Man United x Roma: Matheus Cunha vira e salva United na Champions
Matheus Cunha brilha com dois gols decisivos e garante a virada do Manchester United contra a Roma em jogo crucial na Champions.

Empurrado por um Old Trafford em protesto contra a diretoria e amargando nove jogos sem vencer, o Manchester United virou um 2 a 0 contra a Roma para 3 a 2 nesta terça-feira (3), com dois gols de Matheus Cunha no fim e um pênalti convertido por Bruno Fernandes, e respira na Champions League.
Virada em três minutos e herói expulso
A Roma dominou o primeiro tempo e abriu 2 a 0 com Soulé, em contra-ataque aos 10 minutos, e Malen, de pênalti aos 15. A defesa do United voltou a falhar, e o clima nas arquibancadas misturava impaciência e protestos contra a família Glazer, que comanda o clube há 21 anos.
Na etapa final, o cenário parecia piorar logo no início, quando Baleba sentiu lesão na hora de finalizar uma chance clara e precisou ser substituído por Tielemans. O gol que poderia recolocar o United na partida virou preocupação médica e silêncio momentâneo no estádio.
Aos 12 minutos, porém, Matheus Cunha sofreu pênalti e recolocou o time no jogo. Bruno Fernandes bateu no canto esquerdo, o goleiro Vásquez defendeu e Cristante afastou, mas o lance foi anulado por invasão do próprio Cristante na área. Na segunda cobrança, “Bruno Fernandes cobrou e marcou”, diminuindo para 2 a 1 e incendiando a torcida.
O United se lançou ao ataque, encurralando a Roma, que recuou para tentar administrar a vantagem. O empate veio aos 37 minutos: Matheus Cunha aproveitou uma falha de Balerdi, saiu cara a cara com o goleiro e tocou para o gol. Três minutos depois, aos 40, o brasileiro recebeu lançamento pela direita, invadiu a área e soltou uma bomba; a bola ainda tocou na trave antes de entrar, selando a virada em 3 a 2.
“Matheus Cunha foi premiado com dois gols, aos 37 e aos 40 minutos. No fim, o brazuca foi expulso por falta em Balerdi.” O cartão vermelho saiu em uma entrada para matar um contra-ataque italiano, já nos acréscimos. Mesmo com a expulsão, o atacante deixou o gramado ovacionado pela torcida, ciente do papel decisivo na reação do time.
Protestos, pressão e reação em campo
O ambiente em Old Trafford refletia a crise do clube. Durante o primeiro tempo, torcedores voltaram a pedir a saída da família Glazer e, aos 21 minutos, jogaram bolinhas de tênis no gramado, em um ato simbólico pelos 21 anos de gestão dos proprietários. A paralisação rápida escancarou o nível de insatisfação com a direção.
Em campo, o United, comandado por Michael Carrick, começou com Lammens; Dalot, Maguire, De Ligt e Mazraoui; Andrey Santos, Tielemans, Matheus Cunha, Bruno Fernandes e Mount; Mbeumo. Do outro lado, Gian Piero Gasperini mandou a Roma com Gollini; Ndicka, Mancini e Hermoso; Molina, De Roon, Pisilli e Wesley; Cristante, Soulé e Malen.
Depois de um primeiro tempo em que mal conseguiu finalizar com perigo, o United voltou mais agressivo, empurrou a Roma para o próprio campo e contou com o protagonismo de seus jogadores mais talentosos. Além de sofrer o pênalti e marcar duas vezes, Matheus Cunha foi o principal articulador de jogadas, enquanto Bruno Fernandes alternou entre armador e finalizador, até balançar a rede na segunda cobrança.
A Roma, que havia sido letal nas transições ofensivas nos 45 minutos iniciais, não conseguiu repetir o mesmo nível físico e de concentração defensiva. A linha de zaga, que vinha bem postada, cedeu espaços justamente quando o time italiano mais precisava de tranquilidade para segurar a vantagem.
Entenda o contexto
A virada desta terça-feira tem peso que vai além da classificação no grupo. O Manchester United chegava ao jogo sob forte pressão, com uma sequência de nove partidas sem vitória e à beira da zona de rebaixamento na liga inglesa. Em meio à contestação à família Glazer, o clima interno era de instabilidade, tanto no vestiário quanto na relação com a arquibancada.
Na Champions, o duelo contra a Roma era tratado como decisivo para manter o time vivo na disputa. Antes da bola rolar, o United ainda buscava afirmação no sistema de jogo proposto por Michael Carrick, enquanto a Roma via no confronto uma chance de se consolidar na parte de cima da tabela da fase de grupos.
Impacto na tabela e próximos desafios
Com a vitória por 3 a 2, o Manchester United chega a 7 pontos na Champions League e se mantém na zona de repescagem, aumentando as chances de avançar para as fases eliminatórias, mesmo ainda distante dos primeiros colocados do grupo. A Roma permanece com 4 pontos e vê sua situação se complicar na luta por vaga.
O resultado dá fôlego ao trabalho de Carrick e muda, ao menos temporariamente, o ambiente no clube. O setor esportivo ganha confiança, especialmente pela atuação de Matheus Cunha, que se consolida como peça-chave e pode se valorizar ainda mais no mercado. Bruno Fernandes reforça o papel de líder técnico e emocional do elenco.
Já a Roma, de Gian Piero Gasperini, volta para casa com a missão de corrigir as falhas defensivas que abriram caminho para a virada. A equipe italiana terá pouco tempo para ajustes antes dos próximos compromissos da fase de grupos, em que precisará somar pontos para não se ver em situação ainda mais delicada.
Fora de campo, a diretoria do United tenta aproveitar o respiro proporcionado pela vitória para acalmar ânimos de torcedores e investidores, embora os protestos desta terça deixem claro que a insatisfação com a gestão de 21 anos está longe de terminar. Em campo, o desafio imediato de Carrick será montar o time sem Matheus Cunha, suspenso pela expulsão, para o próximo jogo da Champions, mantendo o embalo conquistado na virada em Old Trafford.


