Alinne Moraes recusa papéis por idade e critica etarismo na TV
Atriz critica estereótipos e exige papéis que respeitem sua verdadeira idade na televisão.

Alinne Moraes, com mais de duas décadas de carreira na TV, revelou nesta terça-feira (27) que vem recusando papéis de mulheres bem mais velhas do que ela e criticou o etarismo nas produções audiovisuais, destacando que ainda é cobrada a se manter “bonita e jovem” enquanto galãs mais velhos seguem sem as mesmas restrições em cena.
Por que Alinne Moraes critica o etarismo na atuação?
Alinne Moraes critica o etarismo porque considera injusto que atrizes na faixa dos 40 anos sejam pressionadas a aparentar outra idade em cena, enquanto atores homens mais velhos continuam interpretando personagens sem que a idade real pese contra eles. Para ela, essa diferença expõe um desequilíbrio estrutural de gênero na indústria.
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A atriz contou que recebeu convites recentes para viver personagens de cerca de 55 anos, bem acima de seus 40 e poucos, e que essa exigência veio acompanhada da sugestão de uma caracterização que a envelhecesse. “É muito difícil para a gente fazer uma personagem de 55 anos quando se tem 40, 43”, afirmou, relatando que a cobrança recai principalmente sobre a aparência feminina.
Segundo Alinne, ainda existe a expectativa de que a mulher na TV seja sempre jovem e bonita, ao mesmo tempo em que galãs mais velhos seguem escalados para papéis românticos e até mesmo sem filhos, algo que contrasta com o lugar que ela já ocupa em tramas atuais. “A mulher tem sempre que ser bonita e jovem. A gente vê galãs mais velhos do que eu que não foram pais na TV até hoje. E eu já sou mãe de uma adulta na trama”, apontou.
Como Alinne Moraes lida com a pressão para parecer mais velha em papéis?
Alinne Moraes tem rejeitado a pressão para parecer mais velha do que é em seus trabalhos e diz que não aceita se submeter a caracterizações que a envelheçam artificialmente. “Não vou me produzir para ficar mais velha do que sou”, declarou, ao lembrar de uma proposta para interpretar uma personagem de 55 anos.
Ela contou que, diante da sugestão de maquiagem e recursos de caracterização para aumentar sua idade em cena, recusou o caminho e reforçou a importância de manter sua faixa etária real nos papéis que assume. “Gente, não dá. Eu tenho a minha idade”, relatou ter respondido à equipe responsável pela produção.
Alinne também afirmou que não teme o próprio envelhecimento e enxerga o passar do tempo como ampliação de possibilidades, não como limite. Como exemplo, citou a colega Renata Sorrah, hoje com quase 80 anos, que chegou a pensar em iniciar uma faculdade antes de entrar em uma novela recente. “Renata Sorrah tem quase 80 anos e falou para mim que, antes de entrar para a novela, estava pensando em fazer uma faculdade. A gente está andando pra frente. Se não tiver lugar para mim em alguns lugares, ainda tenho o palco. Penso em estar com 100 anos, olhar para os meus 40 e pensar: ‘Eu era um neném’”, disse.
Entenda o contexto
As declarações de Alinne Moraes jogam luz sobre um problema recorrente na teledramaturgia e no cinema brasileiros: o etarismo voltado sobretudo às mulheres. Atrizes a partir dos 40 anos relatam encontrar menos ofertas de papéis que espelhem sua idade real e mais convites para personagens muito mais jovens ou muito mais velhas, quase sempre atreladas a padrões rígidos de beleza.
Enquanto isso, atores homens costumam manter protagonismo e papéis românticos mesmo quando já estão bem acima da idade dos personagens, sem a mesma cobrança sobre rugas, cabelos brancos ou sinais do tempo. Na prática, essa disparidade reduz a presença de mulheres maduras em papéis centrais, empobrece a diversidade de histórias e reforça a ideia de que a juventude feminina é requisito para estar em evidência.
Ao recusar personagens que não respeitam sua faixa etária, Alinne assume o risco de reduzir oportunidades em determinadas produções, mas também pressiona o mercado a repensar escalas de elenco e narrativas. A própria atriz ressalta que, se não houver espaço na TV, continuará no teatro, onde vê mais abertura para personagens de idades diversas.
A fala pública de uma artista conhecida, com mais de duas décadas de exposição em novelas e séries, tende a ecoar entre outras atrizes e a alimentar discussões internas em emissoras e produtoras sobre políticas para combater o etarismo e ampliar a representatividade de mulheres em todas as fases da vida na tela.


