasília para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para 5 de janeiro de 2027. Com diárias que chegam a R$ 25,3 mil e reajustes de até 4.786%, a entidade classificou a elevação das tarifas como uma prática legítima do setor hoteleiro.

Segundo a associação, os hotéis utilizam um sistema de preços que varia conforme a procura e a disponibilidade de quartos. A entidade argumenta que, durante grandes eventos, as acomodações mais baratas costumam ser reservadas primeiro, deixando disponíveis unidades de categorias superiores, que naturalmente apresentam valores mais elevados.

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A manifestação ocorre após levantamentos identificarem aumentos expressivos em hotéis e imóveis de temporada na capital federal. Em um dos casos, uma acomodação anunciada normalmente por R$ 185 passou a custar R$ 9.040 durante o período da posse presidencial. A disparada também motivou pedidos de investigação sobre possíveis cobranças abusivas.

Diárias de hotéis em Brasília chegam a R$ 25 mil na semana da posse de Lula

Associação de hotéis diz que aumento de preços é legítimo

Em nota, a ABIH-DF explicou que o setor trabalha com um modelo conhecido internacionalmente como revenue management, ou gestão dinâmica de receitas.

Nesse sistema, o preço das hospedagens pode variar conforme a ocupação, a procura por quartos e a proximidade de eventos que atraem grande quantidade de visitantes.

A associação classificou o mecanismo como uma “prática legítima e amplamente adotada no Brasil e no mundo”.

De acordo com a entidade, a redução da disponibilidade de apartamentos tende a pressionar as tarifas. Além disso, as opções mais econômicas geralmente se esgotam antes das acomodações de luxo.

A ABIH-DF também argumentou que os hotéis enfrentam custos operacionais crescentes, fator que deve ser considerado na análise dos valores cobrados.

No entanto, a entidade ressaltou que cada anúncio precisa ser avaliado individualmente, considerando as características da acomodação, sua categoria e o responsável pela oferta.

Diárias chegam a R$ 25,3 mil durante a posse de Lula

A procura por hospedagens para a cerimônia de posse presidencial já provoca mudanças significativas nos valores anunciados em Brasília.

Levantamentos realizados em plataformas de reservas identificaram pelo menos dez estabelecimentos com diárias superiores a R$ 9 mil para o período.

Um dos exemplos é o Saint Moritz Hotel, localizado na Asa Norte, onde uma acomodação chegou a ser anunciada por R$ 25,3 mil a diária, sem incluir taxas adicionais.

Para uma estadia de duas noites, entre 4 e 6 de janeiro, o custo anunciado alcançava R$ 50,6 mil.

Outras ofertas também apresentaram valores elevados. No Ozped Flats Particulares Cullinan, uma diária foi anunciada por R$ 15.926, enquanto no Ozped Flats Particulares Saint Moritz o preço chegou a R$ 12.396.

Esses números representam valores encontrados nos anúncios consultados e podem variar conforme a disponibilidade, a categoria do quarto e as condições de reserva.

Hospedagem de R$ 185 salta para mais de R$ 9 mil

O aumento dos preços não ficou restrito aos hotéis próximos à Esplanada dos Ministérios, onde está prevista a cerimônia de posse.

Em Taguatinga, a aproximadamente 25 quilômetros da região central de Brasília, um flat particular anunciado no Hotel Go Inn apresentou uma das maiores variações identificadas.

A acomodação, normalmente oferecida por R$ 185 a diária, passou a ser anunciada por R$ 9.040 para o período da posse.

A diferença representa um aumento de aproximadamente 4.786%.

Na Asa Norte, os reajustes também foram expressivos. Uma acomodação no Ozped Flats Particulares Saint Moritz passou de R$ 445 para R$ 12.396, crescimento de 2.686%.

No Ozped Flats Particulares Mercure Lider, o valor anunciado subiu de R$ 427 para R$ 11.697, alta de 2.639%.

Já no Ozped Flats Particulares Cullinan, a tarifa passou de R$ 632 para R$ 15.926, representando aumento de 2.420%.

A comparação considera os preços anunciados nos períodos pesquisados e não significa que todas as reservas tenham sido efetivamente realizadas por esses valores.

ABIH alerta que nem todos os anúncios são controlados pelos hotéis

A associação também chamou atenção para uma diferença importante entre os preços praticados diretamente pelos hotéis e os anúncios de imóveis particulares em plataformas digitais.

Segundo a entidade, algumas unidades localizadas dentro de empreendimentos hoteleiros pertencem a proprietários independentes, que podem estabelecer suas próprias tarifas.

Isso significa que um apartamento anunciado em plataformas de hospedagem não necessariamente tem seu preço definido pela administração do hotel onde está localizado.

