Dólar volta a subir e chega a R$ 5,35 com juros dos EUA e contas públicas no radar
Moeda norte-americana registra leve valorização nesta quarta-feira (28), enquanto investidores avaliam a decisão do Federal Reserve e aguardam medidas fiscais do governo brasileiro.

O dólar comercial operava em leve alta nesta quarta-feira (28), cotado a aproximadamente R$ 5,35 por volta das 16h, com valorização de 0,02% em relação ao fechamento anterior. O mercado financeiro acompanha a decisão sobre os juros nos Estados Unidos e aguarda medidas do governo brasileiro para cumprir a meta fiscal de 2027.
A moeda norte-americana iniciou o dia praticamente estável, depois de encerrar a terça-feira (27) perto de R$ 5,35. Ao longo da manhã, chegou a recuar para R$ 5,32, mas voltou a subir e atingiu R$ 5,36 por volta das 11h50. As oscilações refletem um período de cautela dos investidores diante das perspectivas econômicas nacionais e internacionais.
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Por que o dólar está subindo nesta quarta-feira?
O comportamento do dólar nesta quarta-feira é influenciado por dois fatores acompanhados pelo mercado: a política fiscal brasileira e a decisão do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, sobre a taxa básica de juros.
No Brasil, investidores aguardam a apresentação de propostas do governo federal para reforçar o compromisso com as metas das contas públicas. No cenário internacional, a manutenção dos juros norte-americanos também influencia as decisões de investimento e a procura por dólares.
A valorização registrada durante a tarde é pequena, especialmente quando comparada às oscilações observadas nos primeiros dias da semana.
Governo prepara medidas para cumprir meta fiscal de 2027
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na terça-feira (27) que o governo pretende apresentar propostas para garantir o cumprimento do centro da meta fiscal estabelecida para 2027.
A expectativa é de que parte das medidas seja encaminhada ao Congresso Nacional por meio de um projeto de lei complementar.
O objetivo é oferecer instrumentos legais para que a administração federal busque o resultado previsto nas contas públicas.
A meta fiscal de 2027 corresponde a um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a aproximadamente R$ 73,2 bilhões.
O sistema de metas prevê uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o limite inferior da faixa corresponde a um superávit de cerca de R$ 36,6 bilhões.
A apresentação das medidas será acompanhada por investidores que buscam sinais sobre a capacidade do governo de equilibrar receitas e despesas nos próximos anos.
Federal Reserve mantém juros nos Estados Unidos
No cenário internacional, o Federal Reserve decidiu nesta quarta-feira manter a taxa básica de juros norte-americana na faixa de 3,75% a 4% ao ano.
A decisão confirmou a expectativa predominante do mercado financeiro.
Os juros dos Estados Unidos influenciam os investimentos em diferentes países, incluindo o Brasil. Quando as taxas norte-americanas permanecem elevadas, ativos denominados em dólar podem se tornar mais atraentes para investidores internacionais.
Por outro lado, as perspectivas de redução dos juros podem favorecer a procura por aplicações em mercados emergentes, dependendo das condições econômicas e da percepção de risco.
Petróleo supera US$ 110 e amplia atenção do mercado
Outro fator acompanhado pelos investidores é a cotação internacional do petróleo.
O barril do tipo Brent, referência para o mercado mundial, era negociado a US$ 111,34 por volta das 8h55 desta quarta-feira, com valorização de 1,76%.
A alta do petróleo pode influenciar expectativas de inflação, custos de transporte e preços de combustíveis, embora os efeitos sobre os consumidores dependam de outros fatores, incluindo câmbio e políticas comerciais.
No mercado de moedas, a combinação entre petróleo, juros internacionais e expectativas fiscais contribui para a volatilidade das cotações.
Como a cotação do dólar afeta o bolso dos brasileiros?
As mudanças no valor do dólar podem ter consequências para consumidores, empresas e investidores.
Quando a moeda norte-americana sobe de maneira persistente, produtos importados e matérias-primas compradas no exterior tendem a ficar mais caros em reais.
A variação também pode afetar viagens internacionais, compras em sites estrangeiros e custos de produção de empresas que dependem de componentes importados.
Por outro lado, um dólar mais valorizado pode beneficiar exportadores que recebem pagamentos na moeda norte-americana, dependendo de seus custos e contratos.
O impacto sobre os preços no Brasil não é necessariamente imediato, já que depende de fatores como estoques, concorrência, contratos e condições do mercado.
O que acompanhar nos próximos dias?
A trajetória do dólar dependerá da reação dos investidores à decisão do Federal Reserve, dos próximos indicadores econômicos e dos detalhes das medidas fiscais que o governo brasileiro pretende apresentar.
O mercado também continuará atento aos preços internacionais do petróleo e às expectativas para os juros no Brasil e nos Estados Unidos.
A cotação de R$ 5,35 registrada durante a tarde desta quarta-feira representa um valor intradiário, não o fechamento definitivo do mercado de câmbio.


