Secretário de Salvador está na França enquanto Justiça Eleitoral ordena sua prisão
Pablo Souza está em Paris durante o segundo turno, após decisão do TRE-BA relacionada à redução da frota de ônibus na capital baiana. A Justiça determinou a liberação de todos os coletivos e estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento.

O secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, está em Paris, na França, neste domingo (25), enquanto é alvo de uma ordem de prisão em flagrante determinada pela Justiça Eleitoral da Bahia. A decisão foi expedida pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, após denúncias de redução da frota de ônibus durante o segundo turno das eleições de 2026.
A medida foi tomada depois que a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou a Justiça sob a alegação de que a diminuição da circulação dos coletivos estaria dificultando o deslocamento de eleitores até as seções eleitorais. Além de determinar a prisão do secretário, o tribunal ordenou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com transporte gratuito e frequência equivalente à dos dias úteis.
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O descumprimento da determinação pode resultar em multa de R$ 1 milhão por hora. A decisão também prevê atuação da Polícia Federal para fiscalizar a liberação dos veículos e assegurar o cumprimento das medidas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Souza está na capital francesa em uma missão oficial a convite do governo francês, acompanhado da vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos. A Prefeitura informou que o secretário tem previsão de retornar ao Brasil nesta segunda-feira (26) e deverá se apresentar às autoridades para prestar esclarecimentos.
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Fiscalização encontrou ônibus parados nas garagens
A decisão judicial foi motivada por denúncias de que uma parcela significativa da frota de transporte coletivo de Salvador não estava circulando durante o período de votação. Segundo a federação que apresentou a representação, a redução teria ultrapassado 50% em determinados momentos da manhã, prejudicando passageiros que dependem dos ônibus para chegar aos locais de votação.
O processo foi instruído com vídeos e fotografias que, segundo os autores da representação, mostravam dezenas de veículos retidos em garagens durante o horário eleitoral. As imagens foram apresentadas como evidências de que a oferta de transporte estava abaixo do previsto para um dia de eleição.
Em fiscalizações realizadas em duas garagens, integrantes do Ministério Público Eleitoral identificaram 97 ônibus fora de operação em uma das empresas e outros 120 veículos sem circulação em outra. Os registros reforçaram a cobrança por providências para restabelecer o serviço, embora os números se refiram às garagens vistoriadas e não representem, isoladamente, a totalidade da frota da cidade.
Justiça exige transporte gratuito e frota integral
Na decisão, o presidente do TRE-BA destacou que o direito ao voto não pode ser prejudicado por obstáculos socioeconômicos, especialmente quando o eleitor depende do transporte público para chegar à seção eleitoral.
O tribunal determinou que a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) e as empresas concessionárias restabelecessem imediatamente a circulação integral dos ônibus. A operação deveria manter frequência e itinerários compatíveis com os dias úteis, além de garantir gratuidade até o encerramento da votação e pelo período necessário ao retorno dos eleitores para casa.
A decisão também estabeleceu medidas de fiscalização para verificar se os veículos estavam sendo liberados e se o serviço havia sido normalizado. O descumprimento poderia gerar a multa fixada pelo tribunal e outras providências das autoridades competentes.
Prefeitura atribui interrupções a adesivos eleitorais
A Prefeitura de Salvador apresentou uma explicação diferente para os problemas registrados no início da manhã. Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade afirmou que houve interrupções em algumas garagens após a identificação de adesivos de propaganda eleitoral nos ônibus.
Segundo a Semob, a situação foi resolvida após diálogo entre as equipes operacionais e representantes sindicais. A pasta afirmou ter notificado as empresas concessionárias para assegurar a disponibilidade integral dos veículos e evitar novas interrupções.
A administração municipal declarou que a operação estava sendo normalizada. A justificativa apresentada pela Prefeitura, porém, não elimina a necessidade de apurar as circunstâncias da redução da frota nem substitui a obrigação de cumprir a determinação judicial.
Secretário está em missão oficial na França
A Prefeitura informou que Pablo Souza viajou a Paris em missão oficial a convite do governo francês. A agenda ocorre ao lado da vice-prefeita Ana Paula Matos.
De acordo com a gestão municipal, o secretário deverá retornar a Salvador na segunda-feira (26) e se apresentar às autoridades para prestar esclarecimentos. Até as informações divulgadas nas primeiras reportagens sobre o caso, não havia confirmação de que a ordem de prisão tivesse sido cumprida.
A determinação judicial não equivale, por si só, à confirmação de que o secretário foi preso. O cumprimento da ordem depende da atuação das autoridades responsáveis, enquanto eventuais responsabilidades criminais ou eleitorais deverão ser apuradas no procedimento correspondente.
Caso pode ter novos desdobramentos na Justiça Eleitoral
A controvérsia sobre o transporte público ganhou dimensão política durante o segundo turno. A Federação Brasil da Esperança sustenta que a redução dos coletivos prejudicou o deslocamento de eleitores e pediu providências contra os responsáveis. A Prefeitura, por sua vez, afirma que as interrupções decorreram da retirada de material eleitoral dos veículos e que o serviço foi normalizado.
As alegações sobre uma possível estratégia para dificultar o acesso às urnas ainda precisam ser avaliadas pelas autoridades competentes. A existência de uma ordem judicial demonstra que o tribunal determinou medidas imediatas, mas não representa, isoladamente, uma condenação definitiva dos envolvidos.
O caso permanece sujeito à fiscalização do cumprimento das determinações do TRE-BA e à apuração de possíveis irregularidades. Novas informações sobre o retorno de Pablo Souza, a execução da ordem de prisão e a normalização do transporte poderão esclarecer os próximos passos do processo.


