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Brasil

Polícia ouve testemunhas e tenta identificar mulher filmada fazendo saudação nazista no Rio

Caso aconteceu após votação no segundo turno, em Botafogo. Mulher teria feito o gesto e ofendido um eleitor judeu; investigação busca esclarecer o episódio.

Polícia ouve testemunhas e tenta identificar mulher filmada fazendo saudação nazista no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro ouviu duas testemunhas e tenta identificar uma mulher filmada fazendo uma saudação nazista após votar no segundo turno das eleições, no domingo (25). O episódio aconteceu no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul da capital fluminense.

O caso foi registrado na 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo) como injúria e preconceito. Segundo as informações divulgadas pela polícia, os investigadores trabalham para identificar a mulher e convocá-la para prestar depoimento.

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As imagens mostram a eleitora caminhando em direção à saída do colégio enquanto estende o braço direito para a frente e para cima, em um gesto historicamente associado ao regime nazista de Adolf Hitler.

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Eleitor judeu gravou a cena

O vídeo foi gravado por Ian Andrade, que é judeu. Segundo ele, uma amiga contou que a mulher havia feito o gesto na entrada do local de votação. Como não presenciou a primeira situação, ele decidiu esperar a saída da eleitora para entender o que havia acontecido.

Ao questionar a mulher sobre a saudação, Ian relatou ter ficado indignado com a situação. Outras pessoas que estavam no local também acompanharam a discussão e registraram imagens.

De acordo com os relatos divulgados, quando o homem informou que era judeu, a mulher teria respondido: “Pior ainda”. A declaração também foi mencionada pela Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ), que recebeu informações sobre o caso e divulgou uma nota de repúdio.

Testemunha critica falta de intervenção

Ian afirmou que um policial militar estava no local e presenciou a situação, mas não interveio. Após a mulher deixar o colégio, ele conversou com outras pessoas e decidiu registrar a ocorrência na delegacia, anexando o vídeo ao boletim.

Em relato divulgado pela imprensa, o homem disse que nunca havia vivenciado uma situação semelhante em seus 31 anos de vida como judeu. Ele também afirmou esperar que a investigação leve à responsabilização da autora do gesto.

A Polícia Civil segue apurando o caso. Até a última atualização da reportagem, a mulher ainda não havia sido identificada publicamente pelas autoridades.

Federação Israelita repudia episódio

Em nota, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro condenou o gesto e a suposta ofensa direcionada ao eleitor judeu. A entidade afirmou que manifestações desse tipo afrontam a dignidade humana, os valores democráticos e a memória das vítimas do nazismo.

A federação também informou que levou o caso ao conhecimento das autoridades e que acompanhará a investigação. A entidade cobrou a identificação da mulher e a adoção das medidas legais cabíveis.

Entenda o contexto

A saudação nazista ficou associada ao regime liderado por Adolf Hitler na Alemanha, entre 1933 e 1945. O nazismo foi responsável pelo Holocausto, no qual cerca de seis milhões de judeus foram assassinados, além da perseguição e morte de milhões de outras pessoas.

No Brasil, a legislação prevê punições para a prática de atos de discriminação e para a divulgação de símbolos e propaganda nazistas nos termos definidos em lei. O enquadramento jurídico de cada ocorrência depende da apuração das circunstâncias e da avaliação das autoridades competentes.

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