Esportes

John Textor vai à Justiça e reivindica 90% da SAF do Botafogo

John Textor entra com petição na Justiça do Rio e afirma ainda ser dono de 90% das ações da SAF do Botafogo. O movimento, apresentado na quinta-feira (28), mira a Eagle Bidco e pode travar a venda do clube a um novo investidor.

Disputa explode em meio a negociação pela SAF

O empresário norte-americano leva a disputa societária para o Judiciário em um momento decisivo para o Botafogo. A Eagle Bidco, veículo ligado ao fundo Ares Management, conduz conversas para repassar o controle da SAF, enquanto o clube associativo tenta participar de perto do desenho do novo comando.

Na petição, revelada pelo “GE”, Textor sustenta que a Eagle não cumpre as condições previstas para concluir a transferência das ações. Ele afirma que o acordo previa a passagem de 90% das ações da SAF, hoje em nome de sua pessoa jurídica, para a estrutura corporativa da Eagle Bidco, mas que essa etapa permanece incompleta.

Segundo o empresário, sem essa formalização a Eagle não teria poder pleno para vender a SAF a terceiros. O entendimento dele é direto: se as ações não saíram de sua esfera de controle de forma válida, nenhuma negociação pode seguir adiante sem sua anuência, inclusive a tratativa em curso com um potencial novo investidor.

O litígio aparece em um momento de desgaste público entre Textor e parte da torcida, após uma trajetória marcada por altos e baixos desde a criação da SAF alvinegra. O Botafogo vive fase de incerteza financeira e esportiva, e qualquer travamento nas negociações tende a repercutir no planejamento de elenco, receitas e estrutura do futebol.

Cobrança de R$ 150,3 milhões e efeito no controle do clube

O ponto central da queixa não é apenas quem manda na SAF, mas também quem paga a conta. De acordo com o “GE”, Textor alega que a transferência das ações para a Eagle/Ares teria como contrapartida o pagamento de cerca de R$ 150,3 milhões ao americano. O valor, segundo ele, não chega a ser quitado.

Na prática, o empresário diz que segue como acionista majoritário sem receber o montante acordado. O cenário cria uma zona cinzenta: a Eagle atua como pretendida controladora, negocia a venda e encara a intervenção de uma administradora judicial, mas enfrenta a contestação direta de quem reivindica deter 90% das ações.

Os advogados de Textor enviam carta à Cork Gully LLP, administradora judicial da Eagle Bidco, para registrar formalmente as queixas e pressionar por uma solução. O movimento busca inserir o debate não só na Justiça brasileira, mas também na esfera de governança da própria Eagle, que está sob tutela judicial.

O imbróglio jurídico recai sobre o coração do projeto de clube-empresa do Botafogo. A SAF, modelo criado para atrair capital privado e reduzir dívidas históricas, se apoia na clareza sobre quem manda e quem responde pelos compromissos financeiros. Quando essa definição entra em disputa, o risco atinge patrocinadores, credores e até atletas com contratos de longo prazo.

Investidores em potencial tendem a rejeitar ambientes com incerteza jurídica e brigas societárias. A discussão sobre os R$ 150,3 milhões e a própria titularidade das ações pode reduzir o apetite de interessados ou alongar as negociações, o que impacta diretamente o caixa do clube e planos de médio prazo.

Viagem ao Rio e próximos capítulos da batalha pelo comando

Textor programa viagem ao Rio de Janeiro neste fim de semana para reuniões com dirigentes do clube associativo. A ideia é discutir o impasse diretamente com representantes alvinegros e tentar influenciar o rumo das conversas com a Eagle e o futuro investidor.

As conversas se somam ao trâmite da ação na Justiça do Rio, que passa a ser o palco formal da disputa de controle. A partir da petição, o Judiciário pode pedir esclarecimentos, determinar prazos para resposta da Eagle Bidco e, dependendo do pedido do americano, até impor medidas que limitem a capacidade de venda da SAF enquanto a controvérsia não é resolvida.

O processo tende a ganhar atenção crescente de outros clubes que trabalham com o modelo de SAF, de advogados do setor e de autoridades esportivas. O caso ajuda a expor fragilidades de contratos complexos firmados em meio à corrida por novos investidores e mostra como a falta de execução precisa de cláusulas financeiras abre espaço para disputas longas.

Para o torcedor, o impacto mais imediato é a sensação de incerteza sobre quem de fato conduz o futebol do Botafogo e quais recursos estarão disponíveis para manter o time competitivo. Em um mercado em que janelas de transferências têm datas rígidas e a concorrência é feroz, cada mês de indefinição pode custar reforços, estabilidade no elenco e confiança na arquibancada.

O desfecho passa por decisões judiciais, eventuais ajustes no acordo com a Eagle e o desenho final da venda da SAF. Enquanto Textor insiste que segue dono de 90% das ações e cobra R$ 150,3 milhões, a Eagle tenta avançar nas negociações com o novo investidor. A dúvida sobre quem tem a palavra final no Botafogo permanece aberta e tende a moldar o futuro esportivo e financeiro do clube nos próximos anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *