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Esportes

Bortoleto leva 80 posições de punição e larga em último nos EUA

Brasileiro sofre punição pesada e parte do fim do grid no GP dos Estados Unidos em Austin.

Bortoleto leva 80 posições de punição e larga em último nos EUA

Gabriel Bortoleto vai largar em último no GP dos Estados Unidos deste domingo, no Circuito das Américas, depois de ser penalizado com 80 posições no grid por uma série de trocas na unidade de potência do seu Audi. O brasileiro havia feito o 13º tempo na classificação, mas a equipe sacrificou a posição para renovar praticamente todo o conjunto de motor visando a reta final da temporada.

Por que Gabriel Bortoleto recebeu punições no GP dos Estados Unidos?

Bortoleto recebeu 80 posições de punição porque a Audi extrapolou, em vários componentes, o limite de peças de motor permitido pelo regulamento para a temporada.

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Na sexta-feira, a equipe já havia instalado no carro número 5 a quarta unidade de armazenamento de energia e a quarta central eletrônica, o que rendeu 20 posições de punição. Neste sábado, antes da classificação, veio o pacote completo: novo motor de combustão interna, turbocompressor, sistema de escapamento, novo armazenamento de energia, nova central eletrônica, MGU-K e um componente auxiliar da unidade de potência. As novas trocas adicionaram mais 60 posições, totalizando as 80 registradas no fim de semana.

Na prática, o número não representa perda literal de 80 lugares, já que o regulamento usa a soma como critério para mandar o piloto automaticamente ao fim do grid quando o limite é muito excedido. É o que acontece com Bortoleto, que cai do 13º tempo obtido na pista para a última posição da largada, marcada para as 17h, no horário de Brasília.

A decisão da Audi é estratégica: ao concentrar as trocas em Austin, num fim de semana em que o brasileiro já teria de largar atrás, a equipe aumenta o estoque de componentes novos e tenta garantir mais confiabilidade para as corridas restantes.

Como as punições afetaram a largada de Gabriel Bortoleto no GP dos EUA?

As punições tiram Bortoleto da metade do pelotão e o empurram para a última posição do grid, mesmo com o 13º tempo marcado na classificação.

Já ciente de que largaria do fundo, a Audi usou o brasileiro de forma tática na classificação. Bortoleto fez apenas uma tentativa no Q2, entrando na pista no fim do segmento basicamente para oferecer vácuo ao companheiro Nico Hulkenberg. Acabou ranqueado em 13º, mas sem qualquer chance de converter o desempenho em posição real de largada.

O cenário torna a missão de pontuar especialmente dura. Para chegar à zona de pontos, o brasileiro precisa ganhar ao menos 12 posições em um circuito em que ultrapassar exige muita diferença de ritmo e em que a Audi ainda convive com déficit de motor em relação às rivais diretas. A estatística também não ajuda: apesar de a temporada ter acumulado 17 corridas com algum tipo de neutralização, as chances específicas em Austin indicam cerca de 30% de probabilidade de entrada do Safety Car e 43% de Virtual Safety Car, números que não garantem o tipo de corrida caótica que costuma abrir caminho para grandes recuperações.

O próprio Bortoleto admite que uma escalada até os pontos depende de uma combinação pouco comum de fatores: “A gente sabe que tem um déficit de motor, então, mesmo dando para ultrapassar, a gente precisa de uma grande vantagem de pneu nas curvas para poder chegar perto e tentar ultrapassar. Não é que a gente tem um míssil e eu consigo passar na reta. Para passar, vai ser bem no final, tendo tido uma saída muito boa da curva anterior. Ganhar 12 posições não vai ser simples, mas, se tem algo que aprendi na F1, é que nada é impossível. Se acontecer algum milagre na corrida, a gente vai estar lá”, disse o piloto da Audi.

Pole de Antonelli e disputa na frente

Enquanto Bortoleto se prepara para uma prova de dano limitado, a luta na parte da frente do grid promete impacto direto na briga pelo título. Kimi Antonelli cravou a pole em Austin com 1m34s035, à frente das duas Red Bull de Max Verstappen e Isack Hadjar. O italiano da Mercedes entra na corrida com chance matemática de garantir o campeonato ainda neste domingo, dependendo do desempenho de rivais como George Russell, Lewis Hamilton, Charles Leclerc e Lando Norris.

Antonelli celebrou tanto o tempo quanto a consistência em um traçado em que os limites de pista costumam ser um problema: “Um dos grandes feitos do dia tinha foi não ter tido volta deletada por limites de pista”, afirmou o piloto da Mercedes após assegurar a primeira posição.

Logo atrás, o grid ainda terá Leclerc e Hamilton, enquanto Russell parte da terceira fila. Mais atrás, Hulkenberg, companheiro de Bortoleto na Audi, ficou no Q2 e também se beneficia parcialmente do trabalho de vácuo do brasileiro.

Entenda o contexto

Ao optar pelo pacote de trocas em massa da unidade de potência, a Audi assume, de forma calculada, um prejuízo imediato para Bortoleto em troca de maior segurança mecânica nas últimas provas do ano. Engenharia, estratégia e logística da equipe passam a trabalhar com um conjunto de peças mais novo, o que tende a reduzir risco de quebras ou novas punições no curto prazo.

Para o brasileiro, o domingo em Austin se desenha como uma corrida de gestão: ganhar terreno sem destruir pneus, aproveitar qualquer neutralização que apareça e tentar se colocar em posição de se beneficiar de erros ou problemas à frente. O histórico recente no traçado texano, de poucas interrupções longas, joga contra, mas o ritmo mostrado nos treinos — com top 10 em sessão livre e constância próxima aos carros do meio do pelotão — mantém alguma esperança na garagem da Audi.