Eleições nos EUA ameaçam maioria de Trump no Senado hoje
Disputa acirrada nas eleições de meio de mandato pode alterar o equilíbrio de poder no Senado americano.

Com mais de 56 milhões de votos antecipados já depositados e expectativa de uma apuração longa em estados-chave como Texas, Ohio e Alasca, as eleições de meio de mandato desta terça-feira (3) nos Estados Unidos podem tirar de Donald Trump a maioria no Senado e redesenhar o poder em Washington.
Disputa acirrada pelo controle do Senado
Em jogo estão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Hoje, os republicanos controlam o Senado com 53 cadeiras, mas agregadores de pesquisas indicam que os democratas têm chances concretas de virar o placar a partir da próxima legislatura.
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Projeções citadas por analistas apontam diferentes cenários: há estudos que estimam 53 cadeiras para os democratas e 47 para os republicanos; outros veem um quadro de empate técnico, com 48 assentos para cada lado e quatro corridas totalmente indefinidas. Um modelo da plataforma Race to the WH calcula em 81,1% a probabilidade de vitória democrata na disputa pelo controle da Casa.
Estados como Alasca, Texas, Kansas, Ohio, Carolina do Norte, Maine, Iowa, Michigan e Carolina do Sul concentram as disputas mais apertadas e devem decidir quem mandará no Senado pelos próximos anos. Em parte desses estados, as pesquisas mostram diferenças dentro da margem de erro, o que aumenta o risco de recontagens e batalhas judiciais.
Por que o resultado é decisivo para Trump
O controle do Senado é peça central na sobrevivência política de Donald Trump. Com a maioria republicana, o presidente vem conseguindo avançar sua agenda e bloquear iniciativas de fiscalização mais dura. Uma virada democrata mudaria esse equilíbrio imediatamente.
“Com uma mudança no Congresso, a principal preocupação do Trump é com todas as investigações que serão feitas sobre malfeitos durante a administração dele. E os democratas já deixaram isso claro”, afirma Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais e especialista em política dos EUA.
Segundo Poggio, o presidente se beneficiou de um Legislativo alinhado: “O atual Congresso tem sido muito omisso e deixado muito Trump fazer aquilo que ele quer.”
Mesmo assim, o professor avalia que um impeachment continua improvável, porque a condenação exigiria apoio de dois terços do Senado, o que pressupõe uma dissidência expressiva entre senadores republicanos.
Pesquisas, aprovação em baixa e papel do vice J.D. Vance
Trump chega às urnas com apenas 32% de aprovação, segundo pesquisa Reuters/Ipsos, índice que alimenta o otimismo democrata. Na Câmara, o partido do presidente tenta preservar a maioria conquistada na última eleição legislativa; no Senado, a disputa é ainda mais simbólica porque a Casa tem papel decisivo na sabatina de autoridades, juízes e em eventuais processos contra o próprio presidente.
Os republicanos contam com um trunfo institucional: o vice-presidente J.D. Vance preside o Senado e tem o voto de desempate em caso de placar igual. Essa vantagem, porém, só vale se os republicanos conseguirem ao menos manter o equilíbrio de forças na Casa.
Como funciona a apuração nos estados
Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão nacional que centraliza a contagem de votos. Cada estado organiza e executa sua própria eleição, com regras específicas para votação presencial, cédulas enviadas pelo correio e votos antecipados.
Em alguns estados, os votos antecipados são processados antes do dia oficial de votação; em outros, a abertura só começa depois do fechamento das urnas. As autoridades locais verificam, conferem e certificam os resultados em um procedimento conhecido como canvassing, que inclui checagem de assinaturas e compatibilidade dos totais.
A maioria dos estados exige algum tipo de auditoria após a eleição, geralmente com recontagem manual de uma amostra das cédulas para comparar com o número registrado pelas máquinas. As normas definem quem pode acompanhar a apuração, a ordem de processamento dos votos e quais etapas são abertas ao público.
Em disputas muito apertadas, a legislação de vários estados prevê recontagens automáticas ou a possibilidade de pedido de recontagem pelos candidatos. Nesses casos, o resultado final pode demorar dias para ser conhecido, especialmente onde há grande volume de votos pelo correio.
Quando saem os primeiros resultados
Os primeiros números começam a ser divulgados após as 18h no horário da Costa Leste dos EUA, o equivalente às 20h em Brasília. À medida que as seções eleitorais fecham em cada fuso horário, os votos já contabilizados vão sendo somados e publicados pelas autoridades estaduais e por redes de imprensa.
Em estados onde a vantagem de um candidato é clara, projeções costumam ser feitas ainda na noite da eleição. Mas nas corridas para o Senado em estados como Texas, Ohio, Maine, Iowa, Alasca, Kansas e Michigan, a combinação de disputa equilibrada e grande número de votos antecipados pode empurrar a definição para os próximos dias.
Enquanto a apuração avança, republicanos e democratas monitoram condado a condado o desempenho de seus candidatos. Para Trump e seus aliados, manter a maioria no Senado significa preservar espaço de manobra e blindagem política; para os democratas, cada cadeira virada em estados tradicionalmente conservadores é uma chance de impor freios à Casa Branca e ampliar o escrutínio sobre a administração atual.


