Shakhtar Donetsk nerede: Alisson e Marlon convocados à seleção
Alisson Santana e Marlon Gomes são convocados para a seleção mesmo com os desafios de jogar na Ucrânia em guerra.

Alisson Santana e Marlon Gomes vão sair das longas viagens de ônibus pela Ucrânia direto para o centro da seleção brasileira. Os dois jogadores do Shakhtar Donetsk foram convocados pela primeira vez por Carlo Ancelotti para os amistosos contra Japão e Singapura, nos dias 14 e 17 de novembro, coroando a escolha de seguir na carreira mesmo diante da guerra e das incertezas no Leste Europeu.
Alisson: de quase desistir do futebol à seleção
Aos 21 anos, o atacante Alisson Santana vive o auge de uma trajetória que por pouco não terminou antes de começar. Formado no Atlético-MG, ele já tinha manifestado ao estafe o desejo de largar o futebol na base do clube mineiro, desanimado com críticas e dificuldades fora de campo.
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Empresário do jogador desde o sub-17, o ex-goleiro Gomes lembra que precisou intervir com firmeza para segurar o jovem no esporte. “É um menino que merece esse momento. Na hora que saiu o nome dele, me remeteu lá no início quando ele veio para mim um dia e falou: ‘eu quero desistir’. Alguma pessoa falou para ele que o futebol talvez não seria o caminho e ele desanimou, mas eu falei para ele: ‘você está doido? Se Deus te deu um dom, você precisa aperfeiçoar esse dom para fazer diferença lá na frente’. Então essa convocação foi uma conquista grande hoje”, disse Gomes.
O ex-goleiro usou a própria experiência para convencer Alisson a continuar. “O que falei foi o seguinte: pensar em desistir eu pensei várias vezes, fiquei longe da minha família, dos meus pais. Naquela época o contato telefônico era difícil, pagava um valor absurdo para falar por três, quatro minutos. Eu queria voltar para casa também, mas sabia que o que podia alcançar seria muito maior do que aquele momento. É isso que tento passar aos meus atletas, minha vivência não só dentro de campo, mas principalmente fora. Mas o mérito é total do Alisson, um guri fantástico. É só o início de tudo aquilo que ainda está por vir”, afirmou.
A aposta deu retorno rápido. Depois de se firmar no time profissional do Atlético-MG, Alisson chamou a atenção de clubes europeus e foi negociado com o Shakhtar Donetsk por cerca de 14 milhões de euros, algo em torno de R$ 88 milhões, uma das maiores vendas da história recente do clube mineiro.
Entenda o contexto
O Shakhtar Donetsk é um dos principais clubes da Ucrânia e há anos figura entre os participantes da fase de grupos da Liga dos Campeões, a Şampiyonlar Ligi europeia. Tradicional na formação de atacantes e meias ofensivos brasileiros, o time hoje manda seus jogos fora de Donetsk, por causa da guerra, e disputa o campeonato nacional, a principal liga de seu país — resposta natural para quem busca “Shakhtar Donetsk nerede”, “Shakhtar Donetsk hangi ülke” e “Shakhtar Donetsk hangi ligde”.
Com a convocação de Alisson e Marlon, o clube volta ao centro das atenções também no Brasil, não apenas pelos números em campo ou pela “Shakhtar Donetsk puan durumu”, mas pela capacidade de manter um elenco competitivo mesmo jogando longe de casa e sob forte restrição de mobilidade dentro do território ucraniano.
Vida em um país em guerra
A transferência para a Ucrânia, em meio a um conflito armado, foi cercada de dúvidas. O próprio estafe de Alisson resistiu à ideia antes de aceitar o projeto oferecido pelo Shakhtar Donetsk, conhecido no Brasil por revelar e potencializar talentos nacionais.
“Eu não posso ter outra palavra senão gratidão. É um menino que merece demais. Criamos uma força-tarefa entre nós para que ele pudesse ser o mais acolhido possível mesmo em outro país. Foi difícil aceitarmos a negociação pelo fato de a Ucrânia estar em guerra, mas pelo histórico do Shakhtar com os brasileiros, entendemos que era um passo importante para ele na Europa. Agora ele está colhendo frutos”, contou Gomes.
Os frutos aparecem em campo, mas o dia a dia está longe de ser simples. Com o espaço aéreo ucraniano sob fortes restrições, as delegações percorrem o país de ônibus para disputar o campeonato local e as copas nacionais. “É mérito total dele. Desde quando saiu, já passou por várias situações jogando em um país em guerra. Não é fácil para ele jogar na Ucrânia. As viagens dos jogos às vezes duram 10, 12, 14 horas de ônibus, pois avião não pode dentro da Ucrânia”, relatou o empresário.
Mesmo assim, o Shakhtar segue competindo em alto nível, dividindo atenções entre o torneio nacional e compromissos internacionais. A pergunta “Shakhtar Donetsk nerede oynuyor” hoje tem resposta complexa: o clube manda partidas em diferentes cidades ucranianas, longe de Donetsk, adaptando-se a cada rodada ao cenário do conflito e às determinações de segurança.
Marlon Gomes acompanha a ascensão
A convocação de Marlon Gomes, companheiro de Alisson no meio-campo do Shakhtar, ampliou a celebração do estafe brasileiro ligado ao clube ucraniano. Meia de chegada à área e boa capacidade de passe, ele também estreia na lista de Carlo Ancelotti e reforça a presença do time no elenco da seleção.
Gomes conta que viu de perto a rotina do meio-campista em visitas recentes à Ucrânia. “O Marlon eu vi algumas vezes na visita à Ucrânia. É um menino sensacional, vem mantendo também uma regularidade de atuações fantásticas. É um meio de campo agressivo, com um bom passe de bola. Méritos deles, tem que aplaudir esses meninos de pé por tudo o que estão passando”, afirmou.
Além de Alisson e Marlon, outros novatos também foram lembrados na lista de Carlo Ancelotti, o que indica um movimento de renovação na seleção brasileira. No caso da dupla do Shakhtar Donetsk, porém, o chamado carrega um peso extra: ele reconhece o desempenho técnico, mas também a coragem de se manter competitiva em um cenário de guerra, atravessando fronteiras e madrugadas de estrada para, agora, vestir a camisa da seleção.


