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Palmeiras inicia transição de Benedetti e mira Chapecoense no Brasileirão

O Palmeiras se reapresenta na manhã desta sexta-feira (29), na Academia de Futebol, e inicia a preparação para enfrentar a Chapecoense no domingo (31). A rotina marca a volta imediata ao foco no Brasileirão após a vaga nas oitavas da Libertadores e traz como novidade a transição física do zagueiro Benedetti, recuperado de entorse no tornozelo direito.

Depois da goleada, manutenção da liderança entra em cena

Menos de 12 horas depois da vitória por 4 a 1 sobre o Junior Barranquilla, no Allianz Parque, o ambiente na Academia de Futebol já é outro. A comemoração pela classificação às oitavas de final da CONMEBOL Libertadores cede espaço ao discurso de concentração total na 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, em que o time lidera com 38 pontos e tenta abrir vantagem antes da pausa para a Copa do Mundo.

A comissão técnica de Abel Ferreira organiza a manhã em blocos. Os titulares da noite anterior seguem para o centro de recovery e neurociência, onde cumprem trabalhos regenerativos pensados para controlar desgaste, reduzir risco de lesão e preservar intensidade para a maratona do calendário. No campo, um grupo enxuto treina sob sol leve, com foco em saídas de bola, marcação pressionada e construção de jogadas em espaço reduzido.

A lista de ausências ilustra o desafio. Gustavo Gómez, Ramón Sosa, Mauricio, Jhon Arias, Flaco López, Giay e Emi Martínez já se apresentam às seleções de seus países. Outros nomes importantes cumprem plano individualizado de recuperação. Em cenário de desfalques em série, a reaparição de Benedetti no gramado funciona quase como um reforço de meio de temporada.

O zagueiro inicia a transição física depois da entorse no tornozelo direito que o afasta de jogos e treinos completos. Trabalha com bola em intensidade controlada, testa mudanças de direção, salta, participa de parte das dinâmicas coletivas. O gesto simples de ganhar o primeiro duelo em um exercício reduzido provoca reação dos colegas, um sinal de que a hierarquia interna também se alimenta de pequenos retornos.

Outro personagem do dia é Bruno Fuchs. O defensor treina em tempo integral com o grupo, em ritmo de jogo. Com o elenco fatiado entre convocações e recuperação física, a presença de dois zagueiros à disposição amplia as combinações possíveis para a comissão técnica em um duelo que, no papel, pode parecer protocolar, mas ganha peso por anteceder um período de paralisação.

Força do elenco e disputa por espaço em meio aos desfalques

Enquanto os exercícios se repetem, Marcelo Lomba se movimenta com a naturalidade de quem sabe que deve ser o titular no domingo. A suspensão de Carlos Miguel, punido pelo terceiro cartão amarelo, abre uma rara sequência para o goleiro de 37 anos, acostumado a entrar em momentos pontuais. Ao lado dele, Andreas Pereira e o próprio Giay também cumprem suspensão automática na rodada.

Lomba fala em tom sereno, mas firme, ao deixar o gramado. “É um jogo importante, como todos os outros, ainda mais quando você está na liderança”, afirma. “Nesse momento em que teremos algumas mudanças, temos de acreditar na força do nosso trabalho, na consistência do nosso dia a dia e da nossa preparação.”

O discurso resume o que se vê no campo: jogadores que orbitam o time titular tentam usar a oportunidade para reduzir distâncias internas. Partidas em que o elenco é mais mexido, como a de domingo, costumam redesenhar hierarquias silenciosas no vestiário e influenciar o plano de Abel para as semanas seguintes.

O treinador, que já avisou em outras ocasiões que a temporada se ganha com elenco e não com onze nomes, encontra justamente nesses cenários a chance de testar alternativas. O trabalho tático em dimensões menores acelera raciocínio, exige coordenação fina de movimentos e encurta a distância entre ideia e execução. Cada tomada de decisão, em menos de um segundo, pesa na avaliação de quem briga por vaga.

A influência das convocações também aparece no discurso. “Foi uma alegria e uma recompensa muito grandes ver os nossos amigos podendo realizar esse sonho”, diz Lomba, sobre os sete atletas chamados por suas seleções. “O Palmeiras sai muito fortalecido dessa convocação, fizemos parte até aqui com eles. Cada um escreveu uma história bonita, e eu tenho certeza de que eles vão estar na torcida e nos acompanhando também.”

Ao mesmo tempo em que perde jogadores importantes, o clube colhe o prestígio de ver parte do elenco em vitrine internacional. Internamente, a leitura é de que o grupo ganha confiança ao provar que consegue entregar desempenho mesmo com baixas em série. Para o torcedor, o jogo contra a Chapecoense funciona como termômetro dessa profundidade.

Jogo antes da pausa define fôlego e narrativa para a sequência

O duelo de domingo, às 16h, no Allianz Parque, carrega uma função que vai além dos três pontos. Com uma pausa longa pela frente, o resultado diante da Chapecoense tende a influenciar o clima de trabalho durante uma espécie de pré-temporada forçada. Uma vitória mantém o Palmeiras na liderança, possivelmente abre margem mais confortável na ponta da tabela e reforça a sensação de controle do próprio destino.

Uma atuação irregular, por outro lado, reacende dúvidas sobre dependência dos titulares ausentes e sobre a capacidade de resposta imediata do elenco. Em um campeonato decidido ponto a ponto, o recorte de 90 minutos pode definir a maneira como torcedores e dirigentes leem as próximas semanas, inclusive em relação a eventuais ajustes de elenco.

Lomba insiste na ideia de foco único. “Concentração total nesse jogo, não pensamos em mais nada”, afirma. “Desde que garantimos a nossa classificação na Libertadores, o foco total é na Chapecoense. É um jogo muito importante, são três pontos valiosos para terminarmos bem a liderança e com confiança também.”

O goleiro projeta o impacto do resultado na preparação que vem na sequência. “Depois haverá uma parada longa, poderemos nos preparar novamente, praticamente uma pré-temporada. Na minha cabeça e na de todos os jogadores, o jogo da Chapecoense é o nosso único foco. Vamos buscar os três pontos para sair com uma boa vantagem nessa parada.”

Os próximos dois dias carregam esse subtexto. Entre treinos técnicos, controle de carga física e decisões finais sobre escalação, o Palmeiras administra o equilíbrio delicado entre rodar o elenco e preservar a identidade de jogo que o levou ao topo com 38 pontos em 17 partidas. A transição de Benedetti, o espaço para reservas como Lomba e a ausência dos convocados compõem um cenário em que o clube testa, ao mesmo tempo, profundidade e ambição.

A liderança antes da Copa não garante o título, mas oferece margem para erros pontuais e reduz a pressão em um calendário que volta comprimido depois da pausa. O domingo no Allianz Parque, diante da Chapecoense, vale bem mais do que apenas uma rodada na tabela: aponta se o Palmeiras entra no intervalo como alvo vulnerável ou como time a ser batido na arrancada final do Brasileirão.

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