Morre Roberto Maya, voz icônica de Documento Especial, aos 91
O ator e apresentador Roberto Maya faleceu em Campinas, deixando um legado na televisão brasileira.

Roberto Maya, ator, dublador e apresentador que marcou gerações à frente do programa jornalístico “Documento Especial”, morreu na terça-feira (27), aos 91 anos, em Campinas (SP), após insuficiência respiratória. Ele estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas, onde deu entrada à tarde e teve a morte confirmada no fim do dia.
Quem era Roberto Maya?
Nascido em Campinas em 5 de janeiro de 1935, com o nome de batismo Robert Clemente Holtmann, Roberto Maya construiu uma carreira de mais de seis décadas no rádio, na televisão, no cinema e na dublagem. Formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), começou a atuar nos anos 1950 como radioator e dublador, até se tornar um dos rostos e vozes mais reconhecíveis da TV brasileira.
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Na dublagem, ficou conhecido por emprestar a voz a personagens marcantes, entre eles Shere Khan, o tigre do clássico “Mogli, o Menino Lobo”. No cinema, estreou em 1961, em “Teus Olhos Castanhos”, e participou de diversas produções, com destaque para os filmes do diretor Walter Hugo Khouri, em que interpretou variações do personagem Marcelo, visto como uma espécie de alter ego do cineasta. Seu último trabalho nas telonas foi “Mulheres no Poder”, lançado em 2016, ano em que se aposentou.
Na televisão, atuou em emissoras como Excelsior, Tupi, Globo, Bandeirantes, Manchete e SBT. Entre as novelas, esteve em títulos como “A Pequena Órfã” (1968), “Simplesmente Maria” (1970), “Bravo!” (1975), “Éramos Seis” (1977), “O Espantalho” (1977), “O Profeta” (1977), “Final Feliz” (1982) e “Bambolê” (1987). Mais tarde, integrou o elenco de produções da Globo como “Paraíso Tropical” (2007), em que interpretou Xavier, e “Desejo Proibido” (2008), no papel de Milton, além de séries como “Lara com Z” (2011), “As Brasileiras” (2012) e “Psi” (2015), da HBO, seu último trabalho na TV.
Onde Roberto Maya faleceu?
Roberto Maya morreu em Campinas, no interior de São Paulo, no Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas. Ele foi levado de ambulância à unidade por volta das 14h de terça-feira (27) e teve o óbito registrado às 17h30 do mesmo dia.
Quais foram os principais trabalhos de Roberto Maya na televisão?
Na TV, Roberto Maya se destacou tanto na teledramaturgia quanto no jornalismo. Como ator, acumulou papéis em novelas de emissoras como Excelsior, Tupi, Globo, Bandeirantes, Manchete e SBT, com participações em tramas como “A Pequena Órfã”, “Simplesmente Maria”, “Éramos Seis”, “Final Feliz”, “Bambolê” e, já nos anos 2000, “Paraíso Tropical” e “Desejo Proibido”. Também atuou em séries como “Lara com Z”, “As Brasileiras” e “Psi”.
Como apresentador e narrador, construiu uma imagem de voz firme e texto preciso à frente do “Jornal da Manchete”, telejornal que comandou entre 1983 e 1989. Em seguida, assumiu “Documento Especial”, programa de reportagens que o transformou em referência do jornalismo investigativo na TV.
Qual a importância de Roberto Maya para o jornalismo investigativo?
Entre 1989 e 1998, Roberto Maya apresentou e narrou “Documento Especial”, atração dirigida pelo jornalista Nelson Hoineff e exibida inicialmente pela Rede Manchete. O programa ganhou notoriedade ao tratar temas sociais, denúncias e reportagens investigativas com linguagem que misturava apuração, imagens fortes e textos de tom poético.
O “Documento Especial” passou depois pelo SBT, entre 1992 e 1995, período em que venceu três vezes o Troféu Imprensa de melhor programa jornalístico da televisão brasileira, e, posteriormente, pela Band, entre 1997 e 1998, sempre com Maya à frente. A combinação de sua voz grave com o formato experimental ajudou a consolidar um modelo de jornalismo documental que influenciou gerações de repórteres, produtores e narradores.
A morte do apresentador é sentida especialmente por profissionais da TV aberta, da dublagem e do jornalismo documental, que perdem uma referência de versatilidade e rigor. Ao mesmo tempo, a retomada de seus trabalhos em mostras, reprises e estudos acadêmicos tende a reforçar o interesse pela história do jornalismo investigativo na televisão brasileira.
Em que programas Roberto Maya atuou como apresentador?
Roberto Maya foi âncora do “Jornal da Manchete” entre 1983 e 1989, telejornal que o consolidou como rosto do noticiário da emissora. A partir de 1989, passou a apresentar e narrar “Documento Especial”, programa de reportagens que percorreu Manchete, SBT e Band até 1998, sempre com sua condução. Essas duas atrações formam o núcleo de sua trajetória como apresentador de TV.
Repercussão e despedida
O Sistema Brasileiro de Televisão divulgou nota de pesar em que exaltou a trajetória de Roberto Maya e sua contribuição para a emissora. “Toda a diretoria do Sistema Brasileiro de Televisão se solidariza com os familiares e amigos de Roberto Maya, agradecendo aos anos em que integrou de forma marcante o elenco da emissora”, diz o comunicado.
O corpo do apresentador foi sepultado no Cemitério Parque Flamboyant, em Campinas. Na cidade natal, onde nasceu, construiu parte da carreira e morreu, o legado de Maya ajuda a manter viva a memória de uma geração de profissionais que fizeram a televisão e o rádio muito antes da era digital. Seu irmão, Ricardo Holtmann, já falecido, foi diretor do Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas, a mesma instituição em que ele passou as últimas horas.


