Mulheres de BH e Curitiba comandam rede de prostituição de luxo com programas de até R$ 10 mil, diz investigação
Três mulheres administram grupos secretos no WhatsApp, cobram taxas de acompanhantes e aplicam punições a quem descumpre regras impostas pela rede

Três mulheres, sendo duas de Belo Horizonte e uma de Curitiba, são apontadas como responsáveis por uma rede de prostituição de luxo que conecta acompanhantes a agenciadores no Brasil e no exterior. O esquema, revelado em reportagem publicada inicialmente pelo portal Metrópoles nesta terça-feira (27), funciona por meio de grupos restritos no WhatsApp e oferece programas que podem chegar a R$ 10 mil.
Segundo a investigação jornalística, o trio administra até 12 grupos de mensagens, sendo que um deles reúne mais de 600 participantes. Para ter acesso às oportunidades de trabalho, as acompanhantes precisam pagar uma taxa de R$ 300 e seguir regras estabelecidas pelas administradoras.
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A rede mantém conexões com agenciadores que atuam em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, além de destinos internacionais na Europa e no Oriente Médio.
Um dos principais grupos, chamado Casting Elite World, funciona como uma plataforma de ofertas de serviços para clientes de alto poder aquisitivo. Nele, entre 15 e 30 agenciadores parceiros divulgam oportunidades de atendimento.
As exigências incluem critérios rígidos de aparência física, com preferência por mulheres sem tatuagens visíveis e com características consideradas naturais.
Grupo secreto funciona como tribunal para punir acompanhantes
A reportagem também identificou um grupo denominado “Tribunal”, utilizado pelas administradoras para decidir punições contra acompanhantes e agenciadores que descumprem as regras da rede.
Nesse espaço, segundo o levantamento, profissionais podem ser expostas publicamente após desentendimentos com clientes, questionamentos sobre cobranças ou conflitos com as responsáveis pelo esquema.
Entre as punições relatadas estão a divulgação de conversas privadas, fotografias e áudios pessoais, além da exclusão dos grupos de trabalho. Para recuperar o acesso às oportunidades, as acompanhantes podem ser obrigadas a pagar novamente a taxa de R$ 300.
A investigação aponta que até mesmo reclamações contra agências parceiras podem resultar em punições às profissionais que apresentam as denúncias.
Lista negra pode impedir mulheres de conseguir novos programas
Outro mecanismo identificado pela reportagem é o grupo Black List Nacional/Internacional, uma espécie de lista negra utilizada para compartilhar informações sobre profissionais consideradas indesejadas pelas administradoras.
De acordo com uma acompanhante ouvida pelo Metrópoles sob condição de anonimato, a inclusão nessa lista pode comprometer o acesso a oportunidades no mercado de luxo, uma vez que informações pessoais são compartilhadas com agências brasileiras e estrangeiras.
O levantamento também aponta suspeitas de extorsão. Mulheres excluídas dos grupos teriam de pagar valores adicionais ou aceitar condições impostas pelas administradoras para voltar a receber ofertas de trabalho.
A reportagem descreve um sistema de controle financeiro e profissional exercido pelas três mulheres sobre as acompanhantes.
As informações divulgadas são resultado de uma apuração jornalística. A publicação não apresenta confirmação de investigação policial formal ou de responsabilização criminal das envolvidas.


