Michelle chama Bolsonaro de líder e afirma que marido não procura culpados após derrota
Em publicação, ex-primeira-dama diz que Jair Bolsonaro agradece o empenho de aliados na campanha de Flávio e pede união; manifestação ocorre em meio a críticas à saída do senador do país e à carta divulgada nos Estados Unidos.

A ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) afirmou, nesta sexta-feira (30), que o ex-presidente Jair Bolsonaro continua sendo a principal liderança do grupo político e defende a união entre os aliados, em vez da busca por responsáveis pela derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Em publicação nas redes sociais, ela disse que o marido reconhece o empenho de quem participou da campanha do filho e mantém respeito por nomes como Damares Alves, Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e Silas Malafaia.
“Eu e o Jair (meu galego e nosso líder) temos conversado sobre isso”, escreveu Michelle.
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Segundo ela, Bolsonaro demonstra gratidão pela mobilização dos apoiadores e se entristece com notícias que, na avaliação da ex-primeira-dama, atribuem a ele críticas a aliados e alimentam divisões dentro do grupo político.
“O meu marido ressalta que é momento de união e não de procurar culpados”, afirmou.
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A manifestação ocorre em meio a um cenário de desgaste entre diferentes setores da direita após a derrota de Flávio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A saída do senador do Brasil, a carta divulgada durante sua passagem pelos Estados Unidos e as reações de aliados ampliaram as divergências sobre os rumos do movimento e a condução da oposição.
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Michelle defende aliados e pede união
Na publicação, Michelle cita nominalmente a senadora Damares Alves, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o deputado federal Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia. Ela afirma que Jair Bolsonaro tem por essas lideranças “muito respeito, carinho e gratidão” e contesta informações que atribuem ao ex-presidente manifestações de descontentamento com esses nomes.
A ex-primeira-dama também pediu que os apoiadores não contribuam para disputas internas.
“Não caiamos nas enganações daqueles que sempre semeiam o ódio, a mentira e provocam a nossa divisão em troca de likes e engajamento”, escreveu.
Michelle, que foi eleita senadora pelo Distrito Federal, não mencionou diretamente a saída de Flávio do Brasil nem a carta divulgada pelo senador após chegar aos Estados Unidos. Os dois episódios, no entanto, estão entre os principais fatores de tensão no campo bolsonarista desde o resultado da eleição.
Saída de Flávio e carta provocaram reações
Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas, e chegou a Miami, nos Estados Unidos, no dia seguinte. A viagem ocorreu após uma determinação judicial para que entregasse os passaportes brasileiros. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o senador utilizou um passaporte italiano para entrar na Argentina e seguiu em um avião particular até os Estados Unidos.
Já em território norte-americano, Flávio divulgou uma carta na qual se apresentou inicialmente como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e questionou o resultado das urnas, sem apresentar provas de fraude. O texto passou por alterações em poucas horas: depois, o senador retirou a expressão “presidente eleito” e passou a se definir como “líder do Brasil”.
A reação de aliados foi dividida. O pastor Silas Malafaia, citado por Michelle entre as pessoas que mantêm a gratidão de Jair Bolsonaro, criticou duramente a carta e classificou o documento como “ridículo, feio e infantil”. Ele apontou erros no texto e na utilização de um brasão histórico. Em outra manifestação, porém, Malafaia defendeu a decisão de Flávio de deixar o país.
Aliados se distanciam de contestação ao resultado
A carta também provocou manifestações de lideranças que apoiaram Flávio durante a campanha. O governador Tarcísio de Freitas defendeu o respeito ao resultado das urnas e afirmou que o momento exigia responsabilidade e a construção de uma oposição forte. O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial, declarou que não havia provas de fraude no segundo turno.
O próprio PL e partidos que integraram a aliança eleitoral também reconheceram a legitimidade do resultado. As manifestações contrastaram com a posição de Flávio, que contestou a eleição e chegou a se apresentar como presidente eleito na primeira versão da carta.
Nas redes sociais, a saída do senador e o documento também foram alvo de críticas. Levantamento da plataforma Palver, que analisou conteúdos publicados entre 22 e 29 de outubro, identificou que 66% das manifestações com posicionamento nas redes sociais criticavam Flávio, enquanto 34% demonstravam apoio.
Em grupos de aplicativos de mensagens, o cenário foi mais equilibrado: 54% das mensagens eram favoráveis e 46% contrárias. Os percentuais se referem aos conteúdos analisados, e não representam uma pesquisa de opinião com a população.
Disputa por responsabilidades expõe divergências na direita
Além das reações à viagem e à carta, a derrota eleitoral abriu espaço para discussões sobre a atuação de aliados durante a campanha. Tarcísio e Nikolas estão entre os nomes citados em questionamentos sobre a estratégia eleitoral e o desempenho do grupo. O governador paulista teve participação na mobilização em torno da candidatura, enquanto o deputado mineiro também foi alvo de críticas relacionadas a manifestações durante o período eleitoral.
Michelle não identificou quais notícias ou declarações considera falsas, nem apontou diretamente quem estaria atribuindo responsabilidades a essas lideranças. Na publicação, a ex-primeira-dama procurou transmitir a posição que atribui ao marido: agradecer aos apoiadores e evitar que a derrota se transforme em uma disputa pública entre aliados.
A mensagem também reforça a tentativa de preservar a influência política de Jair Bolsonaro sobre o grupo, mesmo em meio às divergências sobre os próximos passos da direita após o resultado das urnas.