A ABIH-DF também destacou que acomodações de luxo, como suítes presidenciais, podem alcançar valores elevados durante eventos de grande porte.

Por isso, a entidade considera necessário verificar quem está oferecendo a hospedagem, qual é a categoria do imóvel e quais serviços estão incluídos antes de avaliar se uma tarifa é desproporcional.

A associação defende que anúncios excepcionais não sejam confundidos automaticamente com os preços médios praticados por todo o setor.

Alta nos preços já provocou pedido de investigação

Enquanto representantes do setor hoteleiro defendem a precificação dinâmica, os reajustes também passaram a ser questionados por autoridades do Distrito Federal.

O deputado distrital e deputado federal eleito Fábio Felix (PSOL-DF) apresentou uma representação ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e ao Procon-DF solicitando a apuração de possíveis cobranças abusivas durante a posse presidencial.

O pedido foi baseado em um levantamento de 369 ofertas de hospedagem disponíveis em plataformas como Booking e Airbnb.

Em uma das situações identificadas, uma acomodação anunciada por R$ 532 para 12 de janeiro aparecia por R$ 12.516 na data da posse, diferença de aproximadamente 23,5 vezes.

A pesquisa também identificou elevação expressiva nas médias dos preços.

No Booking, a diária média encontrada para a noite da cerimônia foi de R$ 4.578,59. Para a semana seguinte, o valor médio caiu para R$ 467,39.

No Airbnb, a média passou de R$ 290,61 na semana posterior para R$ 3.612,44 na data da posse.

O levantamento levou o parlamentar a questionar se a elevação das tarifas possui justificativas compatíveis com as regras de proteção ao consumidor.

Diária de R$ 532 salta para R$ 12,5 mil na posse de Lula e caso vai ao MP

Hotéis podem aumentar os preços livremente?

A legislação brasileira permite que estabelecimentos comerciais ajustem seus preços conforme a oferta, a procura e os custos de operação.

Entretanto, essa liberdade não é absoluta.

O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 39, inciso X, proíbe elevar o preço de produtos ou serviços sem justa causa.

Isso significa que o aumento de tarifas durante um evento de grande procura não representa automaticamente uma prática ilegal, mas pode ser questionado quando não houver justificativa adequada.

A avaliação depende de fatores como disponibilidade de quartos, custos operacionais, categoria da acomodação, condições de mercado e proporcionalidade dos reajustes.

Também devem ser observadas as regras de transparência, especialmente na divulgação de taxas adicionais, condições de cancelamento e valores finais das reservas.

No caso de Brasília, caberá aos órgãos competentes verificar se os aumentos identificados representam apenas a dinâmica habitual de preços ou se existem situações de cobrança abusiva.

Até o momento, os pedidos de investigação não representam uma conclusão oficial de que hotéis ou proprietários tenham cometido irregularidades.

Posse presidencial aumenta procura por Brasília

A elevação nos preços está relacionada à expectativa de chegada de visitantes de diferentes regiões do país para acompanhar a posse de Lula.

A cerimônia está prevista para 5 de janeiro de 2027, data estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111, promulgada em 2021.

Tradicionalmente realizada em 1º de janeiro, a posse presidencial passará a ocorrer no quinto dia do ano.

A mudança no calendário também estabelece o dia 6 de janeiro para a posse dos governadores.

Além da procura por hotéis, o mercado de aluguel por temporada registra movimentação antecipada.

Levantamentos iniciais da Associação de Aluguel por Temporada de Brasília indicam ocupação próxima de 60% nos imóveis consultados para o período da cerimônia no Distrito Federal e no Entorno.

A expectativa de aumento na circulação de visitantes também movimenta os setores de transporte, alimentação e serviços turísticos.

Próximos passos

A discussão sobre os preços das hospedagens deverá continuar conforme se aproxima a posse presidencial.

A ABIH-DF mantém o entendimento de que a precificação dinâmica é um mecanismo legítimo do mercado hoteleiro, mas reconhece a necessidade de analisar individualmente os valores anunciados.

Por outro lado, os órgãos de defesa do consumidor poderão avaliar as informações apresentadas nas representações e decidir sobre eventuais procedimentos de fiscalização.

Para quem pretende viajar a Brasília em janeiro, é importante comparar as tarifas, conferir se a oferta corresponde a um hotel ou imóvel particular e verificar todas as condições da contratação antes de efetuar o pagamento.

A proximidade da cerimônia poderá alterar novamente a disponibilidade de quartos e os preços anunciados. Entretanto, os valores encontrados no início de novembro não garantem que as mesmas tarifas permanecerão disponíveis até janeiro.

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